Acupuntura: 5 razões para adotá-la

Atualizado em 11 de setembro de 2019

|

POR Redação

Você conhece ou já recebeu acupuntura? Se não, prepare-se para saber agora um pouco mais sobre essa técnica de origem milenar chinesa.

Hoje, sabe-se que as agulhadas estimulam a liberação de endorfina e ACTH – precursor da cortisona -, respectivamente um analgésico e um anti-inflamatório produzidos pelo organismo.

Estudo publicado na revista científica Nature Neuroscience divulgou ainda que os níveis de adenosina (neurotransmissor com efeito sedativo) tiveram alta significante em testes laboratoriais. Longe do fantasma do charlatanismo (desde 1995 o Conselho Federal de Medicina reconhece a acupuntura como especialidade médica), a técnica entrou de vez para o pelotão de elites dos corredores. E ninguém está falando do efeito placebo não.

O tratamento multidisciplinar, em parceria com um médico do esporte, educador físico ou fisiatra, pode sim, fazer uma grande diferença no resultado de suas provas, portanto, preste atenção nessas dicas e descubra o benefício que essa técnica pode trazer para a sua saúde.

O início do tratamento

A programação inicial para um tratamento com acupuntura gira em torno de dez sessões, sendo uma por semana. Em situações de queixa de dor, pode-se realizar inicialmente de duas a três sessões semanais. É comum também orientar o corredor a realizar ciclos preventivos de duas a três vezes por ano, mas em alguns casos pode haver contratempos que exijam intervenções intermediárias.

5 razões para venerar as agulhas

1. Deixar o preconceito de lado, esquecer a dor e preservar a saúde

Apesar de a corrida trabalhar, indiretamente, o corpo como um todo, o esporte tem sua característica motora prevalecente. Priorizam-se grupos envolvidos nos movimentos rotineiros, o que pode resultar em sobrecarga muscular, esquelética e articular.

Porém, antes de tudo, é essencial identificar o fator que leva à lesão, como tipo de calçado ou solo, sobrecarga no treinamento, biomecânica da corrida, entre outros.

“A acupuntura tem sua principal indicação e melhores resultados nos distúrbios funcionais, ou seja, nas patologias em que músculos, tendões, fáscias e articulações ainda não sofreram lesões importantes na sua estrutura nem se tornaram anatômicas”, explica Fernando Heidrich, acupunturista e médico do Ambulatório de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital do Servidor Estadual, de São Paulo.

Ainda assim, é possível conciliar o tratamento com reorientação do treino e técnicas de reabilitação.

2. Parar com as lamentações de sempre

Dor lombar (lombalgia), nos pés (calcaneodíneas, tendinite de Aquiles e fascite plantar), nos joelhos (atrito da banda iliotibial), nos tornozelos e nas panturrilhas lideram as queixas de quem calça um par de tênis e se entrega às pistas.
Segundo Alberto Minami, técnico em reabilitação especializado em acupuntura pela Escola Oriental de Massagem e Acupuntura, de São Paulo, além das dores, as aplicações são bem-vindas contra estiramento, entorse, contratura, edema, inchaço e fadiga muscular. O efeito terapêutico surge quando as picadas dispersam a energia acumulada, responsável pela dor, em pontos específicos do corpo.

“O tratamento preventivo é o ideal, pois a acupuntura deixa a musculatura mais preparada para suportar possíveis lesões, assim, o corredor evita que os treinos sejam interrompidos por longos períodos”, orienta Minami.
No pós-operatório, mais uma vez, as agulhas têm passagem livre entre os médicos.

3. Dominar seus fantasmas psicológicos

Cada vez mais, a medicina se debruça sobre os fatores que boicotam a performance esportiva. Ninguém duvida de que, além da saúde física, o bem-estar psíquico às vésperas de uma competição pode levar você (ou não) ao pódio.
Insônia, ansiedade, estresse, náusea, vômito, diarreia e outros distúrbios gastrointestinais são exemplos de problemas de origem emocional que restringem o rendimento e a qualidade do exercício. Também por essa razão, a acupuntura dedica-se ao trabalho de equilíbrio energético global.

