Como surgiu a Aids? Conheça todas as teorias

28 de novembro de 2017 ● POR

Faz quase 40 anos que o primeiro caso de Aids chegou aos noticiários. Apesar de hoje já existirem diversas formas de tratamento e a doença já não ser a sentença de morte que foi um dia, muitos mistérios ainda rondam a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Uma pergunta que os cientistas ainda tentam responder, por exemplo, é como surgiu a Aids e como ela rapidamente se tornou uma epidemia.

Diversas teorias surgiram ao longo dos anos para explicar seu surgimento, mas foi recentemente que descobriu-se que, na verdade, o HIV (vírus que provoca a Aids) é na realidade uma mutação do SIV — o vírus da imunodeficiência símia.

Porém, a dúvida que permanece é como esse micro-organismo foi parar nos seres humanos e, principalmente, como ele se adaptou ao nosso organismo para se transformar no HIV.

Teorias de como surgiu a Aids

Abaixo, conheça as teorias mais conhecidas de como surgiu a Aids e como a doença logo recebeu o status de epidemia.

Teoria do Paciente Zero

Levando em conta que toda epidemia tem um ponto de partida, começaram a busca pelo “paciente zero” da Aids — aquele que primeiro manifestou a doença e iniciou a cadeia de transmissão.

Em 1984, um levantamento do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos apontou o comissário de voo canadense Gaetan Dugas como o “responsável” pela disseminação do HIV pelo mundo, que era homossexual.

No início, quando a Aids ainda não era compreendida como uma doença que poderia infectar qualquer pessoa independentemente de orientação sexual, ela era conhecida como “câncer gay”, uma vez que a maioria dos casos que chegava à mídia era de homens homossexuais que apareciam com os sintomas clássicos da síndrome: diarreia, emagrecimento extremo e muitas manchas pelo corpo.

Dugas, que era homossexual e morreu de Aids, recebeu a alcunha de “paciente zero da Aids” por ter tido diversos parceiros sexuais ao longo da vida e também por causa de sua profissão, que facilitava o contato com homens de todo mundo.

Hoje, sabe-se que a doença chegou aos Estados Unidos muito antes de ele ter aparecido com a doença. É o que mostra um estudo recente publicado na revista Nature, que aponta casos de Aids em território norte-americano ainda na década de 70 — antes de qualquer passagem do comissário pelo país.

Teoria do Caçador: a mais aceita

Todas as teorias, até mesmo as que já foram descartadas, dão conta de que o HIV é uma mutação do SIV e que, de alguma forma, o vírus símio sofreu mutação para um que se alojasse perfeitamente no corpo humano.

Diversas pesquisas também já indicam que o próprio SIV surgiu a partir do cruzamento de diferentes espécies animais até chegar aos chimpanzés — o que por si só já mostra a facilidade com que esse tipo de vírus tem para se adaptar a organismos diferentes.

De todas as teorias que surgiram desde o início da epidemia de Aids, a mais aceita hoje em dia é a Teoria do Caçador, desenvolvida em 1999 por pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.

Ela diz que o HIV surgiu a partir do contato direto do ser humano com a carne de um chimpanzé infectado pelo SIV. O “paciente zero”, no caso, teria sido um caçador que matou o animal na região de Camarões, na África, e depois se alimentou dele. A data exata de quando isso teria acontecido, porém, permanece desconhecida, mas acredita-se que tenha sido entre 1910 a 1950.

Também não se sabe ao certo como o organismo do caçador não combateu a infecção do SIV e de que maneira o vírus misturou seu material genético com o do homem e, assim, transformou-se no HIV que é transmitido entre seres humanos.

A teoria diz que, a partir do momento em que house a mutação, o vírus teria se espalhado pelo continente africano — talvez já por meio do contato sexual.

Teoria da Vacina

A Teoria da Vacina é uma tese desenvolvido pelo jornalista Edward Hooper, que sugere que o HIV também teve origem no SIV, mas se proliferou após um programa de vacinação contra a poliomielite na África, que teria acontecido no fim dos anos 50.

À época, a vacina precisava ser cultivada e mantida no tecido de algum ser vivo, e, segundo a teoria, isso teria acontecido dentro do rim de um chimpanzé infectado por SIV, que acabou contaminando a vacina e posteriormente infectando os que a receberam.

Com o tempo, essa teoria acabou sendo refutada, já que descobriu-se que as vacinas eram aplicadas via oral, o que, portanto, teria sido insuficiente para contaminar alguém.

Mais tarde, já em 2000, a fábrica que ajudou a produzir a vacina na época afirmou ter encontrado uma amostra da vacina usada. Ela foi testada e não foi encontrado nenhum vestígio de HIV ou de SIV.

Teoria da Seringa Contaminada

Durante a década de 1950, o uso de seringas descartáveis começou a ser muito utilizado, já que era um meio bem mais barato e seguro de se administrar medicamentos intravenosos. Porém, a grande demanda por seringas na África e o surgimento de cada vez mais programas médicos tornou a compra das seringas muito cara, o que poderia ter influenciado o reaproveitamento de seringas já utilizadas anteriormente.

O que teria acontecido, portanto, é uma seringa aplicada num paciente que já era soropositivo, acabou sendo reutilizada em um paciente saudável, infectando-o e dando início à cadeia de transmissão do HIV.

Essa teoria, porém, já foi descartada, pois não encontrou nenhum respaldo da comunidade médica e científica, além de não ter tido estudos que a comprovassem.

Teoria do Colonialismo

A Teoria do Colonialismo tem conexão com a do Caçador, já que elas partem do mesmo ponto. Em 2000, o norte-americano Jim Moore, especialista em comportamentos de primatas, publicou um estudo em que diz que o imperialismo europeu na África fez com que a contaminação pelo vírus da Aids se iniciasse em grandes proporções.

A colonização de diversos países africanos teria sido, na visão dele, fundamental para disseminar a doença entre os que viviam por lá e por estrangeiros que estavam no continente.

Ele se apoia no fato de que, durante o imperialismo, foram montados diversos campos de trabalho forçado que utilizavam da mão de obra de africanos para extrair minérios e pedras preciosas que existiam por lá.

Estudos também já mostraram que havia a presença de profissionais do sexo nos campos para dar prazer aos escravos como forma de evitar rebeliões — o que teria facilitado a disseminação do vírus, originalmente contraído por meio da alimentação da carne de um chimpanzé.

A teoria, entretanto, acaba não tendo fundamentação em evidências, já que registros e boletins médicos foram destruídos.

Teorias da Conspiração

Como não poderia deixar de ser, também surgiram diversas teorias da conspiração para explicar como surgiu a Aids. A principal delas diz que o HIV, na realidade, foi criado em laboratório para exterminar negros e homossexuais — e dada a perseguição aos gays no início da epidemia e a total inércia do governo norte-americano em criar políticas para barrar a disseminação do vírus, a tese conspiratória é até bem recebida.

Para os defensores dessa teoria, o governo teria desenvolvido o HIV como arma biológica, mas não sabia que heterossexuais também poderiam adquirir o vírus e manifestar a doença depois.

Até mesmo nomes renomados da ciência são do time da conspiração. O bioquímico alemão Peter Duesberg, por exemplo, acredita também que o HIV é um vírus inofensivo e que ele não é capaz de provocar Aids. Para ele, a síndrome teria sido causada pelo uso contínuo de medicamentos e da nutrição inadequada da população. O que teria estimulado o desenvolvimento da doença, ainda na visão dele, é justamente o uso dos antirretrovirais — uma das principais fontes de receita da indústria farmacêutica nos Estados Unidos até hoje.