Cirurgia bariátrica para diabetes agora é realidade no Brasil

Atualizado em 30 de julho de 2019

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu a indicação de cirurgia bariátrica para o controle da diabetes tipo 2 — a forma mais comum da doença e que atinge 13 milhões de brasileiros.

Até hoje, a cirurgia só estava disponível para pacientes com obesidade severa ou mórbida — com Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 35 kg/m². Com a decisão do CFM, agora a cirurgia bariátrica também estará disponível para tratamento de pessoas com diabetes tipo 2, ou IMC entre 30 e 34,9 kg/m², quando o uso de medicamentos já não está mais surtindo efeito.

Cirurgia bariátrica para diabetes

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a redução do estômago comprovadamente estimula a produção de insulina pelo pâncreas, provocando alterações hormonais que ajudam a melhorar o quadro do segundo tipo de diabetes — além da perda de peso, que é característica de quem faz a cirurgia.

Sem o tratamento adequado, a diabetes tipo 2 pode levar a uma série de complicações de saúde, que incluem cegueira, infarto, AVC, impotência sexual e até à amputação de membros inferiores.

Ainda segundo a entidade, a cirurgia bariátrica para diabetes tem efeito imediato, de modo que o paciente já apresentará melhoras antes mesmo de emagrecer. Em todo o caso, para poder fazer a cirurgia, permanece a necessidade de indicação de um endocrinologista.

O procedimento já estava liberado para pessoas diabetes e obesidade leve nos Estados Unidos, Inglaterra, Argentina e em alguns países da Ásia, e para que esteja, enfim, disponível à população no Brasil, resta a publicação no Diário Oficial da União.

Sobre a diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 é a forma mais comum de diabetes, e é caracterizada ou pela resistência do corpo aos efeitos da insulina — o hormônio que controla os níveis de glicose no sangue –, ou pela produção insuficiente da substância, o que provoca uma concentração de açúcar acima do normal nas corrente sanguínea.

Esta, inclusive, é a principal diferença da diabetes tipo 2 da diabetes tipo 1, em que a pessoa não produz insulina.

Entre os principais fatores de risco para o segundo tipo da doença, estão:

  • Idade acima dos 45 anos;
  • Obesidade ou sobrepeso;
  • Hipertensão;
  • Consumo elevado de bebidas alcoólicas;
  • Diabetes gestacional anterior, no caso de mulheres;
  • Histórico familiar;
  • Pré-diabetes;
  • Baixos níveis do colesterol HDL (o colesterol baixo);
  • Nível elevado de triglicerídeos no sangue;

O diagnóstico para diabetes tipo 2 é feito normalmente por meio de três exames: glicemia de jejum, que mede os níveis de açúcar no sangue quando a pessoa está há algumas horas sem se alimentar; hemoglobina glicada, que mostra uma média das taxas de hemoglobina no sangue nos últimos meses; e curva glicêmica, que mede a velocidade com que o corpo absorve a glicose após a ingestão de alimentos.

Já o tratamento é feito para baixar os níveis de glicose no sangue e evitar possíveis complicações decorrentes da doença. O endocrinologista, que faz o acompanhamento de pacientes com diabetes, também indica a prática regular de exercícios físicos e o controle do açúcar na dieta. Também pode ser recomendado o uso de medicamentos específicos, que depende da prescrição médica.