“Em longo prazo, busca-se equilibrar as energias opostas yin e yang no organismo do atleta, com base no diagnóstico da medicina tradicional chinesa”, diz o médico Heidrich. Em tempo: a teoria do yin e yang, forças que complementam a energia vital QI, é utilizada até hoje para explicar a estrutura orgânica do corpo humano e, por exemplo, sua relação com as emoções.

4. Dar um UP nos treinos

Nesse quesito, ainda há um resquício de polêmica, porque, estudos preliminares, já apontam evoluções na força máxima dinâmica e explosiva, na resistência anaeróbica e, inclusive, na velocidade dos atletas.

Enquanto o trabalho dos cientistas avança, é possível afirmar que estímulos da acupuntura dão uma força no funcionamento orgânico e na distribuição de energia nos músculos e articulações, para que sofram menos fadiga – nem é preciso dizer que cansaço e indisposição podem ser culpados pelo abandono precoce de uma prova!

“Esses pontos no corpo eram utilizados em esportistas chineses desde antes de Cristo, para ter resultados, porém, o corredor deve manter treino adequado e boa alimentação”, lembra Suzete Rosetto, autora do livro Acupuntura dos Esportes, da Phorte Editora.

5. Acabar com a briga contra a balança

Muitos atletas vivem correndo em busca do peso ideal. Você sabe que o alto teor de gordura corporal atrapalha qualquer movimento e pode, inclusive, reduzir a capacidade do corpo em dissipar calor durante a atividade. Além desses, há tantos outros inconvenientes que você já deve estar pensando até em pular a próxima refeição.

“Estudos demonstram que a acupuntura estimula, sim, o aumento do gasto calórico e, consequentemente, pode ajudar no controle de peso”, conta Daniel Gentil, médico acupunturista e especialista em medicina desportiva.
Entre as estratégias contra a balança, está a manipulação de pontos que equilibram a ansiedade, promovem a saciedade e melhoram o funcionamento intestinal. É comum também, aliar as alfinetadas a outros recursos terapêuticos, como dietética e fitoterapia (uso de ervas medicinais).

Uma técnica para chamar de sua

Para quem rejeita as agulhas e sua frio só de ver uma, a medicina dos orientais também deu seu jeito. Veja a seguir exemplos de tipos de aplicações da técnica:

Agulhamento: Aplicação direta no local da dor ou no membro contra-lateral (exemplo: dor no pé direito, uso de agulhas no pé esquerdo) ou, ainda, nos chamados “pontos a distância” com potencial efeito analgésico.

Moxabustão: Estímulo térmico de pontos específicos com bastonetes de erva Artemísia, baseado nos mesmos princípios dos meridianos de energia da acupuntura tradicional.

Eletroacupuntura: Técnica com aparelho emissor de baixas correntes elétricas que são transmitidas às agulhas, proporcionando alívio mais rápido e com maior intensidade.

Auriculoterapia: Microssistema em que há designação dos pontos de todo o corpo representado apenas na orelha. A estimulação é feita por sementes fixadas na região.

Stiper: Terapia com pastilhas de silício cristalizado que preserva os princípios das agulhadas.

Laser Acupuntura: Por meio do laser de baixa intensidade, trabalham-se os pontos da acupuntura tradicional, promovendo analgesia e efeito anti-inflamação.

Acupressão: Estimulação dos pontos corporais por meio de pressão do próprio dedo com o objetivo de desfazer bloqueios energéticos.

Spiral Taping: Colagem de fitas adesivas, no mesmo sentido ou perpendicularmente às fibras musculares, que geram estímulos para correção do fluxo energético.

(Matéria publicada na revista O2 nº103, novembro de 2011)