Você sabe as diferenças entre rinite e sinusite?

Atualizado em 29 de julho de 2019

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POR Lucas Coelho

Coceira incômoda no nariz, dores espalhadas pela cabeça, catarro, tosse, espirros. Estes são alguns sintomas muito comuns, característicos de problemas respiratórios. Muitas vezes, eles surgem sem aviso prévio (em especial nos meses mais frios do ano) e literalmente nos derrubam. Só que estes sintomas podem ser várias coisas, e é muito comum fazer confusão entre doenças respiratórias, principalmente também entre rinite e sinusite.

Elas podem até ser semelhantes em muitos aspectos, mas se diferem em vários outros. Por afetarem as mesmas regiões do corpo e por estarem relacionadas, já que uma pode ser causa e consequência da outra, é muito fácil confundir as duas.

Mas vamos colocar um fim a essa confusão toda? O Ativo Saúde preparou a comparação simples para explicar a você quais as principais diferenças entre rinite e sinusite.

Sintomas diferentes da rinite e sinusite

Rinite

A rinite é uma inflamação na mucosa do nariz. Além do prurido nasal (coceira), ela causa espirros, coriza (secreção de cor clara que escorre pelo nariz), obstrução nasal, coceira na garganta, coceira no céu-da-boca e até nos olhos, que podem ficar vermelhos e arder.

Existem basicamente dois tipos de rinite: a não alérgica e a alérgica.

A rinite não-alérgica pode ser causada por centenas de diferentes vírus e bactérias, ou vários outros motivos que não sejam alérgicos. Habitualmente, ela acontece de forma aguda e tem curta duração, e é associada a resfriados, ocorrendo mais durante as estações mais frias do ano.

Já a rinite alérgica é um problema hereditário, ou seja, está “escrito” na genética de cada um. Ela é uma doença crônica e costuma ser a que mais incomoda as pessoas, porque pode aparecer em qualquer época do ano.

Ambas compartilham os mesmos sintomas. Em quadros um pouco mais intensos, também é possível sofrer com tosse seca, dores de cabeça, cansaço e até vômitos.

Segundo a pneumologista Fernanda Gois, do Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba, “rinite nada mais é do que a inflamação das vias aéreas superiores. Já a sinusite é a consequência dessa inflamação, com presença de infecção”. Portanto, são enfermidades que estão intimamente ligadas e podem ainda se associar com outros quadros, como asma, ronco e tabagismo.

Sinusite

A sinusite decorre de uma infecção nos seios paranasais, que são as cavidades internas da face. Essas cavidades têm funções vocais e anatômicas e são revestidas de muco. Esse muco é continuamente secretado para a região nasal, mas quando algo impede esse fluxo, os seios da face inflamam e infeccionam.

Um sinal simples de sinusite, e não de rinite, está na cor da secreção: transparente na segunda, ele é esverdeado/amarelado e mais espesso na primeira. Outros sintomas são dores de cabeça, dores espalhadas pela face, tosse – especialmente à noite –, diminuição do paladar e do olfato, febre e possivelmente halitose.

Uma outra maneira de identificar a sinusite é simplesmente abaixar a cabeça. Por causa da infecção, é possível sentir uma espécie de pressão interna no rosto.

Como é feito o diagnóstico

A conversa com o médico – o especialista nesses casos seria o otorrinolaringologista – é o primeiro passo para identificar a causa dos sintomas. No caso da rinite, o principal objetivo é definir se a doença é alérgica ou não.

Prepare todas as informações relacionadas aos sintomas. O otorrino também irá avaliar as vias aéreas e pode pedir exames de radiografia e tomografia quando necessário.

Se o diagnóstico chegar à conclusão de que a é rinite alérgica, o próximo passo é tratar com um alergista para identificar as causas da reação. Por meio de exames de pele ou de sangue é possível descobrir os alérgenos (substâncias que induzem a hipersensibilidade).

A sinusite requer um pouco mais de cuidado, pois trata-se de uma infecção. O procedimento, no entanto, é basicamente o mesmo da rinite.

Baseado nos sintomas apresentados, o médico primeiro examinará o nariz, ouvidos e a garganta. Depois, ele pode realizar um rinoscopia e pedir exames de imagem da face.

Tratamento e cuidados

Vamos começar pelo tratamento da sinusite. De maneira geral, ele é sintomático. O primeiro objetivo é diluir a secreção que está entupida dentro do rosto, e, para isso, pode-se usar uma solução salina facilmente preparada em casa.

Receita caseira: ferva um litro de água, adicione 1 colher de chá e açúcar e 1 colher de chá de sal, e espere esfriar. Ao longo do dia, pingue cerca de duas gotas em cada narina e veja se melhora. As inalações também podem ajudar.

Para lidar com a infecção, antibióticos e corticoides também podem ser recomendados pelos médicos. O spray nasal é a solução comumente aplicada. Se os sintomas forem mais graves, não está descartada a aplicação de corticoide oral ou injetável.

Em situações muito extremas, com a sinusite resistindo a qualquer tipo tratamento, há a possibilidade de realizar um procedimento cirúrgico. No entanto, isso é raro e bastante delicado. Seria interessante consultar mais de um especialista neste caso.

A rinite não alérgica também tem tratamento basicamente sintomático. Se for resultado da ação de alguma bactéria, porém, o médico deve prescrever um antibiótico. A forma mais comum, no entanto, é o uso de descongestionantes nasais aerossóis ou orais, que não necessitam de prescrição médica. Os sintomas devem desaparecer em até quatro dias, em média.

Se a rinite for alérgica, o mais importante é evitar as substâncias e situações que provocam a inflamação.

Entre os agentes alérgicos mais recorrentes estão o pólen das flores, pelos de animais, ácaros existentes na poeira de casa, mofo, fungos e perfumes. As possibilidades, porém, são quase infinitas. Sabe-se que alimentos também conseguem desencadear o problema, assim como mudanças bruscas de temperatura.

Segundo explica a especialista Fernanda Gois, é preciso ter o controle ambiental, realizando um tratamento preventivo. “É recomendável evitar contato com pessoas gripadas, exposição à fumaça de cigarro, varrer a casa (prefira aspirador e passar um pano), contato direto com ursos de pelúcia e tecidos de pelos, como cortinas, tapetes e carpetes”, esclarece.

Para ambas as doenças, é importante beber bastante água e não permanecer muito tempo em ambientes pouco arejados. Manter os animais de estimação do lado de fora da casa também ajuda.

Por fim, para a rinite alérgica existe ainda a possibilidade da imunoterapia junto de um alergista, com aplicação de vacinas. Contudo, é um procedimento caro e menos acessível.