Saliva transmite HIV? Tire essa e outras dúvidas sobre ISTs no carnaval

05 de fevereiro de 2018 ● POR Bruno Botelho dos Santos

Carnaval é tempo de festa e diversão, então nunca é demais reforçar informações e dicas importantes para evitar as temidas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), certo?

Se fizer tudo direitinho, não há nada com que se preocupar. Por isso, separamos abaixo as dúvidas mais comuns sobre o assunto. Por exemplo: você sabe quais ISTs se transmite pelo beijo? Homens também podem contrair HPV? E a saliva transmite HIV?

Confira as respostas para essas e outras perguntas:

1. Quais são as ISTs mais comuns?

ISTs é a sigla para infecções sexualmente transmissíveis, que são as que todo mundo já conhece. As mais comuns são:

Você deve estar mais acostumado com a sigla DSTs, que faz referência a doenças que são transmitidas sexualmente, mas o termo foi atualizado para ISTs depois que passou-se a entender que uma pessoa que contrai um vírus ou uma bactéria via relação sexual não necessariamente irá desenvolver a doença.

Por isso, hoje chamamos de infecções sexualmente transmissíveis os problemas de saúde provocados por vírus, bactérias ou outros micro-organismos e que são transmitidos, principalmente, pelo contato sexual (oral, vaginal ou anal) desprotegido.

Uma IST só pode ser transmitida para uma pessoa se a relação sexual acontecer com alguém que já infectado.

2. É possível contrair ISTs pelo beijo?

Sim, apesar do beijo parecer um ato que não apresenta graves riscos para a saúde, algumas ISTs podem ser transmitidas por ele também. Sífilis e herpes simples do tipo 1 (também chamada de herpes labial) são as infecções mais comuns que se pode contrair pelo beijo.

Mas não é toda pessoa que tem sífilis que necessariamente irá transmitir a bactéria pelo beijo, e sim somente quem apresentar alguma ferida na boca provocada pela doença.

Já a herpes independe da infecção ativa para ser transmitida. Mas ela não é uma doença grave e, uma vez contraída, só costuma surgir quando a imunidade está muito baixa. Também é possível contraí-la por meio do compartilhamento de copos, talheres e outros objetos.

3. E a doença do beijo?

A famosa doença do beijo também é bastante conhecida como mononucleose. Ela não é considerada uma infecção sexualmente transmissível porque ela basicamente não é transmitida pelo contato sexual, e sim pela saliva.

A doença do beijo é provocada por um vírus que fica instalado na garganta, na região das amígdalas, e que vai sendo eliminado na saliva. Por isso, é bem fácil de contraí-la no carnaval.

Porém, a exemplo do que acontece com ISTs, também só se pode contrair mononucleose quando se entra em contato com a saliva de uma pessoa já infectada.

Sintomas de mononucleose

Se você sentir sintomas como fadiga, dor de garganta, mal-estar, febre média ou alta e dores de cabeça, pode ser que seja só uma gripe. Mas é sempre bom consultar um médico caso esses sintomas não desapareçam dentro de uma semana.

Fique atento também a outros sinais, como inchaço nos gânglios linfáticos, amigdalites e inflamações na garganta que não passam mesmo com o uso de medicamentos.

4. Saliva transmite HIV?

Essa é uma das maiores dúvidas quando o assunto é ISTs no carnaval. Ao contrário da sífilis e da herpes labial, o vírus da Aids não pode ser transmitido pela saliva.

Os fluidos corporais que transmitem HIV são apenas sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno.

Saliva, suor, lágrimas e urina não possuem carga viral suficiente a ponto de poder infectar outra pessoa. É por isso que HIV não é transmitido pelo compartilhamento de copos e talheres, por exemplo.

 

5. Qual IST é mais fácil pegar no carnaval?

Não existe uma escala de probabilidade quando se trata de infecções sexualmente transmissíveis. O que você deve fazer é ficar atento às formas de transmissão de cada vírus ou bactéria e lembrar sempre de carregar preservativos na bolsa, na carteira ou na doleira — utensílio muito popular entre os foliões que evita furtos.

Mas é importante sempre frisar que algumas ISTs, como sífilis, herpes genital e HPV, também podem ser transmitidas pelo contato sexual incompleto. Ou seja, brincadeiras sexuais que não chegam a consumar o ato sexual em si (que envolve o contato entre mucosas) também apresentam riscos.

Alguns objetos e até mesmo as mãos podem carregar os agentes infecciosos responsáveis por essas ISTs, ainda que as chances de transmissão sejam menores do que a relação sexual.

6. O melhor meio de prevenção é mesmo o preservativo?

Sim, o uso de preservativos é o meio mais seguro para evitar a transmissão de qualquer tipo de IST. É bom lembrar que nenhum método garante a proteção em 100% dos casos, mas, de acordo com Carolina Lázari, assessora médica em infectologia do Fleury Medicina e Saúde, o preservativo não tem substituto.

