Candidíase: o que é, sintomas, remédios, prevenção e mais

03 de julho de 2019

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POR Mariana Amorim

É muito provável que em alguma fase da vida a maioria das mulheres tenha a famosa candidíase, condição que acontece quando há a proliferação do fungo Candida albicans na região da vulva e da vagina. Apesar de sua manifestação ser mais comum ser nos genitais, a doença também pode afetar outras regiões do corpo.

O sintoma mais famoso é a coceira insistente, que causa incômodo, ardência para urinar e até mesmo dor durante o sexo.

Os fatores que desencadeiam a condição são diversos, desde excesso de umidade até queda de imunidade, alimentação desequilibrada e consumo exagerado de açúcar.

Entenda, a seguir, mais detalhes sobre essa doença.

O que é?

Candidíase é uma doença causada pelo fungo Candida albicans, que habita naturalmente e de maneira inofensiva a pele, a boca e a flora vaginal, mas causa a infecção quando se reproduz em excesso.

Tipos

Candidíase vaginal

É a forma mais comum da doença. Ocorre principalmente em mulheres com a imunidade enfraquecida.

Candidíase peniana

Embora não seja tão frequente como a feminina, a versão masculina da doença também precisa de atenção. É desencadeada por enfraquecimento imunológico.

Candidíase oral

Chamada popularmente de sapinho, é mais comum em bebês, crianças, idosos e pessoas com doenças sistêmicas.

Candidíase no esôfago

Também chamada de esofagite pelo fungo Candida albicans, tem aparecimento raro e praticamente limitados a pessoas imunodeprimidas.

Candidíase na pele

Doença que recebe o nome de intertrigo, surge em dobras e locais da pele que entram em constante atrito, como axilas, virilha e barriga.

Candidíase mamária

A candidíase mamária ocorre principalmente em mulheres que amamentam bebês que têm a versão oral da condição.

Causas

Quem causa candidíase é o fungo Candida albicans, que vive naturalmente no organismo, mas causa a doença quando se propaga de maneira desequilibrada.

É contagiosa?

A candidíase não é uma doença sexualmente transmissível (DST), mas pode ser passada pelas relações sexuais por meio do contato de mucosas, como boca e genitais, com secreções infectadas.

A transmissão também pode acontecer da mãe para o bebê durante o parto.

Fatores de risco

Por ser um fungo que normalmente habita o organismo, os fatores de risco para o desencadeamento são variados.

No caso das mulheres, há aumento significativo do acometimento no verão, pois é quando a elevação da temperatura promove maior umidade na região íntima.

Roupas inadequadas também podem desencadear casos de candidíase de repetição. Inclusive, mulheres que usam demasiadamente vestes muito justas e que não favorecem a ventilação, como calcinhas apertadas e até mesmo calças jeans, correm mais risco de desenvolvê-la.

A relação sexual sem camisinha também é um fator de risco para a doença, além de gravidez e condições como diabetes, obesidade, deficiência imunológica causada por doenças como AIDS e câncer e até mesmo tratamentos recorrentes com antibióticos.

Sintomas de candidíase

A coceira é o sintoma clássico da candidíase, e o responsável por levar pacientes aos consultórios médicos.

Genital

No caso da manifestação vaginal, ainda pode haver secreção, vermelhidão, inflamação, corrimento esbranquiçado, ardência durante a urina e dor durante as relações sexuais.

No homem, é muito comum aparecer vermelhidão e coceira no pênis.

Na pele

Surge vermelhidão e escurecimento de dobras, coceira e descamação.

No esôfago

No sistema digestivo, há dor ao engolir, dor no peito, enjoo, vômito e perda do apetite.

Oral

Na boca, se manifesta por vermelhidão, aftas, manchas brancas e ardência na mucosa da boca, além de rachaduras no canto dos lábios.

Mamária

Esbranquiçamento, dor, coceira e vermelhidão nas mamas.

Candidíase de repetição

A candidíase vaginal é considerada “de repetição” quando acontece pelo menos três vezes ao ano. Geralmente, é fruto de alteração contínua da flora e do PH genital. Como causa grande estresse para quem a tem e, deve ser investigada atenção.

