Sexo tântrico: definição, benefícios e exercícios para começar a praticar

30 de abril de 2018

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POR Patrícia Beloni

Muita gente já ouviu falar de sexo tântrico, mas poucos realmente sabem do que se trata. Em poucas palavras, podemos dizer que o sexo tântrico surgiu do tantra, ou tatrismo, que consiste num conjunto de 112 técnicas de meditação que abrangem todos os aspectos da vida — entre elas, o lado sexual.

O tantra trabalha a energia sexual que, segundo essa filosofia, seria a responsável pelos famosos orgasmos. Mas diferentemente do que se costuma pensar, aqui não se trata necessariamente da ejaculação, mas sim da sensação máxima de êxtase que o momento do orgasmo proporciona.

Portanto, o ato sexual em si está envolto com as técnicas específicas da filosofia tântrica, sendo que a massagem é um dos elementos principais deste tipo de sexo.

Definição de sexo tântrico

A palavra “tantra” vem do sânscrito e quer dizer instrumento de expansão da consciência (TAN = tecer, expandir, e TRA =  instrumento). Não se trata de uma crença e nem de um dogma, mas sim de uma filosofia de vida milenar que veio do oriente.

Para a filosofia tântrica, todo o universo está interligado e entrelaçado. Tudo é energia e nosso corpo nada mais é do que uma energia condensada. E para circular essa energia, o tantra usa o corpo como esse instrumento.

Por isso, de acordo com a a terapeuta sexual Neise Galego, que também é pedagoga e filiada da Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual (Abrasex), “tantra é conexão, intimidade e expansão. Tantra é o caminho do amor. O tantra nos possibilita a renovar nossa visão a respeito da sexualidade, do amor e da espiritualidade”.

4 fatos sobre o sexo tântrico

Muitas pessoas ouviram noções equivocadas a respeito do sexo tântrico. Não é à toa que existem tantos mitos à respeito da prática. Por isso, esqueça tudo o que você já aprendeu e se atente a 4 fatos que separamos abaixo, com a ajuda de Neise. Confira:

1. Sexo tântrico não é só sexo

O sexo tântrico não diz respeito somente ao sexo em si. A prática não exige aquele coito que falam por aí — portanto, a penetração aqui não é necessária. De acordo com essa filosofia, os orgasmos podem acontecer apenas com a circulação de energia entre os parceiros.

2. Não é sexo grupal

“Outro mito bastante difundido é o que associa o tantra a práticas sexuais grupais, mas este é um conceito equivocado”, aponta Neise.

Segundo ela, o sexo tântrico promove não apenas um sexo baseado no respeito, mas também treina a elevar nosso desejo sexual para propósitos mais elevados.

3. Qualquer um pode fazer

Algumas pessoas acham que só é possível praticar o sexo tântrico nas culturas orientais. Isso também não é verdade. Qualquer pessoa é capaz de experimentar esse tipo de relação sexual.

4. Não é religião

“É sempre bom lembrar que o tantra não é um culto ou uma religião. É apenas uma maneira de buscar a consciência, a descoberta, a iluminação por meio do corpo”, explica a sexóloga.

Benefícios do sexo tântrico

Segundo Neise, o sexo é considerado sagrado para os praticantes. “Ele não julga e não aprisiona. Para ele, nosso corpo é um templo divino”, explica ela. “Ele dissolve as fronteiras porque elas só existem na mente, e o tantra é presença do corpo. É o aqui e agora”, completa.

Por isso mesmo, a sua prática proporciona diversos benefícios, que vão muito além do prazer físico. Veja alguns deles:

  • Proporciona a aceitação e a consciência corporal;
  • Possibilita orgasmos múltiplos;
  • Alivia a ansiedade e a depressão;
  • Cura feridas emocionais;
  • Equilibra as energias do corpo;
  • Ajuda no conhecimento da própria sexualidade;
  • Contribui para uma descoberta mais profunda dos cinco sentidos;
  • Quebra paradigmas e tabus sexuais;
  • Ensina a respirar melhor;
  • Ressignifica o ato sexual em si.

Como começar a praticar?

Para começar a praticar, a primeira coisa é estar disposto. Quebrar os conceitos do que é fazer sexo é o passo principal.

Depois, é necessário aquietar a mente e ir para o corpo. O seu foco precisa estar nas suas sensações, não em fantasias ou qualquer pensamento que tire sua atenção do momento.

O sexo tântrico é atencioso e deve ser feito sem pressa. É aí que você começa a libertar sua mente e relaxar seu corpo.

“É importante honrar o corpo de seu parceiro e o seu próprio. Para isso, é preciso introduzir os três pilares do sexo tântrico: respiração, som e movimento”, explica a sexóloga.

A respiração deve ser fluida e intensa. Assim, ela libera emoções que são bloqueadas exatamente porque temos medo de sentir.

3 exercícios para fazer antes de começar

Alguns exercícios são muito importantes antes de começar a praticar o sexo tântrico. São eles:

1. Pompoarismo

O pompoarismo consiste em fortalecer o músculo pubococcigeo. Nesta prática, o objetivo é promover a contração e relaxamento do assoalho pélvico.

Esse exercício proporciona maior prazer sexual, além de ajudar na incontinência urinária e até mesmo em partos normais. Serve para homens e mulheres e aumenta a irrigação sanguínea no local.

Para identificar onde fica o assoalho pélvico, fica uma dieta: na hora em que estiver urinando, “pare o xixi” e sinta qual músculo você usou para fazer essa interrupção. É esse o músculo que você deverá fazer contrações e relaxamentos.

“O aconselhável é fazer diariamente 3 vezes por dia. Tente fazer 10 contrações de 20 a 30 segundos e repita por 5 vezes. Vá alternando o ritmo e a força”, indica a especialista.

2. Respiração circular

A respiração circular diz que a mesma quantidade de ar que entra deve ser igual a que sai. Não deve haver pausa entre a inspiração e a expiração. O ideal é fazer essa respiração sempre pela boca e de maneira suave e amorosa. Depois que treinar individualmente, faça a respiração junto com seu parceiro(a), com as bocas muito próximas.

3. Dança

Façam alguma dança juntos, com privacidade. Coloquem uma música adequada para o momento e comecem de maneira fluida, deixando os corpos levar vocês. Imitem os gestos um do outro para sincronizarem suas sensações. Tornem-se unidos por meio do som, movimento e respiração.