“O uso da camisinha deve ser fortemente estimulado, pois é um dos métodos mais efetivos para a prevenção da transmissão de todas as ISTs, inclusive do HIV”.

Para garantir a eficácia do preservativo, lembre-se sempre de checar a data de validade na embalagem e seguir as instruções de uso à risca. Tanto as camisinhas masculinas quanto as camisinhas femininas estão disponíveis gratuitamente em postos de saúde para retirada.

No caso específico do HIV, também já está disponível na rede pública a Profilaxia Pré-Exposição, também conhecida como PrEP, que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais para ajudar na proteção contra o vírus da Aids.

Basta um comprimido por dia para que a pessoa fique ainda mais protegida contra o HIV, mas é importante fazer tomar por alguns dias antes que essa proteção realmente funcione. E mais: a PrEP não substitui o uso do preservativo, principalmente porque não previne contra outras ISTs.

7. Pode haver transmissão por sexo oral?

Ainda existem muitas dúvidas a respeito do sexo oral como forma de transmissão para ISTs, e muitas pessoas ainda acreditam que este tipo de relação não apresenta nenhum risco. Mas não é verdade.

Algumas infecções são mais difíceis de serem contraídas por sexo oral, como é o caso do HIV, que tem chances mínimas de ser transmitida. Mas não é o caso da sífilis, da herpes simples e do HPV, por exemplo. Por isso, é bom ficar atento a eventuais feridas presentes nos órgãos genitais.

Vale lembrar que o preservativo também é o melhor meio de prevenção para o sexo oral também.

8. Sexo anal realmente aumenta o risco de transmissão de ISTs?

Sim, das três modalidades de sexo mais praticadas — anal, oral e vaginal –, o sexo anal é o que mais apresenta riscos de transmissão de ISTs.

Segundo a especialista Carolina Lázari, isso se dá pelo fato do “tipo de mucosa que reveste o canal anal ser mais suscetível à invasão de agentes infecciosos do que outros”.

Da mesma forma, o preservativo dá conta da proteção na esmagadora maioria dos casos, e é o melhor meio de prevenção contra infecções.

9. Homens podem ter HPV?

O HPV pode infectar tanto mulheres como homens. Nos homens, os sintomas nem sempre aparecem, mas quando surgem eles geralmente são por meio das verrugas genitais, no pênis ou no escroto.

Outros sinais menos frequentes incluem caroços ou feridas no pênis, no escroto, ânus, boca ou até na garganta. Se não tratado, o HPV masculino pode se agravar e evoluir para complicações graves de saúde, incluindo câncer.

Por isso, é muito importante sempre fazer exames para identificar o vírus o mais rápido possível — mesmo quando os sintomas não forem aparentes.

10. Os pelos têm relação com o risco de contrair algumas ISTs?

Sim. Pouca gente sabe, mas os pelos funcionam como um mecanismo de defesa para o organismo se proteger contra diversas infecções, incluindo as que são transmitidas por contato sexual.

Ou seja, a depilação reduz parcial ou totalmente a proteção natural do corpo contra agentes infecciosos. Mas a ausência de pelos tampouco é fator determinante para que uma infecção ocorra ou não.

Também não quer dizer que você não possa se depilar. Mas é importante ressaltar que todo cuidado inclusive no momento da depilação é pouco. Evite lesões na região, pois elas favorecem eventuais infecções, e procure pelo menos manter uma camada fina ou curta de pelos.

11. Transei sem camisinha no carnaval. E agora?

Existe uma série de razões que explicam por que o carnaval é uma época em que as infecções sexualmente transmissíveis são tão comuns. Mas fato é que nesta época do ano a diversão rola solta e muita gente, talvez pelo excesso de bebidas alcoólicas, acaba se descuidando na hora da relação sexual.

Se acontecer com você, a primeira coisa que deve fazer é manter a calma e não se culpar demais. Deslizes acontecem e para tudo tem uma solução.

O HIV, por exemplo, pode ser evitado mesmo após uma relação sexual desprotegida. Se você teve contato sexual sem preservativo com uma pessoa que você desconhece o status sorológico (ou seja, se é soropositiva ou não), o mais indicado é procurar um posto de saúde em até 72 horas para buscar a PEP (profilaxia pós-exposição).

Trata-se de um tratamento de emergência que, a depender do grau de exposição sexual, pode ser recomendado para evitar a infecção pelo HIV. Temos um conteúdo somente sobre a PEP para você saber mais detalhes, mas já adiantamos que o melhor é procurar o serviço o mais rápido possível para aumentar as chances de sucesso no tratamento.