Sexo anal: 4 mitos e 5 informações importantes sobre a prática

22 de dezembro de 2017 ● POR Patrícia Beloni

Se para alguns o sexo anal é uma forma de apimentar a relação, outros nem cogitam a possibilidade de fazê-lo, seja porque não gostam ou porque acreditam que é perigoso, sujo, faz mal ou simplesmente porque dói.

Mas, segundo a sexóloga Lívia Leite, existem muitos tabus que cercam esse tipo de sexo, o que o tornam um prato cheio para inverdades. “O sexo anal pode ser uma variação sexual muito prazerosa, já que o ânus possui uma quantidade enorme de terminações nervosas”, revela a especialista.

Só que, assim como qualquer outra prática sexual, o sexo anal “requer certos cuidados com a saúde, preparo psicológico, respeito e delicadeza. De maneira geral, não costuma trazer complicações — desde que seja consensual”, conclui.

Abaixo, separamos algumas informações que você precisa saber sobre sexo anal.

4 mitos do sexo anal

Por ainda ser um assunto muito tabu na sociedade, o sexo anal levanta muitas dúvidas e crenças que nem sempre são corretas. Se feito com cuidado e com consenso, é saudável e faz bem para o corpo e para a mente. Confira abaixo alguns dos principais mitos do sexo anal:

1. Sexo anal engravida

Não é verdade. Apesar de parecer muito óbvio para algumas pessoas, o ânus e o reto têm nenhuma ligação com o aparelho reprodutor. Assim, não é possível que um espermatozoide se desloque de lá para a região onde pode encontrar e fecundar um óvulo.

2. Alarga o ânus

Nem a frequência das relações anais e nem o tamanho do pênis, dedo ou objeto colocado pode causar o alargamento do ânus. “Ao contrário, por ser músculo, quanto mais exercita, mais forte o ânus fica”, aponta Lívia.

Claro que deve haver bom senso. “Se a pessoa nunca praticou sexo anal, não vai conseguir introduzir nada muito grande, porque aí sim vai doer e provocar ferimentos”, alerta ela.

3. Dói muito

“Se estiver doendo, é porque algo não está certo”, explica a sexóloga. Ou a pessoa não está completamente relaxada ou falta lubrificante. “Para relaxar, é importante caprichar nas preliminares até ficar muito excitado(a). Fazendo com delicadeza e cuidado, sexo anal não dói”, indica.

4. Não dá prazer

É possível que as duas pessoas sintam prazer com sexo anal. Como falamos acima, o ânus também tem terminações nervosas que são estimuladas com a prática deste tipo de relação.

Por isso, segundo Lívia Leite, procurar uma posição confortável em que a pessoa penetrada tenha liberdade de movimento faz muita diferença. “Ela tem o controle das ações e isso contribui para diminuir a ansiedade e a sensação de vulnerabilidade. Consequentemente, a pessoa fica mais relaxada e não sente dor”, orienta a especialista.

5 informações importantes sobre sexo anal

1. Lesões e ferimentos

Só há riscos de ocorrer lesões e ferimentos na região anal se quem for penetrar não respeitar os limites da outra pessoa ou se não fizer o uso correto de lubrificantes, que são indispensáveis.

Se quem estiver sendo penetrado sentir qualquer tipo de dor, é importante interromper a prática. “A pessoa precisa realmente estar disposta e muito excitada”, lembra a especialista.

2. Faz mal ou não faz?

Segundo a especialista, se realizado de forma segura, o sexo anal não faz mal. Os riscos associados com sua prática são os mesmos do sexo vaginal: infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem ser transmitidas se não houver uso de preservativos.

É importante levar em conta que, apesar dos riscos de transmissão das ISTs pelo sexo anal ser maior que a de outros tipos de sexo, basta usar camisinha que as chances de contrair qualquer infecção reduzem a quase zero.

Outro fator importante que pode levar a alguns problemas é fazer sexo anal e depois vaginal sem trocar a camisinha.

A prática pode levar à contaminação cruzada (transferência de microrganismos de um material contaminado para outro) e a mulher pode desenvolver vaginite ou infecção urinária.

3. Sexo seguro e saudável

Para a sexóloga Lívia, se não houver nenhum problema pré-existente no ânus ou reto, não há nenhuma contraindicação para o sexo anal.

É importante também que a pessoa que vai ser penetrada deseje e esteja disposta a realizar essa prática. “Caso contrário, se for só para agradar o outro, não faça”, aconselha ela.

4. Como fica a higiene?

Quanto à higiene, a especialista explica que água e sabão durante o banho é o suficiente. Algumas pessoas ficam com medo da possibilidade de sair um pouco de fezes durante o sexo anal e preferem realizar a lavagem interna — popularmente conhecida como chuca, que é realizada com enema ou ducha íntima.

Entretanto, esse procedimento não é o mais indicado. “Embora a chuca seja comum entre as pessoas que costumam fazer sexo anal com frequência, ela não é aconselhável”, alerta a especialista.

“Isso porque a lavagem retira parte da nossa microbiota natural, isto é, microrganismos do nosso próprio corpo que atuam como agentes protetores contra microrganismos malignos”, explica. “Evacuar e lavar bem o local antes de realizar o sexo anal é suficiente. Se sujar, é só trocar a camisinha”.

5. E a lubrificação?

Outra questão é que o ânus não tem lubrificação natural como a vagina, portanto, o uso do lubrificante é de fato muito importante. “Passe uma quantidade abundante de lubrificante tanto no ânus quanto no pênis (depois que colocar a camisinha)”, aconselha a sexóloga.

Os mais indicados são os lubrificantes à base de água, mas estes são absorvidos rapidamente pelo nosso organismo, então não pense duas vezes em reaplicá-lo várias vezes durante o ato sexual, se necessário.

Existem ainda lubrificantes à base de silicone que não são absorvidos tão rapidamente. Eles deslizam muito mais facilmente e podem ser usados com preservativos também.

Cuspe pode?

A sexóloga diz que não. “A saliva não lubrifica adequadamente e somente o seu uso pode causar micro-cortes que, sem o tratamento e a higiene corretos, podem acabar infeccionando”, alerta ela.

E vale também ressaltar: é essencial usar sempre camisinha para evitar as infecções sexualmente transmissíveis.