Gonorreia: sintomas, tratamento e formas de transmissão

28 de novembro de 2017 ● POR Gabriela Simionato

A gonorreia é uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns que existem. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a bactéria Neisseria gonorrhoeae, causadora da doença, atinge cerca de 78 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

A infectologista Regia Damous, do Hospital e Maternidade São Luiz, explica que a gonorreia é caracterizada por infectar o canal da uretra, e por isso acaba sendo conhecida também pelo nome de uretrite gonocócica.

“Homens e mulheres podem contrair a doença, mas neles a infecção é mais sintomática e aparente, com saída de secreção purulenta pela uretra, ardor para urinar e eritema. Nas mulheres, a gonorreia pode ser assintomática ou pode ocorrer corrimento vaginal e dor nas relações sexuais”, esclarece a especialista.

A infecção é transmitida por relações sexuais sem o uso de preservativo.

Diagnóstico da gonorreia

Apesar de a gonorreia afetar homens e mulheres de formas diferentes, o processo de diagnóstico é o mesmo. Muitas vezes, somente a observação dos sintomas físicos já é suficiente para dizer se um paciente está com gonorreia mesmo ou não.

O problema é que às vezes a doença pode se manifestar de forma assintomática, mas quando os sinais surgem, eles costumam ser bastante característicos — principalmente na região genital.

“No pênis, os sintomas mais comuns da gonorreia são dor e ardência ao urinar, secreção de pus pela uretra e, em alguns casos, dor ou inchaço nos testículos”, explica Carolina Lázari, assessora médica para Análises Clínicas em Infectologia do Fleury Medicina e Saúde.

Ela continua: “Já na vagina, os sintomas mais comuns incluem o aumento no corrimento vaginal, que passa a ter cor amarelada e odor desagradável, dor e ardência ao urinar, sangramento fora do período menstrual, dores abdominais e dor pélvica”.

Segundo a especialista, a gonorreia também pode surgir em outras partes do corpo, como no reto, olhos, garganta e nas articulações.

Sintomas mais comuns da gonorreia

Confira abaixo a lista com os sintomas mais comuns da região genital que podem ajudar a diagnosticar um caso de gonorreia:

  • Dor e ardência ao urinar;
  • Secreção abundante de pus pela uretra;
  • Dor ou inchaço nos testículos;
  • Aumento no corrimento vaginal, que passa a ter cor amarelada e odor desagradável;
  • Sangramento fora do período menstrual;
  • Dores abdominais;
  • Dor pélvica.

Como é transmitida

A camisinha é a única forma de evitar a doença. Ela deve ser utilizada, inclusive, para sexo oral.

“A gonorreia se prolifera em áreas quentes e úmidas do corpo e pode ser transmitida por meio do contato oral, vaginal ou anal, inclusive de mãe para filho durante o parto ou quando ainda está dentro do útero”, alerta a ginecologista e especialista em saúde da mulher Clícia Quadros.

A falta de tratamento pode progredir para doença genital. “Na mulher, pode ocorrer a doença inflamatória pélvica, caracterizada por inflamação persistente do colo e do corpo do útero e podendo atingir o endométrio, as tubas uterinas e até mesmo levar a abscessos envolvendo essas estruturas e os ovários”, explica.

“No homem, a progressão da doença pode resultar em prostatite e orquite, uma inflamação dos testículos, também potencialmente relacionada à infertilidade. Em ambos os sexos, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea e provocar doença disseminada, que geralmente cursa com inflamação dos vasos sanguíneos, lesões de pele e inflamação com pus de uma ou mais articulações do corpo”, alerta Carolina Lázari.

Como tratar a gonorreia

Após o diagnóstico, o tratamento da gonorreia é feito via antibióticos, que podem ser ingeridos via oral ou intramuscular, dependendo de análise clínica da intensidade do vírus.

Mesmo após o fim do tratamento, é preciso continuar com o acompanhamento médico. “Há dois objetivos no tratamento de uma infecção sexualmente transmissível: o primeiro é curar a infecção do indivíduo, enquanto o segundo é interromper a cadeia de transmissão da doença”, analisa Carolina.

De acordo com eles e outros especialistas, visitas de retorno devem ser feitas mesmo depois que o uso dos antibióticos acabou.

“Isso é importante principalmente em caso de dor nas articulações, erupções cutâneas ou dores mais fortes na região pélvica ou abdominal. Também devem ser realizados exames para garantir que a infecção tenha sido curada. Obviamente, todos os parceiros sexuais do paciente com gonorreia devem ser contatados e examinados para evitar futuras transmissões da doença”, explica.


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