Dislexia: sintomas, causas e tratamento da dificuldade de aprendizagem

03 de julho de 2018

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POR Vinícius De Vita

Dislexia é um distúrbio de aprendizagem caracterizado por dificuldade de leitura e escrita. Trata-se de um transtorno genético que afeta a linguagem e compromete a capacidade de aprender a ler e escrever logo na infância.

De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, o transtorno pode estar presente em até 17% da população mundial.

Causa da dislexia

De origem hereditária, a dislexia é provocada por uma alteração genética, o que explica porque ela ocorre em pessoas da mesma família.

Ainda não está claro quais são as causas de dislexia, mas existem algumas hipóteses, entre elas a de que o distúrbio pode estar relacionado com a produção excessiva de testosterona pela mãe ainda durante a gestação, especialmente entre a 16ª e a 24ª semana.

Também há a possibilidade de que o distúrbio seja uma junção de diferentes fatores. Alterações cerebrais, como atraso no amadurecimento do sistema nervoso central, e perturbações durante o parto ou ainda nas primeiras semanas ou meses de vida também poderiam contribuir para o desenvolvimento da dislexia.

Principais sinais e sintomas de dislexia

 

Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock

A dislexia costuma se manifestar ainda na infância.

Seus sinais e sintomas são os mesmos tanto para crianças quanto para adultos, a diferença é que o problema é mais perceptível durante os primeiros anos de vida, pois é a fase em que ocorre a alfabetização. Da mesma forma, existem diferentes graus de dislexia.

No entanto, não é necessário aguardar esta fase para começar a prestar atenção em eventuais sinais de dislexia. Existem alguns bastante característicos da primeira infância. Veja quais são:

Sintomas da dislexia na primeira infância (fase pré-alfabetização)

  • Dispersão intensa;
  • Falta de atenção;
  • Atraso na coordenação motora;
  • Atraso na fala.

Sintomas da dislexia na idade escolar

  • Dificuldade de aprender a ler e escrever;
  • Dificuldade para soletrar;
  • Problemas para compreender textos;
  • Falta de atenção;
  • Dificuldade em copiar de livros ou da lousa;
  • Dificuldade para identificar fonemas, como rimas;
  • Desorganização;
  • Dificuldade em manusear mapas, consultar dicionários, fazer pesquisas em sumários, decorar informações e outras tarefas escolares;
  • Dificuldade em ler em voz alta ou compreender o que foi dito;
  • Baixa autoestima.

Além disso, existem ainda dois tipos de desvios de aprendizagem que são muito comuns em pacientes com dislexia. Eles são:

Discalculia

Dificuldade acima do normal para decorar a tabuada, reconhecer símbolos e outros conceitos matemáticos e fazer operações simples, como adição e subtração;

Disgrafia

Troca de letras, inversão de palavras, omissão ou acréscimo de letras e sílabas.

Como é feito o diagnóstico?

Geralmente, o diagnóstico de dislexia é feito por exclusão, ou seja, eliminando outras possibilidades. Isso é necessário para avaliar se as dificuldades apresentadas não são provocadas por outros fatores.

É muito comum, por exemplo, achar que uma criança com dificuldades na escola tem dislexia quando ela, na realidade, está com dificuldade para enxergar a lousa por algum problema visual. Além disso, deficiências visuais e auditivas, déficit de atenção e problemas emocionais e psicológicos também podem prejudicar o processo de alfabetização.

Deste modo, a avaliação e o acompanhamento médico são extremamente importantes.

Tratamento e prognóstico

 

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Dislexia não tem cura, mas existem terapias que ajudam o paciente a superar, na medida do possível, as dificuldades que enfrenta na leitura, escrita, soletração e linguagem de modo geral.

O tratamento de dislexia logo nos primeiros anos da infância é fundamental para evitar consequências para o emocional da criança ao longo da vida, trabalhar a autoestima e impedir reflexos negativos.

Para isso, uma equipe multidisciplinar deve estar envolvida: pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais.

Convivendo com dislexia

O apoio da família é fundamental tanto para o desenvolvimento da criança quanto para o sucesso do tratamento. Apostar em jogos criados especialmente para pacientes com dislexia é uma excelente medida para ajudar no prognóstico.

Na escola, o apoio também é importante. Os professores devem garantir que a criança esteja envolvida nas atividades em grupo e focar na melhoria das dificuldades de aprendizagem.