Tudo sobre desidratação: o que causa, tipos e tratamentos

Atualizado em 05 de maio de 2020

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POR Gabriela Navalon

Você já sentiu muita sede a ponto de se sentir mal e notar que seu corpo estava desidratado? A sensação pode parecer corriqueira, mas é um dos sinais que nosso organismo transmite quando precisa de líquidos no corpo. Isso porque a falta de hidratação (desidratação) é um problema sério e que pode causar consequências severas caso não seja tratada.

Justamente por isso, tantos profissionais insistem que ao menos 2 litros de água por dia sejam ingeridos. Para compreender o assunto, conversamos com o clínico geral da Amparo, centro médico inteligente, Gentil Jorge CattaPreta, que deu detalhes sobre como o contratempo é, quais são seus tipos, formas de tratar e causas.

O que é desidratação?

Nosso corpo precisa de um equilíbrio entre perda e ingestão de líquidos. A desidratação, então, acontece quando não há esse balanço e cria-se uma situação onde a perda de líquidos no organismo é maior do que a quantidade de líquido ingerido.

Quando isso acontece, o volume sanguíneo circulante é diminuído, o que altera os sais do organismo e o pH (acidez) dos líquidos que estão passando pelo corpo.

Tipos de desidratação

As desidratações podem ainda ser classificadas em 3 tipos:

Hipertônica

Ocorre quando há perda de água e pouca perda de eletrólitos, que são minerais que carregam carga elétrica pelo organismo (como sódio e potássio). Essa situação é comum em condições onde existe hiperventilação e pouco consumo de água, como por exemplo em corridas de longa distância.

Isotônica

Ocorre quando a perda de água acompanha a perda de eletrólitos. Essa é uma situação comum em processos infecciosos como diarreias e vômitos, hemorragias, sudorese excessiva.

Hipotônica

Ocorre em casos onde há perda excessiva de sódio. É menos frequente, mas geralmente acontece quando há excesso de uso de diuréticos ou por causa de alterações hormonais.

Causas

O acontecimento mais comum quando o quadro de desidratação aparece e as suas principais causas são consumo insuficiente de água e perda acentuada de líquidos.

Exemplo de situação que leva a perda excessiva de líquido é quando fazemos atividades físicas em excesso, como uma maratona, e não nos hidratamos corretamente ou quando passamos por um processo infeccioso do corpo onde eliminamos muitos sais, como uma diarreia grave.

Fatores de risco

Os riscos da desidratação estão atrelados em seus sintomas, além de envolverem aspectos como idade, peso, presença de doenças prévias, preparo físico e ambiental (como temperaturas extremas e baixa umidade do ar).

Normalmente, esse é um quadro que tem maior propensão de acontecer com crianças e idosos, que são mais vulneráveis a quedas bruscas de água no corpo.

Sintomas

Os sintomas podem se manifestar de forma leve, moderada e grave. No caso do quadro leve, há poucas manifestações e sinais, mas algumas delas são boca seca, sensação de fadiga, urina concentrada (aquela bem amarela e com cheiro forte) e com volume reduzido.

Já nos casos graves, geralmente ocorre sensação acentuada de ressecamento e perda de elasticidade da pele, além de mudança nos pulsos periféricos, aceleração dos batimentos cardíacos, diminuição na produção de saliva e ausência de urina com comprometimento da função dos rins.

Em casos extremos pode haver comprometimento do nível de consciência, convulsões e alterações metabólicas que podem levar ao colapso cardiovascular.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito analisando os sintomas do paciente. É comum que os profissionais façam perguntas como: o que você está sentindo, há quanto tempo está notando os sintomas, como está a sua urina, houve alguma alteração de peso e quais medicamentos está ingerindo atualmente.

Depois disso, o médico deve analisar os sinais vitais do paciente, como ritmo cardíaco e pressão arterial. Além disso, exame de urina pode ser solicitado e auxiliar o profissional a entender qual é o nível de desidratação da pessoa.

Qual profissional procurar?

A maior parte dos médicos podem avaliar a desidratação do corpo de seu paciente, mas clínicos gerais, pediatras e gastroenterologistas são os principais profissionais requisitados para esses casos.

Além disso, é comum encontrar profissionais capacitados para fazer essa avaliação em qualquer pronto atendimento, para casos de urgência.

Tratamento para desidratação

O tratamento da desidratação leve pode ser feito através da ingestão de líquidos por via oral, sendo que a preferência é de que seja água ou soluções de reidratação oral. O paciente vai ser considerado devidamente hidratado quando sua urina estiver clara e abundante.

Já os casos moderados e graves devem obrigatoriamente ser avaliados em serviços de urgência. Além da reposição de fluidos, também será feita avaliação dos eletrólitos e pH do sangue, sendo que é possível que haja a necessidade de se corrigir eventuais desequilíbrios do organismo, tanto de acidez, quanto dos sais.

Tratamento caseiro

A desidratação pode ser tratada em casa em casos leves e, para isso, é necessário beber muita água. Para não sobrecarregar o corpo, o ideal é ingerir pequenas doses do líquido repetidas vezes ao longo do dia.

De meia em meia hora, ingerir quantidades como uma xícara de água pode ajudar. Além disso, bebidas isotônicas também são interessantes, assim como soro caseiro.

Tratamento médico

O tratamento escolhido por médicos vai depender do quadro e nível de desidratação de cada paciente. Em casos leves, pode ser administrado soro oral em pequenos intervalos de tempo.

Em quadros mais graves, é provável que soluções para hidratar o corpo sejam inseridos através por via venosa, o que facilita e agiliza a absorção de água e sais no organismo.

Além disso, os médicos podem incluir ao tratamento formas de manter o corpo hidratado, fazendo com o que paciente permanece em local fresco e bem arejado.

Medicamentos para desidratação

Não há medicamentos que sejam prescritos para a desidratação além de soro. Mas o que pode ser usados em alguns casos são fármacos que aliviam sintomas, tais como aqueles que ajudam o corpo a estabilizar sua temperatura.

Prognóstico

O prognóstico da maioria dos casos de desidratação leve e moderada costuma ser favorável sem sequelas ou complicações de longo prazo. Desidratações graves podem levar a comprometimento de múltiplos órgãos e necessidade de acompanhamento pelo Médico de Família ou Pediatra.

Complicações

Caso a desidratação não seja tratada, algumas complicações podem surgir. Elas vão desde lesões térmicas e exaustão até edema cerebral, que é um inchaço no cérebro. Outras complicações podem acontecer tanto como sintoma, quanto por consequência, como convulsões e desmaios.

Em casos ainda mais sérios, choque hipovolêmico, que é causado por baixo volume de sangue, pode ser um risco, além de insuficiência renal e mesmo coma ou óbito.

Como se prevenir?

A prevenção dos quadros de desidratação está diretamente ligada ao que desencadeia o problema. Por isso, o ideal é manter uma ingestão regular de líquidos – sobretudo nos dias mais quentes.

Quando percebe-se que o corpo está eliminando muita água, também é importante dobrar a ingestão, para garantir que a desidratação não ocorra. Praticantes de atividades físicas são algumas das pessoas que percebem essa necessidade e devem redobrar a atenção a reposição de líquidos perdidos através do suor e da respiração.

Já em quadros infecciosos ou de hemorragias é necessária a busca por serviço médico de urgência, já que profissionais da saúde precisarão avaliar a gravidade do caso e como aplicar a terapia de reposição de fluidos por via intravenosa, que é mais rápida de fazer efeito. São nesses momento que o soro é indispensável.

 

Fontes

Clínico geral Gentil Jorge CattaPreta, da Amparo (centro médico inteligente)