Bicho geográfico: sintomas e tratamentos contra o parasita tropical

07 de janeiro de 2019

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POR Ligia Lotério

Bicho geográfico, também chamado de larva migrans cutânea, é um parasita comumente adquirido em regiões tropicais que causa lesões na pele semelhantes a rastros elevados e sinuosos. Geralmente é adquirido em praias contaminadas e, embora possa se resolver espontaneamente, merece atenção.

O que é?

Larva migrans surge em decorrência do contato direto da pele com larvas do parasita do gênero Ancylostoma, como o braziliense ou o caninum.

O problema é mais comum em crianças, mas também pode afetar adultos.

Ciclo de vida do bicho geográfico

O parasita geralmente é adquirido por cães e gatos por meio do consumo de alimentos contaminados. Em seguida, se reproduz no intestino dos animais e é por meio das fezes que libera seus ovos.

O contato das fezes com a pele humana, especialmente a ferida, causa o bicho geográfico.

Causas

O contato com solos que foram previamente frequentados por cães e gatos infectados com o ancilóstomo é a principal forma de contágio, visto que as fezes dos animais contêm ovos do parasita. Entre os ambientes mais propícios para a infecção, estão praias e caixas de areia de parques infantis.

As partes do corpo mais afetadas são os pés e as pernas, devido à proximidade com o solo, mas outras regiões também podem ser atingidas, como glúteos e mãos.

Fatores de risco

Pessoas que vivem em áreas litorâneas e com alto índice de fezes de animais têm mais chances de contrair o bicho geográfico, sendo indicado que andem sempre com calçados fechados nestes locais.

Sintomas

Os parasitas penetram a pele e, neste contato, geram uma lesão pequenina e avermelhada, parecida com picada de insetos. Conforme a larva se desenvolve e locomove – o que leva uma semana, em média –, surgem marcas de seu trajeto, que são sinuosas e saltadas, semelhantes a mapas, o que explica o nome do acometimento.

Os “túneis” formados pelo bicho geográfico podem avançar de dois a cinco centímetros ao dia e geralmente coçam e podem apresentar bolhas.

Na região glútea, a infecção pode ser mais papulosa, tornando o diagnóstico mais difícil.

Diagnóstico

O diagnóstico de bicho geográfico geralmente é clínico, ou seja, se baseia na análise dos sintomas e dos histórico dos locais que o paciente visitou.

Qual especialista procurar?

Clínicos gerais, infectologistas e dermatologistas são os profissionais mais indicados para tratar o problema.

Tem cura?

A condição tem cura por meio da remissão espontânea, que pode levar de poucas a semanas a alguns meses, ou de medicamentos antiparasitários.

Tratamento de bicho geográfico

Não é indicado esperar a remissão espontânea do bicho geográfico, visto que ela é incerta e a demora pode propiciar complicações, mas realizar o tratamento para eliminar o parasita o quanto antes.

Remédios e pomadas

Na consulta médica podem ser apresentadas terapias medicamentosas orais ou tópicas com antiparasitários que combatem o Ancylostoma, como:

  • Tiabendazol
  • Albendazol
  • Ivermectina

Complicações

As complicações do bicho geográfico geralmente são decorrentes do ato de coçar as lesões, visto que isso aumenta o risco de infecções, e incluem celulites infecciosas e erisipela.

Prevenção

O bicho geográfico pode ser prevenido por meio do uso de sapatos que impeçam o contato direto da pele com solos potencialmente contaminados, como areia.

Fotos de bicho geográfico

Atenção, as imagens a seguir podem ser impressionantes:

 

 

Larva migrans no pé esquerdo.

TisforThan/Shutterstock

 

Bicho geográfico na barriga.

TisforThan/Shutterstock

 

Fontes

Sociedade Brasileira de Dermatologia. Larva Migrans. Disponível em: www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/larva-migrans/78

Manual MSD. Larva migrans cutânea. Disponível em:www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-da-pele/infec%C3%A7%C3%B5es-parasit%C3%A1rias-da-pele/larva-migrans-cut%C3%A2nea

Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Cutaneous Larva Migrans.
Disponível em: wwwnc.cdc.gov/travel/yellowbook/2018/infectious-diseases-related-to-travel/cutaneous-larva-migrans