Dopamina: o que é, para que serve, carência e como regular?

27 de setembro de 2018

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POR Lucas Coelho

Diversas substâncias que regulam funções do organismo ganham apelidos populares que focam em algum aspecto específico de seu funcionamento. Por exemplo, “hormônio do prazer“, do amor, do sexo, da felicidade, etc. A dopamina é um desses casos.

Por ter importância no controle da libido, ela é assunto comum em revistas e sites que tratam de sexo. Comumente chamada de hormônio, a dopamina é na realidade um neurotransmissor e tem importância muito maior do que simplesmente aumentar a vontade de transar, sendo um fator fundamental para evitar depressão e doenças como Parkinson.

O que é exatamente é a dopamina?

“A dopamina é um neurotransmissor cerebral”, explica o neurologista Marcus Tulius, do Complexo Hospitalar de Niterói, no Rio de Janeiro. “Ou seja, é uma molécula produzida pelo organismo que tem como função realizar a comunicação de um neurônio com o outro, ligando-se a receptores específicos”, finaliza.

Em outras palavras, os neurônios são responsáveis por enviar impulsos para todas as partes do organismo, para isso dependem de neurotransmissores que realizam a “comunicação” entre com outras células.

Para que serve a dopamina?

 

neurônios de doenças degenerativas

Naeblys/Getty Images

A função da dopamina é naturalmente importante para a comunicação dos neurônios e atua em diversos sistemas do organismo, como a regulação motora dos movimentos voluntários, do humor, das vias da memória, da atenção, do prazer, entre outras.

Ela funciona ativando os neurônios de regiões específicas do cérebro, de modo a promover ou inibir certas atividades, de acordo com a necessidade.

Apesar das propagandas de suplementos deste neurotransmissor, ele não age sozinho e não é a solução para doenças relacionadas às funções citadas acima: o organismo trabalha bem somente em equilíbrio e depende de diversos fatores.

Dopamina e Parkinson

A principal enfermidade associada à baixa quantidade de dopamina no organismo é a doença de Parkinson.

“Nessa condição degenerativa, a produção na ‘substância negra do tronco cerebral’ (região do cérebro na qual ela age) decai de modo acelerado, acarretando em prejuízos na comunicação dos neurônios responsáveis pela modulação do sistema motor”, explica o médico.

Uma das funções da dopamina é controlar os movimentos voluntários, assim, sua carência leva à dificuldade de movimentação característica do Parkinson, a qual é marcada por rigidez e tremores.

Dopamina e depressão

Como trata-se de um neurotransmissor que atua também na sensação de bem-estar, é comum que pessoas com Parkinson também sofram de depressão e ansiedade.

Isso é explicado pelo fato de a dopamina participar da modulação do Sistema Límbico, que modula o comportamento e as emoções. Portanto, uma baixa no nível desta substância resulta em humor deprimido.

Ainda pode haver baixa capacidade de concentração e memória.

Dopamina e libido

Já a ligação com a vontade de fazer sexo é apenas uma simplificação de um problema muito mais sério. Por regular as percepções emotivas, a carência deste neurotransmissor pode resultar na perda completa da capacidade de sentir prazer – quadro chamado de anedonia – o que inclui a libido.

Dopamina e esquizofrenia

Ao contrário dos problemas anteriores, a relação entre dopamina e esquizofrenia está no excesso do neurotransmissor. Quando presente em grandes quantidades, ela pode levar a alucinações e até a quadros de psicose – quando a pessoa já não consegue identificar a realidade.

De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, o nível elevado é uma característica do cérebro de pessoas sociopatas e desregula diversas funções cerebrais, motivando comportamentos impulsivos.

Falta ou excesso de dopamina

De maneira geral, o diagnóstico dos problemas relacionados à falta ou ao excesso de dopamina é clínico, pois não há um exame de sangue disponível comercialmente.

No entanto, há casos em que é possível realizar um exame de PET Scan (tomografia por exposição de Pósitrons), que ajuda a avaliar áreas do cérebro que apresentam metabolismo alterado de dopamina.

Como regular o nível de dopamina?

 

fontes naturais de dopamina

happy_lark/Getty Images

Manter um nível saudável é importante para o funcionamento do corpo, visto que tanto a falta como o excesso são quadros problemáticos, então não foque apenas nas promessas de “aumentar o nível de dopamina”.

Remédios

Pacientes com doença de Parkinson são tratados com Levodopa, um precursor da dopamina. Essa droga atenua os sintomas, mas não cura a doença.

Há, ainda, alguns antidepressivos com ação em receptores dopaminérgicos, isto é, locais no neurônio em que a dopamina se ligaria. “Essas medicações simulam a ação do neurotransmissor, estimulando as células e tratando os sintomas de depressão”, afirma o neurologista.

Alimentação

Diversas frutas – como banana, maçã e melão –, vegetais e legumes ajudam a elevar o nível de dopamina.

Já açúcar e cafeína interferem na composição química do cérebro, o que influencia os neurotransmissores negativamente. Assim, cortar estas substâncias é importante quando a quantidade estiver desregulada.

Suplementos

Embora existam diversos suplementos de dopamina que prometem mil maravilhas, o ideal é utilizá-los somente sob orientação de um médico especialista.

Exercícios

Por fim, um jeito bastante natural de fazer o cérebro produzir dopamina e outros neurotransmissores importantes, como a serotonina, é exercitando-se.