Coqueluche: o que é, sintomas, tratamento, vacina e mais

03 de julho de 2019

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POR Mariana Amorim

Coqueluche é nome de uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Bordetella pertussis, que ataca o sistema respiratório e pode ser transmitida rapidamente. Trata-se de um acometimento que tem tosse seca e severa como sintoma clássico e que, em casos graves, pode levar à morte.

Segundo dados do Ministério da Saúde, na década de 1980 foram registrados mais de 40 mil casos anuais de coqueluche no Brasil. Com o avanço da medicina e das campanhas de vacinação, desde 1998 há mudança do perfil epidemiológico da doença no País, culminando, em 2017, em 1.895 casos confirmados pelo órgão de saúde.

A seguir, entenda mais sobre a doença e quais os cuidados para evitar sua proliferação, principalmente entre crianças.

O que é?

Coqueluche é uma doença infecciosa altamente transmissível que compromete o aparelho respiratório, especialmente traqueia e brônquios.

Causas

A bactéria Bordetella pertussis é responsável pela coqueluche. Sua transmissão acontece rapidamente por meio do contato indireto entre pessoas, como ao falar ou tossir.

Fatores de risco

Crianças estão em primeiro lugar no grupo de risco para adquirir a doença, pois na infância o sistema imunológico ainda está em formação e, portanto, é mais suscetível a micro-organismos. Outro ponto de atenção é que escolas e creches favorecem a transmissão acelerada.

Cerca de 60% dos casos de coqueluche acontecem em menores de um ano de idade. Deste número, 87% são bebês com menos de seis meses, conforme informações do Ministério da Saúde.

Sinais e sintomas

É comum que a coqueluche seja sentida de maneira mais atenuada por adolescentes e adultos, que têm a imunidade mais desenvolvida do que crianças.

Os principais sinais começam a aparecer em 5 a 10 dias após o contágio, embora o período possa aumentar para até 42 dias.

O desenvolvimento acontece em três níveis, sendo o primeiro, o catarral, o mais propenso à transmissão.

Fase catarral

Trata-se do estágio mais leve da coqueluche, pois os sintomas são parecidos com o de um resfriado, como coriza, tosse seca, febre baixa e mal-estar no corpo.

Nessa fase, o risco de contágio é muito maior e sua detecção mais difícil, pois os sinais podem passar despercebidos.

Bebês com menos de seis meses podem apresentar complicações e inclusive morrerem até mesmo na fase inicial.

Fase paroxística

É a fase intermediária da doença. Apresenta sintomas mais severos, como tosse seca que pode causar exaustão respiratória e vômitos.

Fase de convalescença

A tosse comum volta a aparecer e pode persistir por semanas, até que os sintomas regridam até desaparecerem por completo.

Diagnóstico

O diagnóstico é obtido por meio de exame clínico, mas o médico deve pedir testes como hemograma e raio-x de tórax para entender com mais exatidão o estágio da doença.

Qual profissional procurar

Há dois especialistas que devem ser procurados em caso de suspeita de coqueluche: o pneumologista, que trata doenças do trato respiratório, e o pediatra, médico especializado no atendimento de bebês, crianças e adolescentes.

Tem cura?

Ilustração do vírus da coqueluche no pulmão.
Kateryna Kon/Shutterstock

A coqueluche tem cura e, em muitos casos, pode até mesmo ter remissão espontânea.

Tratamento

Antibióticos

O tratamento medicamentoso com antibiótico é recomendado para a cura da coqueluche. Ele deve ser prescrito por pediatra ou pneumologista.

Remédios para tosse

Em alguns casos também podem ser indicados remédios para aliviar a tosse, como tratamento casado com o antibiótico, mas nunca de forma isolada.

Internação

Como a doença pode ser muito mais perigosa para crianças, não são raros os casos em que a internação é necessária para acompanhamento do caso.

Hábitos

Durante o tratamento da coqueluche é imprescindível que o doente fique em repouso.

Alimentação equilibrada ajuda o organismo no combate à doença. Por isso, é indicado beber muito líquido e fazer refeições equilibradas.

O uso de umidificador de ar no ambiente pode ajudar a diluir as secreções pulmonares. No mais, evitar cigarros e lareiras é recomendado.

Prognóstico

Com o uso dos antibióticos, o prognóstico é relativamente bom, pois crianças portadoras de coqueluche geralmente evoluem bem. Eventualmente podem haver quadros graves em que a terapia intensiva, UTI, se faz necessária por falta de oxigenação do sangue.

Complicações

A maioria das pessoas se recupera bem da coqueluche. Porém, em menores de seis meses, o quadro pode evoluir para infecções no ouvido, pneumonia, convulsões e até mesmo a morte.

Prevenção: vacina contra coqueluche

A única e mais segura forma de prevenir a coqueluche é imunizando o bebê com a vacina tríplice clássica (DPT), que evita difteria, coqueluche (pertussis) e tétano. Trata-se de uma vacina que faz parte do Calendário Oficial de Vacinação do Ministério da Saúde e é oferecida de graça em todo Brasil.

A indicação do órgão é que ela seja ministrada aos dois, quatro e seis meses de idade, com doses de reforço aos 15 meses e aos 5 anos. Embora a imunização tenha validade de aproximadamente dez anos, não deve ser aplicada depois dos seis anos de idade.

Adultos e crianças já vacinados dificilmente voltam a contrair a doença. No entanto, gestantes devem se vacinar para diminuir o risco de transmissão da coqueluche da mãe para o bebê após o parto. Nesses casos, a dose deve ser aplicada entre 27 e 36 semanas.

Fontes

Paulo Olzon, médico clínico e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – CRM 19035/SP

Ministério da Saúde. Coqueluche. Disponível em: www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coqueluche