Câncer de estômago: sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos

25 de abril de 2018

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POR Bruno Botelho dos Santos

O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, é o tipo mais comum entre pessoas acima dos 50 anos. Mais comum em homens, o número de novos casos deste tipo de tumor tem crescido no Brasil nos últimos anos.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2016, cerca de 20.520 novos casos foram registrados no Brasil, sendo a maioria em homens. Para este ano, a estimativa é maior: são esperados mais de 21 mil novos diagnósticos.

Segundo o órgão, a América Latina é campeã mundial de mortalidade por câncer de estômago, com destaque especial para Costa Rica, Chile e Colômbia. Quando diagnosticado precocemente, porém, as chances de cura chegam a 90%.

O que é o câncer de estômago?

O câncer de estômago é um tumor maligno que pode afetar qualquer parte do órgão. Geralmente, ele se inicia com uma úlcera, que provoca sintomas como azia, falta de apetite e dores no estômago, entre outros.

No entanto, especialistas afirmam que a infecção pela bactéria H. Pylori, fumar cigarros, consumir alimentos em conserva e até mesmo a má conservação de comidas podem ser fatores de risco para o tumor.

Tipos de câncer de estômago

Existem pelo menos três tipos principais de câncer de estômago:

  • Adenocarcinoma: é o tipo mais comum (corresponde de 90 a 95% de todos os tumores que afetam o órgão);
  • Linfoma: ocorre em cerca de 3% dos casos, costuma ser diagnosticado primeiramente na parede do órgão;
  • Leiomiossarcoma: corresponde a aproximadamente 2% dos casos de câncer de estômago.

Outros tipos mais raros da doença são:

  • Tumor estromal gastrointestinal (GIST, sigla em inglês): ocorre em cerca de 1% dos casos;
  • Tumor neuroendócrino: quando as células neuroendócrinas acabam se tornando um tumor no estômago, ocorre em menos de 1% dos casos.

Sintomas do câncer de estômago

Não existem sintomas específicos de câncer de estômago, mas isso não significa que ele não dê sinais. O que ocorre é que a maioria dos sintomas podem ser confundidas com doenças gástricas comuns, como azia, gastrite, úlceras e refluxo gastroesofágico.

Inclusive, os sinais podem nem mesmo se manifestar no início da doença. É comum que eles apareçam aos poucos e piorem progressivamente, conforme o desenvolvimento do câncer.

Só que o problema está justamente aí: para ter mais chances de cura, é fundamental que o tumor seja diagnosticado logo no início. Sem sintomas aparentes, no entanto, é difícil procurar ajuda médica para saber o que se passa e, consequentemente, diagnosticar o câncer de estômago.

Por isso, listamos abaixo alguns sinais que podem aparecer e que, se forem muito intensos ou intermitentes (não passarem naturalmente ou com ajuda de remédios após algum tempo), é bom serem checados diretamente por um especialista:

  • Fadiga e fraqueza muscular;
  • Perda de apetite;
  • Sensação de inchaço após comer e de saciedade, mesmo comendo uma pequena quantidade de alimento;
  • Dor no estômago e mal-estar;
  • Azia e indigestão intensas e intermitentes;
  • Náuseas constantes;
  • Vômitos frequentes. Em cerca de 10 a 15% dos casos acontece com sangue, que pode aparecer nas fezes, inclusive;
  • Perda de peso não intencional;
  • Diarreia e/ou constipação (prisão de ventre).

 

Câncer de estômago é o mais comum entre pessoas acima dos 50 anos

Possíveis causas

As principais causas do câncer de estômago estão relacionadas com:

  • Infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que infecta a mucosa do estômago;
  • Fatores genéticos;
  • Úlcera mal tratada;
  • Gastrite crônica;
  • Consumo excessivo de alimentos em conserva, ricos em sal e defumados;
  • Cirurgias, como redução de estômago (bariátrica);
  • Histórico de anemia perniciosa, acloridria ou atrofia gástrica.

Como é o diagnóstico?

Dois exames são os mais utilizados para diagnosticar câncer de estômago:

  • Endoscopia digestiva: por meio dele pode-se ter uma avaliação visual da lesão, fazer biópsias e uma avaliação citológica (estudar a estrutura, composição e fisiologia das células). Ela é realizada com um tubo fino e flexível, que contém uma pequena câmera na ponta. O tubo entra pela boca e vai até o estômago, onde o médico fará a análise;
  • Exame radiológico: na radiografia, os raios-x traçam todo o interior do esôfago e do estômago. Assim, o especialista consegue procurar por qualquer anormalidade ou tumores presentes na região.

Podem ser solicitados exames de sangue, tomografia computadorizada e, por fim, uma biópsia para auxiliar no diagnóstico. Alguns exames físicos também podem entrar na lista, além de um questionário sobre o histórico familiar do paciente.

Tratamento para câncer de estômago

O tratamento costuma depender do estágio em que a doença está, mas os principais tipos são a cirurgia (gastrectomia), quimioterapia, medicamentos, radioterapia e terapia-alvo. Dependendo do caso, uma combinação de todas essas abordagens também pode ser utilizada.

Gastrectomia: a cirurgia de remoção do estômago

É o principal procedimento cirúrgico para tratar câncer de estômago. A gastrectomia consiste na remoção total ou parcial do estômago do paciente.

Ele deve ser retirado totalmente quando o câncer já atingiu todo o órgão ou quando se localiza na parte superior. Mas a remoção pode ser apenas parcial se ele estiver localizado na região inferior do estômago.

Quimioterapia

Tratamento muito comum para diversos tipos de câncer, a quimioterapia mata as células cancerígenas que estão crescendo ou se multiplicando rapidamente. É um tratamento muito forte, que geralmente provoca alguns efeitos colaterais bastante característicos, como enjoos, perda de apetite, queda de cabelo, inflamações na boca, anemia e diarreia.

Geralmente, quando a quimioterapia é indicada para o paciente, recomenda-se o uso de uma droga quimioprotetora, que reduz os efeitos adversos típicos do tratamento.

Radioterapia

Outra abordem terapêutica recorrente entre pacientes com câncer, a radioterapia utiliza raios-X e outros raios de alta energia para matar, reduzir ou controlar as células anormais que estão causando e desenvolvendo o tumor.

Alguns efeitos colaterais podem surgir, como queimaduras na pele (especialmente na região afetada pelo tratamento), náuseas e vômitos, anemia e diarreia, além de dores no corpo.