Encefalite: tipos, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

07 de março de 2018 ● POR Lucas Coelho

A encefalite é uma inflamação que ocorre no cérebro e que pode ter consequências graves se não for tratada corretamente. Ela geralmente é provocada por uma infecção viral, mas também pode ter outras causas.

Muita gente costuma confundir o encéfalo com o cérebro ou acredita que são sinônimos. Na verdade, o cérebro é somente uma parte do encéfalo, que também é composto pelo cerebelo, pelo hipotálamo, o bulbo raquidiano e a hipófase, entre outras estruturas.

Cada uma dessas estruturas é responsável por funções sensoriais, de memória, movimentos, aprendizagem, inteligência etc. E é justamente por afetar o núcleo do nosso sistema nervoso central que a encefalite é considerada uma condição tão grave e delicada.

Sem atendimento e tratamento adequados, ela pode deixar sequelas em decorrência do inchaço do tecido cerebral e de eventuais hemorragias que são desencadeadas neste processo.

Abaixo, separamos tudo o que você precisa saber sobre encefalite. Continue lendo!

Tipos e causas da encefalite

Os tipos de encefalite são classificados com base no que as causou. Segundo Bruno Funchal, neurologista do Hospital Santa Paula de São Paulo, existem três principais tipos de encefalite: a infecciosa, a autoimune e a paraneoplásica.

Encefalite infecciosa

Dentro da encefalite infecciosa há outros dois tipos: a encefalite viral e a herpética.

Ela é quase sempre resultado da ação de um vírus diretamente no encéfalo, mas pode ser desencadeada por bactérias, fungos e outros agentes. Ela também é chamada de primária. “As principais causas nessas situações são os vírus do herpes e da varicela”, afirma Funchal. A varicela nada mais é do que a catapora.

Outras infecções também são capazes de desencadear um quadro de encefalite, apesar de mais raramente, como a poliomielite, sarampo, rubéola e a caxumba.

Logo, a encefalite pode ser considerada contagiosa nesses casos, pois a transmissão do vírus acontece de pessoa para pessoa através de secreções respiratórias, principalmente.

Encefalite autoimune

A encefalite autoimune é também chamada de secundária pois acontece como reação a uma outra enfermidade que o paciente vinha sofrendo. “Ocorre quando o próprio organismo produz anticorpos contra o cérebro”, explica o neurologista.

Esse problema pode ser desencadeado por diversos motivos, mas geralmente está relacionado a infecções agudas. Nos últimos anos, especialistas têm observado o aparecimento da encefalomielite autoimune (quando a inflamação atinge também a medula espinhal) em pessoas que foram infectadas pelo Zika Vírus.

Isso vai ao encontro do aumento de casos da síndrome de Guillen-Barré, outra doença autoimune, desencadeada pelo Zika.

Encefalite paraneoplásica

Por último, a encefalite paraneoplásica é, no mínimo, uma situação curiosa. Como esclarece Bruno, ela acontece por uma reação do organismo à existência de um câncer ativo no corpo.

A parte interessante desta manifestação da doença é que ela pode, em alguns casos, “ajudar” a identificar um tumor maligno que ainda está latente ou no começo. No entanto, essa não é a melhor forma para isso, obviamente.

Sintomas mais comuns

Pessoas com o sistema imunológico baixo – seja ocasionalmente ou por doenças que baixam a resistência, como a AIDS – ou que passaram por alguma infecção aguda recentemente, precisam ficar de olho em alguns sinais que a encefalite traz.

Os sintomas são muito variados, mas quando começam a acontecer em conjunto e fora do normal do indivíduo, é possível perceber que algo está errado.

“Os principais sintomas da encefalite são a dor de cabeça, sonolência, febre e confusão mental”, lista Funchal. Numa situação mais grave, podem acontecer até perda de memória, uma crise convulsiva, fraqueza muscular ou paralisia.

O mais delicado é identificar essa situação num recém-nascido. Falta de apetite, irritação fácil, choro frequente e vômitos fazem parte de uma gama enorme de doenças que acometem os bebês.

Mas, se os pais notarem rigidez no corpo ou a moleira da cabecinha mais saliente, deve-se procurar um médico com emergência.

Qual a diferença entre encefalite e meningite?

Diferente da encefalite, na meningite a infecção e a inflamação ocorrem apenas nas meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula. Nesse caso, os sintomas, diagnóstico e tratamento são outros (clique aqui para saber mais sobre a meningite).

Diagnóstico e exames necessários

O especialista mais indicado para cuidar de encefalites é o neurologista. Ele irá avaliar primeiramente os sinais mais óbvios, testando o reflexo, a fala, a memória e observando se há rigidez dos músculos ou outros problemas que possam indicar encefalite.

Dependendo dos sintomas, o diagnóstico pode ser relativamente simples e importante para acelerar o tratamento, mas exames laboratoriais terão de ser feitos de qualquer maneira para confirmar o quadro.

Análises do líquor (fluído cérebro espinhal, ou líquido cefalorraquidiano, obtido através de uma punção lombar), do sangue e da urina são importantes para averiguar a presença de agentes infecciosos.

Exames de imagem através de ressonância magnética e tomografias do cérebro, ou um eletroencefalograma (EEG) também podem ser feitos.

Tratamentos para encefalite

“As encefalites têm tratamento e a resposta depende do tempo entre o início dos sintomas e a introdução da medicação”, garante Bruno.

Além da ingestão de líquidos e repousos para tentar aliviar os problemas e auxiliar o corpo no combate à infecção, são utilizados medicamentos diversos dependendo dos resultados dos exames e dos sintomas.

Antivirais ou antibióticos dependerão do agente infeccioso encontrado. Se o paciente apresentar convulsões, devem ser administrados remédios anticonvulsivos.

Além disso, analgésicos, sedativos, antipiréticos (para combater a febre) e corticoides também podem fazer parte do tratamento.

A encefalite pode deixar sequelas?

Sim. Por ser um inchaço do encéfalo, e geralmente do cérebro, podem ocorrer danos irreversíveis, especialmente se houverem hemorragias.

Conforme explica o neurologista do Hospital Santa Paula, “considerando que a encefalite é uma doença grave, existe a possibilidade de ficarem sequelas neurológicas, como epilepsia, déficit cognitivo ou motor”.

Isso é especialmente importante para recém-nascidos que ainda estão desenvolvendo o cérebro. Portanto, o fator principal para evitar sequelas é realizar o diagnóstico e começar o tratamento o mais cedo possível.

Prevenção

Para além dos cuidados comuns que devemos tomar contra qualquer vírus – como lavar as mãos constantemente, evitar lugares fechados e de pouca circulação de ar, utilizar repelentes e tomar medidas para impedir a reprodução do Aedes aegypti – é fundamental manter em dia as vacinas para os vírus citados acima que podem causar a encefalite.

Apesar de ainda não haver uma vacina contra Herpes simples, há uma disponível contra herpes zoster, além da quádrupla viral para sarampo, caxumba, rubéola e varicela.


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