Diagnóstico

Na maior parte das vezes, coceira é o motivo pelo qual pacientes vão aos consultórios médicos.

O exame clínico muitas vezes basta para o diagnóstico, porém também pode ser realizado exame microscópico para análise do corrimento e teste de cultura de escarro.

Qual profissional procurar?

Para versão genital, ginecologista, no caso das mulheres, ou urologista, no caso dos homens, deve ser procurado após o aparecimento dos sintomas.

Para oral ou esofágica, deve ser procurado um gastroenterologista.

Tem cura?

Quando bem tratada a candidíase tem cura.

Tratamentos

Independente da localização, o tratamento envolve:

Pomada pra candidíase

Na maioria dos casos, o médico prescreve cremes antifúngicos para serem usados no local da infecção, como Ginna e Canditrat.

Remédios para candidíase

Comprimidos com ação antifúngica também podem ser usados no tratamento, como o fluconazol e cetoconoazol.

Corticoide

Devido à ação anti-inflamatória, corticoides orais podem ser usados para tratar casos em que a irritação da candidíase estiver muito acentuada.

Tratamento caseiro para candidíase

Existem algumas práticas caseiras para aliviar os sintomas. Vale lembrar que são métodos paliativos, apenas para o alívio imediato de alguns sintomas. Converse com o seu médico antes de qualquer decisão.

Banho de assento

O banho de assento é um tratamento caseiro conhecido e usado provavelmente por sua mãe ou avó para tratar a candidíase vaginal. A ideia é fazê-lo com o auxílio do bicarbonato de sódio ou flogorosa para melhorar a coceira da área afetada e o pH da vagina, aliviando assim os incômodos da infecção.

Prognóstico

Fungo candida em um recipiente para análise laboratorial.
Zaharia Bogdan Rares/Shutterstock

Durante o tratamento, o paciente deve focar suas energias em estabelecer bons hábitos para que seu sistema imunológico se fortaleça. Por isso, é interessante manter uma alimentação rica em nutrientes, fazer uma ingestão adequada de água, descansar e evitar estresse.

A candidíase é uma condição que tem cura rápida, na maioria das vezes. No entanto, quando o caso for de repetição, mudanças na alimentação e no estilo de vida precisam ser adotadas, pois a condição pode ser desencadeada por hábitos inadequados.

Complicações

Embora não sejam comuns, as complicações envolvem doença pélvica passível de intervenção cirúrgica. Quando crônica, pode levar à inflamação vaginal e do colo do útero, bem como alterações em órgãos vitais, como rins e pulmões.

Prevenção

Para prevenir a candidíase é necessário uma série de hábitos saudáveis que permeiam comportamentos de higiene e alimentação.

Hábitos

  • Cuidar da higiene íntima
  • Evitar calcinhas de lycra e preferir as de algodão
  • Não deixar maiô ou biquíni secando no corpo
  • Dispensar calças apertadas, principalmente nos dias de calor
  • Não usar roupas de material sintético
  • Trocar o absorvente interno com frequência
  • Dormir sem calcinha, para evitar umidade na vulva
  • Evitar o uso de sabonete íntimo todos os dias, mas restringi-lo a casos esporádicos, como após o sexo.

Alimentação

Os hábitos à mesa têm um peso enorme no aparecimento da doença, já que carboidrato simples favorecem o crescimento de fungos no organismo. Por isso, vale escolher alimentos em suas versões integrais. Em grande quantidade, até mesmo a frutose, açúcar natural das frutas, pode favorecer o supercrescimento dos fungos.

Produtos industrializados e bebidas alcoólicas também podem colocar o organismo em estado de alerta e agravar a candidíase.

Fontes

Ginecologista e obstetra Domingos Mantelli – CRM 107997/SP

Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Sobre o diagnóstico da candidíase vaginal. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032005000500001

Ministério da Saúde. Candidíase. Disponível em: www.blog.saude.gov.br/index.php/51617-candidiase-vaginal-cuidados-diarios-podem-evitar-evolucao-da-doenca