Diabetes tipo 1: sintomas, como tratar, aplicação da insulina e mais

Atualizado em 12 de novembro de 2018

|

O diabetes tipo 1, também chamado de diabetes mellitus tipo 1, acontece quando o pâncreas produz insulina em quantidade insuficiente em razão de um problema no sistema imunológico que faz com que os anticorpos ataquem células e tecidos saudáveis do organismo – mais especificamente as células que são responsáveis por produzir o hormônio.

Como resultado, o corpo não consegue metabolizar o açúcar (glicose) do sangue para produzir a energia que precisa para funcionar normalmente. A consequência direta é a ocorrência de sintomas aparentemente inofensivos, como boca seca, vontade frequente de urinar e sede excessiva. No entanto, se não houver aplicações diárias de insulina, o paciente pode ter complicações graves – e o risco à vida também passa a ser uma possibilidade real em alguns cenários.

Este tipo não é a forma mais comum da doença. Ocorre em cerca de 5 a 10% de todas as pessoas com diabetes e tem origem genética – ao contrário do que acontece com o diabetes tipo 2.

Por causa disso, é muito comum que seja diagnosticado ainda na infância. Abaixo, você confere mais informações sobre o diabetes tipo 1, aprende a identificar rapidamente os sintomas e como minimizar riscos de complicações.

Sintomas do diabetes tipo 1

Os sintomas mais comuns do diabetes tipo 1 costumam surgir já durante a infância, mas não é raro também aparecerem na adolescência ou somente no início da vida adulta.

Em geral, eles estão mais associados à presença insuficiente de insulina na corrente sanguínea. Quando isso ocorre, o organismo passa a emitir alguns sinais, como:

  • Sede constante;
  • Vontade frequente de urinar;
  • Boca seca;
  • Sensação constante de fadiga;
  • Aumento do apetite ou fome excessiva;
  • Visão embaçada;
  • Oscilações de humor;
  • Irritabilidade;
  • Náuseas e vômitos.

Diferentemente do que acontece no tipo 2, os sintomas do diabetes tipo 1 surgem rápida e repentinamente. No entanto, quando o diagnóstico é tardio e as células não conseguem produzir toda a glicose necessária para gerar a energia que precisam, o corpo começa a quebrar gordura e músculos para produzir energia.

Além de levar à perda de peso, mesmo quando a pessoa sente fome constantemente, este problema pode levar a um desequilíbrio chamado de cetoacidose diabética química, que, por sua vez, acarreta sintomas específicos, como:

  • Perda de apetite
  • Pele avermelhada, quente e seca
  • Dor abdominal
  • Náuseas e vômitos
  • Hálito cetônico, caracterizado por um odor forte que vem da respiração
  • Respiração rápida e profunda
  • Agitação ou sonolência, dependendo do caso
  • Dificuldade para acordar

Em casos graves, o problema pode levar a episódios de confusão mental e até mesmo ao coma.

Como se diagnostica o diabetes tipo 1?

Geralmente, o diagnóstico do diabetes tipo 1 é feito por meio de três exames: glicemia de jejum, hemoglobina glicada e teste de curva glicêmica. Entenda cada um:

Glicemia de jejum

O primeiro mede o nível de açúcar presente no sangue quando a pessoa está em jejum. Ele também serve para fins de monitoramento de pacientes já diagnosticados com diabetes.

Gemoglobina glicada

Diz respeito a um exame de sangue em que se mede as taxas de glicose na parte da proteína presente do glóbulo vermelho que se liga à glicose. Quando está alta, significa que o paciente está com hiperglicemia, o que pode indicar diabetes tipo 1 também.

Teste de curva glicêmica

Por fim, o exame de curva glicêmica simplificada mede a agilidade com que o organismo absorve o açúcar após a ingestão de algum alimento.

Quando a curva glicêmica é maior que 200 mg/dl após duas horas da ingestão de 75 g de glicose já é considerado diagnóstico positivo para esse tipo de diabetes.

Diabetes tipo 1 tem cura?

Não há cura para diabetes do tipo 1, mas é possível amenizar seus efeitos seguindo um estilo de vida saudável e monitorando frequentemente os sintomas e os níveis de glicose no sangue – além, claro, das aplicações diárias de insulina.

Possíveis formas de tratamento

1. Pratique exercícios físicos

A atividade física frequente (de três a cinco vezes por semana) é parte essencial do tratamento de diabetes tipo 1, pois ajuda a controlar os níveis de glicose na corrente sanguínea.

