HIV: o que é, sintomas, transmissão, prevenção e mais sobre o vírus da AIDS

Atualizado em 13 de agosto de 2018

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POR Vinicius de Vita Cavalheiro

A Aids (Síndrome da Imunodeficiência Humana, na sigla em inglês) é uma doença crônica que afeta o sistema imunológico e que, se não tratada corretamente, pode levar à morte. Ela é o estágio mais avançado da infecção pelo vírus HIV, que pode ser transmitido por via sexual, de mãe para filho, por transfusão de sangue, pelo compartilhamento de seringas ou em decorrência de acidentes ocupacionais.

A transmissão se dá pelo contato de uma pessoa saudável com fluidos corporais de uma pessoa infectada pelo vírus, mas isso somente quando o soropositivo não tiver a carga viral controlada pelo uso de antirretrovirais — o tipo de medicamento usado para reduzir a presença do vírus na corrente sanguínea.

A doença apareceu pela primeira vez no início da década de 1980, e no início ela era considerada um mal que acometia somente homens homossexuais. Com o tempo, porém, descobriu-se que qualquer pessoa pode contrair HIV, independentemente de orientação sexual, gênero, etnia, nacionalidade etc.

O que é HIV e o que é Aids?

Mesmo passados quase 40 anos desde que os primeiros casos foram registrados, ainda há muita informação equivocada sobre HIV e Aids sendo disseminadas por aí. Assim, é muito importante esclarecer alguns pontos-chave sobre o assunto.

O primeiro deles diz respeito à diferença entre HIV e Aids. Ao contrário do que muitos podem pensar, eles não são a mesma coisa. O HIV é o Vírus da Imunodeficiência Humana. A Aids, por sua vez, é a doença provocada pela ação deste vírus no longo prazo.

Nem todas as pessoas que contraem o vírus HIV irão desenvolver Aids. Essa realidade, porém, só foi possível graças aos esforços das autoridades de saúde pública do mundo inteiro, que ao longo dos últimos trabalharam para controlar a epidemia que já matou mais de 35 milhões de pessoas.

No início, por não haver tratamentos que controlassem a ação do HIV no organismo, contrair o vírus era praticamente uma sentença de morte. Hoje, felizmente, o cenário é o oposto. Seguindo o tratamento corretamente, uma pessoa soropositiva leva uma vida perfeitamente normal, como todas as outras.

Como o HIV age no organismo?

Como mencionamos acima, a Aids é uma doença caracterizada pelo enfraquecimento do sistema imunológico. Isso acontece porque o HIV se instala no interior das células de defesa e usam a estrutura celular para se multiplicar. Para isso, o vírus “inativa” as células responsáveis por proteger o organismo contra infecções — no caso, os linfócitos.

Quando um linfócito morre, não há tanto problema. O estrago maior, na verdade, é quando o número dessas células presentes na corrente sanguínea é tão baixo que o organismo fica praticamente sem defesa alguma. É neste momento, em que a imunidade já está bastante prejudicada, que se instala a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Como o HIV age muito lentamente, podem demorar anos até que os primeiros sintomas da Aids apareçam.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do HIV ocorre por meio do sangue, sêmen, líquido seminal (secreção que é liberada no início da ereção), fluidos vaginais e pelo leite materno.

Portanto, o vírus que causa a Aids só pode ser transmitido das seguintes formas:

  • Relações sexuais desprotegidas (sexo anal, sexo vaginal e sexo oral);
  • Transmissão vertical (ou seja, de mãe para filho durante a gestação, o parto ou na amamentação);
  • Transfusão de sangue;
  • Compartilhamento de seringas (prática muito comum entre usuários de drogas injetável, como a heroína);
  • Acidentes ocupacionais com material perfurante (como no caso de enfermeiros que acidentalmente entram em contato com material biológico de um paciente soropositivo).

O HIV NÃO pode ser transmitido por meio de:

  • Beijos;
  • Saliva;
  • Urina;
  • Fezes;
  • Lágrimas;
  • Suor;
  • Toque.

Quem NÃO transmite o HIV?

Nem todas as pessoas soropositivas são capazes de transmitir o vírus HIV. Isso graças aos intensos esforços pela adesão ao tratamento, que é feito com o uso de medicamentos antirretrovirais.

O remédio, como o próprio nome diz, age para eliminar o vírus da corrente sanguínea. Embora ainda não exista uma forma de eliminar completamente o HIV do organismo, uma vez que ele se esconde em um lugar da célula que ainda não se sabe onde é, retirá-lo de circulação reduz as chances de transmissão a praticamente zero.

É o que chamamos de carga viral indetectável. Em alguns casos, o nível de vírus presente na corrente sanguínea é tão baixo que quando o paciente refaz os exames de diagnóstico, o resultado pode ser negativo. Essas pessoas, que vivem com o HIV, já são chamadas pela comunidade médica internacional de intransmissíveis.

Sintomas do HIV e da Aids

A infecção por HIV tem 4 estágios:

  • Primeira fase: logo após a infecção, o vírus permanece indetectável dentro do organismo por cerca de 3 a 6 semanas (que é o tempo da chamada janela imunológica). Depois deste período, surgem sintomas muito parecidos com os da gripe, como febre e mal-estar;
  • Segunda fase: é o estágio assintomático da infecção, em que o vírus está ativo dentro do organismo e agindo silenciosamente enquanto destrói as células de defesa. Nesta fase, porém, o sistema imunológico ainda não dá sinais de enfraquecimento. Pode durar anos;
  • Terceira fase: o organismo começa a dar os primeiros sinais de baixa imunidade. Podem aparecer os sintomas iniciais da Aids, como febre intermitente, diarreias, sudorese noturna, cansaço e até quadros mais graves, como perda de peso, herpes e gengivite;
  • Quarta fase: o estágio mais avançado da infecção é a Aids, em que o sistema imunológico já está bastante comprometido. Aqui, é necessário tratamento urgente para reverter o quadro. Podem aparecer complicações de saúde graves, como pneumonia, tuberculose e câncer.

