Quando procurar um sexólogo? Saiba o que esse profissional trata

19 de setembro de 2018

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POR Nossos Doutores

Texto escrito por Nossos Doutores.

 

Nada deveria ser mais natural do que tratar de sexo. Afinal, falar de sexo é falar de nós mesmos, da nossa biologia, da natureza, das emoções, do auto-respeito e da saúde. Tratar as dificuldades relacionadas à sexualidade é uma das funções do sexólogo.

Normalmente, o sexólogo é um médico ou psicólogo que estuda a sexualidade em seus diversos âmbitos, desde sua vivência corporal até a psíquica, envolvendo não só os pensamentos e os sentimentos, mas o comportamento sexual como um todo.

Ele estuda a forma como as pessoas encaram o sexo, como o vivem e quais bloqueios têm para que possam desfrutar de uma vida sexual saudável e satisfatória.

O sexólogo é também um orientador, um profissional que ouve, acolhe e conduz junto ao paciente, de forma saudável e com responsabilidade, todas estas questões de forma amena e proveitosa, caminhando sempre no sentido da superação das dificuldades sexuais.

Além disso, o profissional lida também com as disfunções sexuais, como a impotência e a frigidez, a ejaculação precoce, o vaginismo, entre outras.

Como saber se preciso buscar um sexólogo?

A Organização Mundial da Saúde define que uma vida saudável é apoiada por 4 pilares principais: trabalho, família, lazer e sexo. Existem benefícios do sexo para a saúde e não é errado dizer, portanto, que estar atento à qualidade da vida sexual significa cuidar da própria saúde física e mental.

A busca por um sexólogo deve acontecer quando a pessoa percebe que não está conseguindo viver sua sexualidade de forma satisfatória ou quando sente necessidade de compreender melhor sua própria sexualidade.

A terapia sexual tem uma dinâmica muita parecida com a de uma psicoterapia convencional: são sessões periódicas, normalmente com duração próxima de uma hora, e que podem acontecer tanto de forma individual quanto podem ser parte de uma terapia de casal.

Os problemas ligados à sexualidade são muito mais comuns do que se imagina. Segundo pesquisa divulgada em 2014 no Brasil, 51% dos brasileiros não se dizem satisfeitos com sua vida sexual. 62% dos homens relatam dificuldades em manter a ereção e apenas 22% das mulheres chegam ao orgasmo na maioria de suas relações sexuais.

Que problemas podem ser tratados por um sexólogo?

A terapia sexual é um processo que envolve autoconhecimento, reflexão sobre questões emocionais, relacionamentos, comportamentos, inseguranças e padrões mentais. Mais do que falar simplesmente de sexo, esta abordagem propõe uma avaliação da pessoa de modo mais amplo, avaliando como a personalidade e as relações estabelecidas influenciam a sexualidade.

Entre os problemas tratados durante uma terapia sexual, estão:

Anorgasmia

Dificuldade em chegar o orgasmo (considerando-se a maioria das relações sexuais). Afeta homens e mulheres.

Falta de desejo ou baixa libido

Completa falta de desejo ou diminuição do desejo de realizar o ato sexual. Também pode afetar tanto homens quanto mulheres.

Vaginismo

Contração intensa e involuntária da musculatura vaginal, dificultando ou até impedindo a penetração.

Dispareunia

Dor no ato sexual. Afeta ambos os sexos.

Disfunção Erétil

Dificuldade em ter ou manter ereção com rigidez e por tempo suficiente para permitir o ato sexual.

Ejaculação precoce ou tardia

Dificuldade em prolongar a relação sexual, devido à ejaculação ocorrer mais cedo do que o esperado (ejaculação precoce). Ou, ao contrário, ter dificuldades em ejacular, mesmo após um longo de tempo decorrido do início do ato sexual (ejaculação tardia). Ambos os casos podem estar diretamente ligados a questões de ansiedade de desempenho.

Problemas decorrentes de abusos ou violência sexual

A terapia sexual pode ajudar o paciente a trabalhar seus traumas, conflitos ou experiências anteriores, no sentido de ressignificar as emoções e devolver a sexualidade a um padrão normal e saudável.

Questões de gênero e orientação sexual

A insatisfação com o próprio gênero ou as dificuldades emocionais para aceitar ou assumir a própria orientação sexual podem gerar problemas e dificuldades, que também são abordadas na terapia sexual.

Vício ou compulsão Sexual

Acontecem quando a necessidade permanente por estímulo sexual (concreto ou não) extrapola os níveis saudáveis e provoca consequências negativas para a vida.

Parafilias

São fantasias ou comportamentos persistentes e frequentes que são impróprios, não-éticos ou causam humilhação e sofrimento para si ou para o parceiro.

Outras questões

Dificuldades de relacionamento, doenças sexualmente transmissíveis, sexualidade e envelhecimento, entre outros assuntos, fazem parte das questões que podem ser abordadas em uma terapia sexual.

Prejuízos causados pela falta de comunicação

Embora muitas pessoas reconheçam a importância de conversar a respeito da sexualidade, este assunto infelizmente ainda é um grande tabu. Muitos não se sentem preparados para conversar sobre qualquer tema relacionado a este universo por considerá-lo embaraçoso ou impróprio. Este “silêncio” só aumenta a falta de informação e gera ainda mais impactos negativos.

Quando falta a comunicação direta e objetiva sobre este tema, há carência de esclarecimentos e abre-se espaço para que se consolidem mitos e os preconceitos. Negligenciar aspectos que envolvem gênero e sexualidade reproduzem e perpetuam modelos de desigualdades.

A Unesco ressalta a importância da Educação Sexual para tornar mais responsável, consciente e saudável a jornada dos jovens rumo à vida adulta.

Mudanças são necessárias

Informações, conversas e transparência quando o assunto é sexo começam a ganhar espaço. Para falar sobre sexo é preciso quebrar os próprios tabus. E é o que anda acontecendo. Fala-se cada vez mais sobre o assunto e o importante é que sejam falas construtivas e informações de fontes seguras.

Hoje se reconhece que viver situações conflitantes no que se refere ao sexo e ao prazer é uma forma de perder saúde. A falta de aceitação compromete a vida afetiva e prejudica muitos outros aspectos do cotidiano do indivíduo, gerando sentimentos de insatisfação e inadequação, que devem ser tratados.

Abandone expectativas irrealizáveis e não se prenda a padrões. Comece a mudança que deseja dentro de você e deixe de lado as pressões sociais. Busque o bem-estar em todos os aspectos, inclusive no sexual. Esta é uma iniciativa em que só existem ganhadores.

Procure um sexólogo e tenha um diálogo franco e aberto com ele. Permita-se ser você mesmo. Uma coisa é certa: mudanças boas virão.