Hepatites virais: conheça as diferenças entre os tipos A, B e C

Atualizado em 04 de janeiro de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

As hepatites virais são doenças relativamente comuns na população brasileira, mas três tipos em especial são as que mais prevalecem: a hepatite A, hepatite B e a hepatite C.

O termo hepatite é usado quando se refere a qualquer processo inflamatório no fígado, provocado por substâncias químicas ou micro-organismos.

A inflamação pode ser provocada tanto por agentes biológicos (vírus, álcool ou fármacos) como físicos (radiação). Apesar de poderem apresentar características semelhantes, cada hepatite tem suas particularidades. Abaixo, vamos conhecer quais são as principais diferenças entre os três tipos mais comuns da doença.

Diferenças entre as hepatites virais A, B e C

As hepatites A, B e C são doenças causadas por três vírus diferentes. E cada letra corresponde justamente ao tipo de vírus que provoca a doença, sendo que eles atacam o fígado de forma diferente um do outro. Na realidade, ao todo existem 7 tipos diferentes de hepatites virais — do A até o G.

Referindo-se especificamente aos vírus causadores das hepatites mais comuns, eles são:

  • Hepatite A: vírus VHA;
  • Hepatite B: vírus VHB;
  • Hepatite C: vírus VHC.

Elas podem causar sintomas semelhantes entre si, mas se diferem no material genético, formas de transmissão e capacidade de provocar doença crônica (ou seja, na maneira e intensidade que afeta o fígado).

As pessoas com hepatite A costumam ter um tratamento mais simples que os pacientes que apresentam os demais tipos, e podem melhorar até mesmo sem que seja necessário tratar.

Já as hepatites B e C podem começar como uma infecção aguda, mas quando o vírus permanece no corpo sem o tratamento adequado, podem resultar em doenças crônicas e evoluir para problemas graves no fígado. Existem vacinas para os tipos A e B, mas para o tipo C ainda não.

Hepatite A

A transmissão da hepatite A acontece por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, principalmente. Também pode ser transmitida via relações sexuais desprotegidas.

Sintomas frequentes

  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia;
  • Cor amarelada na pele e na parte branca dos olhos (icterícia);
  • Escurecimento da urina.

O tratamento é eficaz em cerca de 99% dos casos, já que o tipo de infecção é leve. Ela pode ser curada naturalmente pelo organismo por volta de duas semanas a 1 mês após a infecção, e pode ser prevenida com vacina.

Hepatite B

A infecção por hepatite B geralmente acontece pelo sangue, seja por meio do compartilhamento de seringas não esterilizadas ou por meio de relações sexuais sem o uso de preservativos. O tipo B das hepatites virais já é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), uma vez que grande parte do número de infecções ocorre após o sexo desprotegido.

A doença pode permanecer em estado latente dentro do fígado por até 30 anos.

Sintomas frequentes

Os sintomas da hepatite B são praticamente os mesmos da hepatite A, diferenciando-se apenas na intensidade e gravidade. Veja:

  • Náuseas e vômito;
  • Diarreia;
  • Cor amarelada na pele e na parte branca dos olhos;
  • Escurecimento da urina.

Ao contrário do que acontece com o tipo A da doença, no entanto, o tratamento é fundamental para pacientes diagnosticados com hepatite B — e ele é eficiente em cerca de 50% dos casos. Aos poucos, os sintomas tendem a ir desaparecendo naturalmente.

Na outra metade dos casos, porém, a doença acaba se tornando um problema de saúde crônico, principalmente quando o diagnóstico é feito de forma tardia. Felizmente, já existem remédios que ajudam a controlar os sintomas.

O tratamento deve ser realizado com supervisão e cuidado, já que pode acarretar em alguns efeitos colaterais como a cirrose, o câncer de fígado e até a morte, dependendo do caso. Existe vacina e ela está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Hepatite C

O contágio no caso da hepatite C acontece pelo sangue contaminado (transfusões, seringas compartilhadas, procedimento odontológicos etc.) e também por meio do contato sexual. É uma forma bem mais preocupante de hepatite, uma vez que ela permanece latente no organismo por muitos até que surjam os primeiros sintomas.

Quando eles aparecem, porém, a infecção já está em um estágio muito avançado. O paciente pode desenvolver doenças graves como cirrose hepática, câncer no fígado e, se não controlada a tempo, a hepatite C pode levar até a morte.

Em grande parte dos casos, a doença é assintomática até mesmo quando o fígado já está bastante afetado. Quando os primeiros sintomas aparecem, porém, eles costumam ser bastante parecidos com os da hepatite A e B.

  • Náuseas e vômito;
  • Diarreia;
  • Fadiga e perda excessiva de peso;
  • Cor amarelada na pele e na parte branca dos olhos;
  • Escurecimento da urina.

A hepatite C é a maior causa de transplantes de fígado no mundo e ainda não há vacina. Em cerca de 80% dos casos, ela se torna crônica. O tratamento pode ser feito por meio de antivirais, que reduzem a capacidade do vírus de se replicar.

Prevenção das hepatites virais

Apesar de as hepatites se apresentarem de formas diferentes, existem algumas formas de prevenção que podem ser adotadas em conjunto e que previnem os três principais tipos.

  • Utilizar preservativos em todas as relações sexuais;
  • Evitar se banhar ou ingerir água de lugares que tenham saída de esgoto a céu aberto ou saneamento básico deficiente;
  • Usar seringas e agulhas e descartá-las logo depois;
  • Evitar contato com objetos (materiais) cortantes não esterilizados, como alicates de unha.

Os vírus das hepatites A, B e C são responsáveis pela forma aguda da doença. Caso não sejam combatidos, podem levar ao óbito por insuficiência hepática aguda ou evoluir para cirrose crônica.

Doença silenciosa

Em muitos casos, as hepatites podem se apresentar de forma silenciosa, ou seja, sem apresentar sintomas que chamem a atenção da pessoa. Esta, inclusive, é o maior obstáculo para o diagnóstico precoce das doenças, que é fundamental.

Em outros episódios, os sintomas manifestados podem ser confundidos com outras condições muito comuns, a exemplo da gripe.

Quanto antes descoberto o vírus, maior a eficácia do tratamento. Em casos avançados da doença, quando o fígado já está bastante debilitado, pode necessário realizar um transplante de fígado.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 325 milhões de pessoas no mundo vivem com infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB) ou pelo vírus da hepatite C (VHC). O relatório global sobre hepatites de 2017 mostrou que grande parte dessas pessoas não tem acesso aos testes e tratamentos fundamentais que podem salvar suas vidas. Assim, milhões de pessoas correm o risco da progressão para doença hepática crônica, câncer e até a morte.