Sintomas do HPV nem sempre são visíveis, mas fique atento a alguns sinais

04 de dezembro de 2017

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POR Gabriela Simionato

O vírus do papiloma humano é um dos mais comuns para pessoas sexualmente ativas. Mas é bom ficar atento, porque muitas vezes a infecção passa despercebida. Em outras, porém, é possível identificar os sintomas do HPV por meio de alguns sinais visíveis a olho nu, como o surgimento de verrugas ou a presença de coceira e irritações na pele.

Existem cerca de 200 tipos diferentes do vírus. Destes, 150 já foram identificados e cerca de 40 apresentam risco de infectar as regiões genital e anal. Já os que têm potencial para causar câncer de colo de útero são 14, sendo que a maioria dos tumores provocados por HPV são os tipos 16 e 18.

A forma mais comum de transmissão acontece por meio de relações sexuais desprotegidas. Muitos homens são portadores do vírus e, por falta de informação, transmitem para a mulher, que tende a ser mais suscetível aos efeitos do vírus.

Quais são os sintomas do HPV?

Os sintomas do HPV nem sempre são perceptíveis. Imagine só: cerca de 80 a 90% da população já teve contato com o vírus HPV pelo menos uma vez na vida, mas em 90% das vezes o corpo se encarrega de eliminá-lo antes de manifestar qualquer sintoma.

Já em casos mais graves, em que o paciente está com o sistema imunológico enfraquecido, podem aparecer verrugas genitais ou penianas, as chamadas cristas de galo. “A infecção provoca o surgimento de verrugas, chamadas condilomas, nas regiões anogenitais e pode ocorrer tanto nas mulheres quanto nos homens”, explica Gustavo Maciel, ginecologista do Fleury Medicina e Saúde.

“Embora muitas vezes seja assintomático, pode acontecer de o paciente sentir coceira e irritação local, principalmente na fase inicial da infecção. A presença do HPV por longos anos também se associa ao surgimento de câncer, principalmente no colo do útero”.

E a transmissão?

A transmissão do vírus do papiloma humano ocorre, principalmente, via relações sexuais desprotegidas.

“O HPV é transmitido por meio do contato de pele com pele, por isso ele pode ser considerado uma infecção sexualmente transmissível. Existem outras formas mais difíceis de transmissão, como compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas e, por fim, a transmissão vertical durante o parto”, explica Clícia Quadros, ginecologista e especialista em saúde da mulher.

Assim como acontece com outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o vírus pode ficar alojado no corpo mesmo após o tratamento.

“O objetivo principal do tratamento das verrugas genitais e anais causadas pelo HPV é a remoção das le­sões clínicas. No entanto, nenhuma evidência indica que os tratamentos disponíveis erradicam ou afetam a história natural da infecção do HPV, ou seja, mesmo com a retirada das lesões, o vírus fica no corpo do indivíduo”, alerta Regia Damous, infectologista do Hospital e Maternidade São Luiz.

Como detectar o HPV

A forma mais comum para detectar o HPV nas mulheres é realizando o exame Papanicolau anualmente. Em casos de lesões causadas pelo vírus, pode ser solicitada uma colposcopia ou uma vulvoscopia. O tratamento pode ser realizado com coagulação ou cauterização, dependendo do nível do vírus.

Para os homens, é necessário fazer uma análise para certificar-se de que não há nenhuma verruga na região da glande (a cabeça do pênis) ou no ânus. Ao primeiro sinal de alteração, um médico deve ser consultado. Geralmente, indica-se a peniscopia para diagnosticar o HPV em homens.

Tratamentos para HPV

Caso a infecção pelo vírus do HPV evolua, talvez seja necessário realizar um procedimento cirúrgico. Tudo depende do grau, extensão e localização das lesões causadas pelo vírus. Normalmente, após a colposcopia, pode ser solicitada uma coagulação, cauterização ou mesmo uma cirurgia convencional para recuperação da área afetada.
O tratamento do HPV varia também de acordo com o tipo de vírus que está alojado no corpo do paciente. “Quando a lesão é externa e em pequena quantidade, o tratamento pode ser feito com cremes ou ácidos. Já no caso de lesões mais extensas, pode-se executar a retirada delas por meio de cauterização a laser, ácidos ou usando a radiofrequência”, esclarece Clícia.

“Lembrando que o ideal é que o parceiro sexual também faça o tratamento para evitar possíveis complicações da infecção e também não transmiti-la novamente”, continua a especialista.

O tratamento deve ser seguido à risca. A ausência de um acompanhamento anual, em que sejam realizados exames de sorologia completa, papanicolau e ultrassons pode levar a um diagnóstico tardio para a mulher.

“O descuido pode desenvolver verrugas genitais e o câncer de colo de útero, que é terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. Já nos homens, o HPV não tratado pode ocasionar câncer de pênis e também verrugas genitais”, alerta Gustavo.

Vacinas para HPV

A aplicação da vacina é indicada pelos especialistas. Vale lembrar que desde 2014 o Ministério da Saúde introduziu a vacina quadrivalente contra HPV tipos 6, 11, 16 e 18 em postos de saúde para idades específicas.

“A vacina HPV quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o câncer do colo de útero. Nos homens, ela também protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus”, alerta Regia.