Grupos de risco

O termo “grupos de risco” não é mais utilizado. Hoje, entende-se que qualquer pessoa pode contrair HIV se adotar um comportamento considerado de risco — isto é, ter relações sexuais desprotegidas, compartilhar seringas etc.

No entanto, a OMS alerta que, para alguns grupos de pessoas, as chances de infecção pelo vírus da Aids é maior do que para outros. São as chamadas populações-chave para HIV. De acordo com o órgão internacional, elas são cinco:

  • Homens que fazem sexo com homens (HSH): aqui estão inclusos todos aqueles que eventualmente tenham relações sexuais com outros homens, e não somente homens homossexuais e bissexuais;
  • Profissionais do sexo: pessoas que trabalham no ramo da prostituição, tanto homens quanto mulheres;
  • Usuários de droga injetável: o compartilhamento de seringas é prática comum entre usuários de heroína e outras substâncias injetáveis. No Brasil, o consumo deste tipo de droga não é tão comum quanto nos Estados Unidos e em alguns países da Europa;
  • Pessoas transgênero: ações destinadas a este grupo de pessoas são necessárias principalmente no Brasil, em que quase 90% da população de mulheres transexuais e travestis estão na prostituição, de acordo com dados não oficiais da ANTRA, e onde a expectativa de vida é de somente 35 anos;
  • Presidiários: a concentração de HIV também é maior em local de reclusão de pessoas, como presídios.

Relatórios recentes da UNAIDS, o Programa das Nações Unidas para o combate ao HIV/Aids, mostram que a incidência do vírus tem crescido também entre outros grupos, como: mulheres casadas acima dos 60 anos, mulheres vítimas de violência sexual, crianças que já nascem com HIV e refugiados.

Diagnóstico de HIV

O vírus é detectado no organismo por meio de exames de sangue específicos. Eles podem ser feitos tanto em laboratórios particulares quanto em postos do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão espalhados pelos municípios. Neste, inclusive, também disponível o teste rápido para HIV, cujo resultado sai em apenas 2 horas.

Ao contrário do que muitos pensam, o serviço público voltado para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é muito melhor do que a média do país. Lá, o paciente realiza o teste e, após o resultado, passa pelo atendimento de um psicólogo.

Para saber onde fica o posto de saúde mais próximo, basta acessar a lista de Centros de Referência e Treinamento (CRT) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) de seu município.

Para os residentes no Estado de São Paulo, a relação das unidades de CRTs e CTAs está no site oficial da Secretaria Estadual de Saúde.

Nestes locais, também estão disponíveis testes gratuitos para sífilis, gonorreia e hepatites virais.

Como se previne o HIV?

O uso de preservativos é o método mais recomendado por autoridades de saúde pública como forma de prevenção ao HIV e a outras ISTs.

Quando falamos especificamente de HIV, porém, existem outros meios que já comprovaram ser tão eficientes quanto a camisinha. Estamos falando da Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

A PEP é como se fosse uma “pílula do dia seguinte” do HIV. Mas não é tão simples quanto. Trata-se de um tratamento emergencial a que você pode recorrer após uma relação sexual desprotegida.

Ela foi criada para atender vítimas de violência sexual, mas hoje qualquer pessoa que procure o serviço pode retirar o medicamento. Funciona assim: se durante o ato sexual o preservativo estourou, ou o casal acabou indo no embalo e deixou a camisinha de lado, você pode procurar um posto de saúde especializado (como os já citados CRTs e CTAs ou hospitais) em até no máximo 72 horas e explicar o ocorrido. O quanto antes você for, melhor, mas é preciso esperar pelo menos 2 horas.

Se você se encaixar no perfil para quem a PEP pode ser recomendada, você receberá gratuitamente um recipiente com 30 comprimidos antirretrovirais, que você deverá tomar por 28 dias consecutivos para evitar que a infecção pelo HIV ocorra.

Ao final deste período, é necessário retornar ao posto de saúde para fazer o exame de diagnóstico. O nível de eficácia deste tratamento é próximo aos 100% — desde que o medicamento seja usado corretamente, sem pular um único dia.

A PEP, porém, não pode ser usada como substituição à camisinha, pois provoca efeitos colaterais (que variam de pessoa para pessoa) e seu uso contínuo pode, ainda, levar à resistência do HIV ao antirretroviral utilizado.

Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

Ao contrário da PEP, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é recomendada para pessoas soronegativas que desejam ter uma proteção extra contra o HIV.

Ela consiste no uso de um medicamento antirretroviral, conhecido popularmente como Truvada, como forma de prevenção ao vírus da Aids. A depender do comportamento sexual do indivíduo e do grupo no qual ele está inserido, talvez seja indicado tomar um comprimido por dia.

Seguindo o tratamento corretamente, as chances de transmissão do HIV, mesmo sem o uso de preservativo, cai para próximo de zero. A recomendação, no entanto, é de não deixar a camisinha de lado, pois a PrEP protege somente contra HIV, e não tem eficácia alguma contra as outras infecções sexualmente transmissíveis.

Recentemente, o SUS incorporou à PrEP à lista de medicamentos distribuídos gratuitamente para a população. Para saber onde ela já está disponível, acesse a página oficial do serviço no site do Ministério da Saúde.