Câncer de pulmão: sintomas, diagnóstico e causas além do cigarro

23 de julho de 2018

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POR Vinícius De Vita

O câncer de pulmão é o tipo de tumor maligno mais comum e também um dos que mais matam. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 25 mil brasileiros morreram em decorrência da doença somente no ano de 2013. No mundo, estima-se que a incidência esteja aumentando a uma taxa de 2% ao ano.

Embora seu aparecimento geralmente seja associado ao tabagismo, hereditariedade, inalação de químicos e alimentação inadequada também podem representar importantes fatores de risco.

A seguir, saiba tudo sobre este tipo de câncer:

Causas

Segundo o INCA, nove em cada dez casos de câncer de pulmão estão relacionados ao consumo de derivados de tabaco, sendo o cigarro o principal deles. Quanto mais tempo uma pessoa fumar, mais chances há de desenvolver a doença.

Há, ainda, outras possíveis causas deste tipo de câncer:

  • Inalação de agentes químicos específicos;
  • Inalação de poeira e poluição do ar por longos períodos;
  • Fumo passivo.

Outros fatores também podem levar ao surgimento de células malignas no pulmão, como:

  • Tuberculose;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • Alimentação pobre em frutas e verduras;
  • Histórico familiar da doença.

Sinais e sintomas de câncer de pulmão

 

Mulher tossindo com a mão na boca;

Orawan Pattarawimonchai/Shutterstock

Os sintomas do câncer de pulmão são comuns a diversos outros problemas de saúde associados a este órgão, por isso é difícil elencar sinais exclusivos da doença – principalmente durante os estágios iniciais. Ainda assim, as manifestações mais comuns incluem:

  • Tosse frequente
  • Falta de ar
  • Chiado no pulmão
  • Dificuldade em respirar
  • Tosse/catarro com sangue
  • Dor no peito
  • Dor nas costas
  • Rouquidão
  • Cansaço extremo
  • Falta de apetite
  • Perda de peso sem causa aparente

Os sintomas, porém, geralmente aparecem quando o câncer já está em estágio avançado, ou seja, quando há comprometimento das funções pulmonares.

Como é mais difícil aparecer sinais do câncer de pulmão em fases iniciais, há elevado número de  casos de diagnósticos tardios.

Diagnóstico

Justamente por causa da falta de sintomas em estágios iniciais, o câncer de pulmão muitas vezes é diagnosticado já em fase avançada. Como ocorre com outros tipos de tumor, começar o tratamento tardiamente diminui consideravelmente as chances de cura. Da mesma forma, quanto antes ele iniciar, melhor é o prognóstico.

A boa notícia é que ter um diagnóstico precoce é mais fácil do que parece: basta se submeter a exames de imagem periodicamente. Uma simples radiografia do tórax já é capaz de manchas no pulmão que indicam presença do tumor.

No entanto, há outros exames que podem ser feitos para ajudar no diagnóstico. Eles são:

  • Tomografia computadorizada;
  • Cintilografia óssea;
  • Broncoscopia;
  • Biópsia pulmonar.

Complicações do câncer de pulmão

 

Raio x de câncer de pulmão.

create jobs 51/Shutterstock

As complicações decorrentes do tumor que acomete o pulmão variam de acordo com o tamanho da lesão, de onde está localizada (se em apenas um local do órgão ou em várias partes do corpo) e até mesmo das substâncias produzidas e carregadas pela corrente sanguínea.

As principais complicações, porém, são insuficiência respiratória e até mesmo hemorragia pulmonar.

Tratamentos

O tratamento para câncer de pulmão depende muito do estágio da doença e pode incluir as três abordagens a seguir:

Cirurgia

É o tratamento que permite os melhores resultados, mas em cerca de 90% dos casos não é possível (seja pelo diagnóstico ou fase avançada da doença).

Para as pessoas que não tiveram ressecção total, ainda é necessário acompanhar ou fazer outros tipos de tratamento para evitar recidivas.

Os tipos de cirurgias podem ser:

Segmentectomia: quando se retira uma parte pequena do pulmão;
Lobectomia: é a mais comum e retira um lobo (porção) do pulmão;
Pneumectomia: é retirado um pulmão inteiro. Para a maioria das pessoas não é possível, já que afetaria a qualidade de vida.

Quimioterapia

A quimioterapia é feita com medicamentos que visam a destruição das células cancerígenas (afetam a capacidade de crescimento e proliferação), tanto para diminuir o tumor quanto para amenizar os sintomas.

Contudo, não é apenas o tumor que é atacado, já que as as células sadias do corpo também sofrem com o procedimento, o que resulta em efeitos colaterais intensos.

Radioterapia

Utiliza a radiação para destruir células cancerígenas ou impedir seu crescimento. Pode ser adotada antes ou após cirurgia e o tratamento também pode gerar efeitos colaterais.

Existem vários tipos de radioterapia. Os mais utilizados são:

  • Eletromagnéticas (raios X ou raios gama)
  • Terapia com feixes externos, que são elétrons (disponíveis em aceleradores lineares de alta energia)

Chances de cura

O câncer de pulmão tem cura, mas tudo depende das características que a doença impôs ao longo de seu desenvolvimento no organismo – bem como a fase em que foi diagnosticada

Geralmente, quando o tumor não está em metástase (presença das células malignas além de seu local de origem), as chances de curá-lo chegam a 55%. Quando há metástase, porém, a possibilidade de cura diminui para apenas 4%.

Como prevenir?

Como 90% dos casos de câncer de pulmão estão associados ao tabagismo, a primeira e principal forma de prevenir a doença é parando de fumar. O tempo de vício e o número de cigarros por dia também são fatores que influenciam diretamente na ocorrência do câncer no pulmão.

Da mesma forma, evitar o fumo passivo também é importante. Claro que às vezes é inevitável, mas é recomendável não ter contato frequente com a fumaça do cigarro – mesmo que você não fume ou nunca tenha fumado.