Doença de Graves: a maior causa de hipertireoidismo

Atualizado em 05 de setembro de 2018

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Comum entre mulheres de meia-idade, a doença de Graves, também conhecida como Basedow-Graves ou Bócio Difuso Tóxico, é um hipertireoidismo autoimune — ou seja, o sistema imunológico faz com que a tireoide produza mais hormônios do que o necessário.

O “hiper” significa que a glândula está funcionando acima do que deveria, aumentando a atividade metabólica do organismo. Isso pode causar taquicardia, perda de peso e outros problemas. Entre os sintomas também estão queda de cabelo, nervosismo, sensação de calor e tremor nas mãos.

Doenças autoimunes

Doença autoimune é o nome que se dá quando as células de defesa do nosso corpo acabam atacando tecidos saudáveis por engano, em vez de combater invasores. Não existe cura para esse tipo de problema, mas é possível controlá-lo.

Alguns exemplos de doenças autoimunes são lúpus, esclerose múltipla, vitiligo, psoríase, diabetes do tipo 1, doença de Chron e anemia perniciosa.

Na Doença de Graves, os anticorpos atacam diretamente a tireoide, glândula responsável pela secreção de hormônios que regulam o metabolismo, causando inflamação e fazendo com que ela produza mais hormônios T3 e T4 do que o normal — o que leva ao hipertireoidismo.

Grupos sob maior risco de Doença de Graves

De acordo com a endocrinologista Rosita Fontes, a doença de Graves atinge principalmente as mulheres e estima-se que seja responsável por algo entre 50% e 80% de todos os casos de hipertireoidismo.

“Por ser uma doença autoimune, não existe causa específica. Porém, sabe-se que pessoas do sexo feminino com histórico na família e acima dos 40 anos estão mais sujeitas à doença do que outros grupos”, explica a especialista.

Além do gênero, idade e histórico familiar, outros fatores também podem aumentar o risco de uma mulher desenvolver a doença: gravidez, estresse, tabagismo e o diagnóstico de outras doenças autoimunes podem facilitar o surgimento do problema.

Outros sintomas, diagnóstico e tratamento da Doença de Graves

Além dos sintomas já listados acima, as mulheres também têm de lidar com alterações no ciclo menstrual. Já os homens, apesar de não estarem no grupo de risco, também estão sujeitos à doença e podem sofrer com disfunção erétil e diminuição da libido.

O endocrinologista é o médico mais adequado para realizar o diagnóstico, que é feito por meio de diversos exames que avaliam a produção de hormônios da tireoide. “Exames de imagem, como ultrassonografia e cintilografia, podem ser requisitados”, afirma Rosita.

É possível que a doença de Graves venha acompanhada de outras enfermidades que também levam o nome do médico irlandês Robert Graves, que foi um dos primeiros a descrever a doença ainda no século XIX. A oftalmopatia de Graves, por exemplo, causa irritação e dor nos olhos, os deixa com aspecto esbugalhado (exoftalmia) e pode até levar à perda da visão em casos mais graves. Já a dermopatia de Graves geralmente afeta a pele das pernas, deixando-a avermelhada e com aspecto grosso.

Existem diversas formas de tratamento para a doença de Graves. É possível reverter a doença com medicamentos, radioterapia com iodo radioativo e até por meio de cirurgia para remoção da tireoide em casos mais extremos. Tudo vai depender da situação de cada paciente.