Câncer de esôfago: excesso de peso e álcool favorecem o problema

Atualizado em 15 de junho de 2020

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POR Bruno Botelho dos Santos

O câncer de esôfago é um tipo de doença que acontece quando as células cancerígenas se desenvolvem no esôfago, uma estrutura semelhante a um tubo que vai da garganta ao estômago.

Os cânceres que começam no esôfago são muito mais comuns nos homens do que nas mulheres. Muitos desses cânceres estão ligados ao uso de tabaco ou álcool ou ao excesso de peso corporal. Saiba mais.

O que é câncer de esôfago?

É um câncer que começa nas células que formam todo o canal do esôfago (desde a baca e garganta até o estômago), a função dele é carregar a comida (não processa) por seu canal musculoso até o estômago.

Na transição do esôfago para o estomago existe uma válvula de separação (esfincter), para que a comida não volte do estômago. E com o câncer na região, afeta a válvula e permite o refluxo retrógrado da comida.

Com o aumentar do refluxo, o esôfago começa a receber conteúdo de natureza diferente da que está acostumado (está adaptado para levar comida apenas com o processamento da saliva) e isso causa queimação, em longo prazo pode causar o câncer.

Fatores de risco

A obesidade é um dos principais fatores que causam câncer de esôfago, já que provoca refluxo. Essa mudança da dinâmica usual do esôfago, pode provocar pressão grande e violenta na válvula que controla o conteúdo gástrico do esôfago para o estômago.

Além disso, o uso excessivo de bebidas alcoólicas e tabaco, são fatores importantes que podem causar o câncer, além da Doença de refluxo gastroesofágico, que está frequentemente associada a obesidade.

Quais são os sintomas?

Quando o câncer de esôfago está em estágio inicial, não apresenta sinais. Com sua progressão, os principais sintomas são:

  • Refluxo gastroesofágico
  • Queimação e azia
  • Dificuldade e dor para engolir, conforme cresce o câncer e obstrui a passagem do alimento
  • Náuseas e vômitos
  • Perda de apetite

Detecção precoce ajuda como?

Detecção precoce aumenta probabilidade de cura para a doença. Quando o problema está só no esofago, a chance de cura é bem maior que quando espalha para os gânglios e outros órgãos.

Segundo Artur Malzyner, quando está só no esôfago, a chance de cura é de 50%, ao passar para outros órgãos, ela fica praticamente zero, podendo ser mortal, já que o tratamento não pode sustentar a doença em longo prazo.

Para diagnosticar, é realizada uma endoscopia digestiva (esofagoscopia), nela é possível observar a presença câncer ou áreas de irritação. Com a biópsia, é confirmado se há ou não câncer, já que é analisada a amostra de tecido do esôfago para perceber se têm células cancerígenas.

é comum descobrir o câncer de esôfago durante o exame de endoscopia, sem que haja a suspeita de câncer (como no caso de Mamma Bruschetta).

Isso acontece porque é uma doença associada a obesidade, refluxo e outros problemas que demandam o exame endoscópico.

Tratamento para câncer de esôfago

O câncer de esôfago é grave e se espalha rapidamente por outros órgãos (metástase). Então, quanto mais tempo se leva para detectá-lo, menor é a sua curabilidade.

Quando o câncer está só na mucosa, sem invadir as camadas mais profundas do esôfago, pode ser feita a mucosectomia endoscópica e, com a raspagem da mucosa, a pessoa pode ficar livre do câncer.

Em tumor descoberto muito precocemente, que o paciente apresenta câncer apenas na mucosa, é possível a remissão da doença com apenas com mucosectomia endoscópica, em que é feita uma raspagem da mucosa.

Assim a pessoa fica livre do câncer. Porém esses são casos raros, a maioria deles são mais agressivos e isso não é possível, sendo necessário o tratamento intervencionista, que é a cirurgia.

Cirurgia para câncer de esôfago

Ela funciona com a retirada do segmento doente e aproximação daquilo que sobrou do esôfago para baixo, unindo com o estômago ou puxando o estômago para cima, mantendo a conexão do tubo digestivo.

O tumor mais próximo do estômago permite maior aproximação. Então, se resseca o segmento do tumor no esôfago envolvido pelo câncer e aproxima as partes para manter a integridade do tubo digestivo sem alterar a fisiologia da pessoa.

Quando o tumor é mais para cima, o tratamento mais frequente é a radioterapia, que tem chance menor de cura, mas serve para não ser preciso uma cirurgia muito radical e invasiva.

Além disso, deve-se fazer tomografia e ressonância magnética para saber se os gânglios regionais estão afetados.

Se eles não estão doentes (sem metástase), o tratamento é retirar a parte do esôfago doente e retirar os gânglios em volta do tumor. Usa-se em geral a quimioterapia pós-operatória para reduzir a possibilidade de recaída.

 

Fontes

Oncologista Artur Malzyner, consultor científico da CLINONCO (Clínica de Oncologia Médica) e médico oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein – CRM 20456