Derrame pleural (água no pulmão): causas, gravidade e como tratar

30 de agosto de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

Derrame pleural, popularmente conhecida como “água no pulmão”, é uma condição caracterizada pelo excesso de líquido nas membranas que recobrem o órgão e a caixa torácica.

Diversas doenças podem causar água na pleura e o acometimento nem sempre gera sintomas, por isso requer atenção médica para investigação de suas causas, assim como indicação do tratamento mais adequado.

O que é derrame pleural?

“É o acúmulo de líquido entre as duas faces da pleura, que é a membrana que envolve o pulmão”, explica a médica Nicolle Queiroz, clínica geral do Hospital São Camilo.

As pleuras normalmente apresentam uma pequena quantidade de líquido, responsável por facilitar a expansão do pulmão, porém o excesso dificulta a respiração e propicia problemas de saúde.

Quais são seus tipos e causas?

Diversas condições podem levar ao problema, sendo elas divididas pelo tipo de derrame pleural apresentado:

Transudato

Tipo de quadro de água na pleura caracterizado pela baixa quantidade de proteínas. Ele raramente precisa ser drenado, ao menos que envolva muito líquido. Ocorre em casos de:

  • Insuficiência cardíaca
  • Infecção pulmonar grave
  • Embolia pulmonar
  • Alteração de albumina no corpo
  • Diálise
  • Câncer

Exsudato

Exsudato é o tipo de água no pulmão caracterizado pela alta concentração de proteínas e fragmentos celulares. Pode ser necessário drená-la, dependendo do tamanho e da quantidade. Ocorre em casos de:

  • Neoplasias (quando o tumor acontece pelo crescimento do número de células)
  • Doenças infecciosas, como bactérias, fungos, vírus e tuberculose
  • Pós-cirurgia cardíaca
  • Pneumonia
  • Pancreatite
  • Transplante de fígado
  • Algumas doenças imunológicas, como artrite reumatoide e lúpus
  • Algumas medicações, como amiodarona e metotrexato
  • Trauma de tórax
  • Exposição a algum tipo de droga
  • Infarto

Sinais e sintomas

Pacientes nos estágios iniciais de água no pulmão são assintomáticos ou manifestam apenas tosse inespecífica. Todavia, quando o derrame pleural ocupa um espaço muito grande, há dificuldade de respiração. Nesse caso, os principais sintomas são:

  • Dor nas costas
  • Tosse
  • Febre
  • Falta de ar, que está proporcionalmente relacionada à quantidade de líquido

Diagnóstico

O diagnóstico é obtido principalmente pelo exame clínico junto a um raio-x simples. Também podem ser feitos exames complementares, como:

O diagnóstico do quadro pode ser obtido por um clínico geral ou pneumologista.

Água no pulmão é grave?

A gravidade do problema dependerá de seu tipo, assim como da maneira que a respiração é afetada.

Embora o derrame pleural possa ser controlado, o risco de morte está relacionado à doença de base, sendo necessário tratá-la para evitar recidivas e complicações.

Como tratar derrame pleural?

Drenagem

Os derrames pleurais – principalmente os grandes, os que estão infectados ou os inflamados – normalmente requerem drenagem, a qual pode ser feita de duas maneiras:

  • Toracocentese: uma agulha é inserida na pleura para remover o excesso de líquido e aliviar os sintomas;
  • Toracostomia: é inserido um tubo para drenagem por meio de um pequeno corte na lateral do tórax. A sonda é deixada no local por vários dias, selando as camadas pleurais.

Em caso de derrame pleural recidivo ou maligno, a drenagem pode ser associada à pleurodese química, procedimento no qual pó de talco ou outra substância química é injetada para selar as camadas pleurais e, assim, evitar novos acúmulos de fluido.

Cirurgia

Em casos graves, cirurgia pode ser necessária. Ela ocorre com o tórax aberto ou por via laparoscópica – consiste em pequenas incisões que recebem câmera e objetos – e visa a remoção de parte da pleura.

Fontes

Clínica geral Nicolle Queiroz, membro do corpo clínico do Hospital São Camilo – CRM 151348

Clínico geral Paulo Olzon, membro do corpo clínico da Unifesp – CRM 19035