Caderneta de vacinação: confira quais vacinas devemos tomar

30 de abril de 2018 ● POR Lucas Coelho

Para ajudar a população a organizar sua própria vacinação, são fornecidas em qualquer posto de saúde do SUS as chamadas cadernetas de vacinação.

Esse documento é fundamental para o controle e atualização das doses, e precisa ser apresentado junto da identidade antes da vacina ser aplicada – no caso de perda, é possível recuperar essas informações no seu posto de saúde de costume.

As vacinas do governo seguem critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e funcionam por meio da aplicação de moléculas mortas ou atenuadas de determinada doença ou agente infeccioso. Isso provoca uma reação do sistema imunológico e garante uma espécie de aprendizado do organismo, que se torna imune à presença futura destes agentes.

Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunização (PNI) tem sido extremamente importante para a saúde preventiva brasileira. Por meio do SUS, as pessoas podem ter acesso gratuito a diversas vacinas fundamentais para crianças, adultos, idosos e indivíduos com condições clínicas específicas, como gestantes e portadores do vírus HIV

O Ativo Saúde conversou com Paulo Furtado, infectologista do Complexo Hospitalar de Niterói, sobre a importância das vacinas que estão disponíveis gratuitamente no SUS. Segundo ele, todas as vacinas presentes na caderneta de vacinação são de igual importância, e é preciso entender que elas variam bastante dependendo da faixa etária do indivíduo.

Por dentro da caderneta de vacinação

Vacinas para crianças

É fundamental começar o processo de vacinação desde o nascimento. “Isso faz com que o organismo produza anticorpos contra determinadas doenças, pois, do nascimento aos 18 meses de idade, o bebê está imunizado somente com anticorpos maternos adquiridos de forma passiva por meio do cordão umbilical”, explica o infectologista.

Portanto, o complemento vacinal é muito importante para evitar diversos problemas. As vacinas para crianças são:

  • BCG: é aplicada logo após o nascimento, em dose única, e ajuda na prevenção de formas graves da tuberculose. Assim, ela evita também a meningite decorrente da infecção tuberculosa e a tuberculose miliar, ou disseminada, que acontece quando a bactéria se espalha para outros órgãos;
  • Hepatite B: dividida em três doses ao longo dos primeiros seis meses devida, com a primeira dose sendo aplicada logo após o nascimento;
  • Vacina Pentavalente/DTP: aplicada em três doses, sendo a primeira aos 2 meses de idade. Tem esse nome porque protege basicamente contra cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite e infecções causadas pelo Haemophilus B, como a meningite;
  • VIP (Vacina Inativa da Poliomielite): também conhecida como a vacina contra a paralisia infantil, ela é aplicada em três doses, sendo a primeira aos 2 meses de idade. Há até pouco tempo, era recomendada a vacina oral contra a Poliomielite (VOP). “Devido ao desaparecimento dos casos de Poliomielite, especialmente por conta da ótima cobertura vacinal, começou-se a observar apenas os desejos indesejáveis e efeitos colaterais mais evidentes da vacina com vírus vivo atenuado. Então, decidiu-se pela troca para a vacina com vírus inativado, a chamada VIP”, explica Furtado;
  • VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano): também aplicada primeiramente no segundo mês de vida, ela consiste em duas doses que previnem gastroenterites, ou diarreias, causadas por este vírus;
  • Vacina Pneumocócica 10-valente: são duas doses e um reforço no primeiro ano de vida, sendo que a primeira dose é com dois meses de idade. Previne doenças graves causadas pelas bactérias da espécie penumococos, como pneumonia, meningite e otites.
  • Meningocócica C: dividida em duas doses, é aplicada pela primeira vez aos 3 meses. Ela previne contra a bactéria Neisseria meningitidis do sorogrupo C, capaz causar infecções graves;
  • Febre Amarela: antes indicada apenas para crianças que residiam em áreas onde a doença era considerada endêmica, agora ela passou a fazer parte do calendário básico de vacinação dos estados do sul e sudeste brasileiro. É aplicada em dose única, aos nove meses de idade;
  • Tríplice Viral: é produzida a partir do vírus vivo atenuado de sarampo, caxumba e Rubéola. Idealmente, deve ser dada aos 12 meses, com reforços entre um e três anos de idade;
  • Hepatite A: aplicada em dose única aos 15 meses;
  • Tetra viral: também dada aos 15 meses em dose única, previne os mesmos agentes da Tríplice Viral, adicionando a proteção à varicela. Depois, um reforço da varicela é aplicado aos quatro anos de idade;
  • HPV: são apenas duas doses. Protege contra os tipos de HPV que podem causar câncer cervical (de colo de útero), vaginal, vulvar, anal e de formação de verrugas. Indicada a partir dos nove anos de idade em meninas e a partir dos 11 em meninos, ou do início da vida sexual ativa;
  • Vacina da gripe (influenza): ela previne contra as formas mais graves da gripe e deve ser dada anualmente em qualquer pessoa a partir dos seis meses de vida, principalmente nos grupos de maior risco elencados pelo Ministério da Saúde.

Vacinas para adultos

Dependendo da situação vacinal da pessoa, é possível recuperar o tempo perdido a garantir a proteção contra doenças que seriam enquadradas na vacinação infantil. Para isso, pode-se tomar a dupla adulto, que evita difteria e o tétano, e a Tríplice Viral – em duas doses para quem tem até 30 anos, ou dose única acima dos 30.

Há, porém, casos específicos para os quais precisamos ficar em alerta:

  • Hepatite B: conforme afirma o Dr. Paulo, essa vacina é indicada como forma de prevenir a infecção por meio de material biológico (sangue). “Assim, é recomendada especialmente para profissionais da área de saúde e para algumas populações em que a infecção da doença possa ocorrer por meio de relações sexuais desprotegidas”.
  • Febre Amarela: outrora administrada a cada 10 anos, passou a ser mundialmente considerada segura e de proteção permanente após uma única dose em 2016. Com a doença se tornando mais comum em quase todo o território brasileiro, muitos adultos devem buscar a vacinação. No entanto, existem algumas contraindicações para gestantes, idosos e principalmente imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado).

Vacinas para idosos

  • Gripe: por ser o grupo de maior risco em relação às formas graves da doença, os idosos precisam tomar essa vacina anualmente;
  • Pneumocócica: importante para a prevenção de infecções respiratórias causadas pelo Pneumococo, agente causador mais comum da pneumonia. “É uma indicação especial para cardiopatas, pneumopatas e nefropatas (que sofrem de doenças do rim) pela maior predisposição por conta da doença de base”, atenta Furtado.
  • Meningocócica: indicada em situações de surtos ou viagens para áreas de risco;
  • Herpes Zóster: baseada no vírus vivo atenuado da varicela, é indicada para pessoas acima dos 50 anos de idade;
  • Febre Amarela: existe uma contraindicação relativa dessa vacina para idosos. Mesmo assim, pessoas acima dos 60 que residam em áreas afetadas devem tomar. O risco de complicações fatais é extremamente baixo, próximo de 1 em 1 milhão.