Exceções são feitas a pacientes que apresentam hipoglicemia, para os quais a prática de exercícios pode ser prejudicial. Por isso, é importante consultar um especialista antes de começar qualquer programa de atividade física. Só comece a se exercitar com autorização prévia de um médico de confiança.

2. Preste atenção na dieta

Assim como praticar atividade física, controlar o que se coloca no prato é importantíssimo no tratamento de diabetes tipo 1. Alguns alimentos devem ser cortados, como açúcares e carboidratos simples presentes em doces, massas e pães. Estes têm índice glicêmico muito elevado, o que leva ao retardamento na absorção da glicose.

Pode substituir açúcar refinado por mel ou açúcar mascavo?

Apesar de naturais e mais saudáveis do que o açúcar refinado, eles são ricos em sacarose, que é o maior vilão do diabetes. Por isso, é bom evitá-los e optar por adoçantes adequados, como xilitol.

3. Verifique constantemente a sua glicemia

Além das injeções diárias de insulina, o paciente com diabetes tipo 1 deve fazer o autoexame para verificar seu índice glicêmico. Ele pode ser feito em casa por meio do glicosímetro, dispositivo que mede a concentração exata de glicose no sangue.

Para isso, a pessoa fura a ponta do dedo com uma agulha pequena (a lanceta). A gota de sangue que surge deve ser colocada em uma tira reagente, que, em seguida, é inserida no aparelho. Os resultados demoram menos de um minuto para aparecer.

Quantas vezes é necessário realizar o autoexame?

Dependendo dos objetivos do tratamento do diabetes tipo 1 – por exemplo, baixar as taxas de glicose para fazer modificações na dieta ou trocar o medicamento –, o cronograma de testes pode variar.

4. Tome algumas medidas de precaução

Algumas medidas devem ser tomadas para não prejudicar a saúde e evitar complicações decorrentes da doença. Veja algumas:

  • Cuidado com o álcool: embora não seja proibido, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser controlado, pois doses exageradas para quem tem diabetes podem levar a sintomas diferentes da bebedeira: tremores pelo corpo, hipoglicemia, fome excessiva, irritabilidade e dores de cabeça.
  • Evite frequentar saunas: expor-se a altas temperaturas e possíveis choques térmicos pode desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos decorrentes do diabetes tipo 1.
  • Faça exames oculares frequentes: eles monitoram possíveis alterações na retina e ocorrência de doenças, como glaucoma e catarata. O risco destes problemas é maior em quem tem diabetes pois, nestes pacientes, as células da córnea não têm aderência adequada.
  • Cuidado com estresse, ansiedade e depressão: estes problemas podem ocorrer em pacientes que podem não lidar bem com o dia a dia complicado imposto pelo diabetes.
  • Pare de fumar: o cigarro pode aumentar em até cinco vezes o risco de infarto em pacientes com diabetes tipo 1.
  • Cuide da higiene bucal: a alta concentração de glicose no sangue torna mais propício o desenvolvimento e a proliferação de bactérias.

Aplicação de insulina

A insulina deve ser aplicada diariamente por meio de injeções no tecido subcutâneo, logo abaixo da pele. Já as melhores regiões do corpo para aplicar o hormônio são barriga, coxas, braços, cintura e  glúteos.

Há pelo menos quatro tipos de insulina que podem ser aplicadas por pacientes com diabetes tipo 1:

  • Insulina regular: entra em ação em 30 minutos a uma hora e dura de duas a três horas após a aplicação;
  • Insulina NPH: começar a agir entre duas e quatro horas após a aplicação, mas tem duração de 10 a 18 horas;
  • Análogos de insulina: três tipos têm efeito ultrarrápido, variando de cinco a 15 minutos, e dois de ação longa, que podem durar de 18 a 24 horas;
  • Pré-mistura: são preparados especiais que combinam diferentes tipos de insulina em proporções variadas.

Complicações possíveis

Se não houver aplicação correta de insulina, o diabetes tipo 1 pode levar a complicações graves de saúde, como:

  • Neuropatia diabética
  • Pé diabético
  • Infarto
  • Acidente vascular cerebral (AVC )
  • Hipertensão
  • Infecções decorrentes do sistema imunológico fragilizado
  • Nefropatia diabética
  • Arteriosclerose
  • Retinopatia diabética