Como se pega HIV? Conheça as formas de transmissão e previna-se

01 de dezembro de 2017

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POR Bruno Botelho dos Santos

Apesar de parecer óbvio para alguns, não é todo mundo que sabe como se pega HIV. Ainda hoje, resiste o pensamento de que pessoas soropositivas são “perigosas” e que deve-se evitar contato próximo com quem tem o vírus da Aids para não “pegar” também.

Muita coisa mudou desde que os primeiros casos da doença surgiram, no início da década de 80, principalmente no que diz respeito à qualidade de vida de quem contraiu o vírus.

Se antes receber o diagnóstico positivo para HIV era uma verdadeira sentença de morte, hoje é perfeitamente possível viver bem e com saúde mesmo sendo soropositivo — graças a terapias antirretrovirais e a políticas públicas que facilitaram o acesso aos medicamentos.

O estigma que acompanha essa população, porém, resiste até os dias de hoje. Não se considera a Aids mais o “câncer gay”, pois já se sabe que o vírus pode entrar no organismo de qualquer pessoa que tiver uma situação de risco.

Mas mesmo entre as situações de risco, alguns mitos também resistiram ao tempo. Por isso, separamos abaixo todas as formas de transmissão do vírus da Aids para você saber exatamente como se pega HIV e como não se pega. Continue lendo!

Afinal, como se pega HIV?

O vírus HIV só pode ser transmitido quando ele está presente nos fluidos corporais — e a maior concentração de HIV está no sangue, no sêmen e nos fluidos vaginais.

As formas mais comuns de transmissão do HIV são:

Relações sexuais desprotegidas

  • Sexo oral sem camisinha: é considerado de baixo risco, mas as chances aumentam se ocorre ejaculação na boca;
  • Sexo anal sem camisinha: é o tipo de sexo mais suscetível à infecção pelo vírus;
  • Sexo pênis-vaginal sem camisinha: ainda que ocorra em números relativamente mais baixos se comparado com outras formas de transmissão, a transmissão também pode ocorrer.

Transmissão vertical

A transmissão vertical é o nome dado à transmissão de HIV de mãe para filho. Ela pode ocorrer ainda durante a gestação, durante o parto e até por meio da amamentação.

Não é toda mulher soropositiva, porém, que transmite o vírus para o bebê. Há formas de evitar, desde que se inclua o tratamento para HIV no pré-natal e se faça o devido acompanhamento médico durante todo o período da gravidez.

Hoje, este é um dos principais objetivos das entidades de saúde pública internacionais: zerar o número de transmissões verticais.

Contato direto com o sangue infectado

  • Uso compartilhado de seringas contaminadas: comum entre usuários de drogas injetáveis, principalmente na Europa e nos Estados Unidos;
  • Transfusão de sangue: pouco provável hoje em dia graças às técnicas de triagem desenvolvidas;
  • Acidentes de trabalho: comuns com médicos e enfermeiros, que podem entrar em contato com o sangue de pacientes soropositivos ou se cortar com uma seringa.

Tabela de riscos de transmissão

 

Tipo de exposição Risco (por 10.000 exposições)
Parentérica¹
Transfusão de sangue 9.250
Compartilhamento de seringas para uso de drogas 63
Percutâneo (com agulha) 23
Sexual
Sexo anal receptivo² 138
Sexo anal insertivo³ 11
Sexo pênis-vaginal receptivo 8
Sexo pênis-vaginal insertivo 4
Sexo oral receptivo baixo
Sexo oral insertivo baixo

¹ Parentérica = Cuja administração é feita por qualquer via que não seja a oral ou intestinal
² Receptivo = o que está recebendo a ação (passivo)
³ Insertivo = o que está ativo na ação

Condições para que ocorra a infecção

Para que ocorra a possível transmissão do vírus HIV, são necessárias algumas condições. A primeira delas, e a mais óbvia também, é que a transmissão do HIV ocorre de uma pessoa que já tem o vírus para uma pessoa saudável.

Porém, de acordo com a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, há pelo menos duas outras condições fundamentais para que a chamada “soroconversão” ocorra — que é quanto uma pessoa soronegativa é infectada pelo HIV e se torna soropositiva. Veja quais são elas:

  • O vírus deve entrar na corrente sanguínea para que a infecção ocorra. É importante ressaltar, neste ponto, que entrar em contato com um fluido que contenha o vírus HIV, como encostar o dedo, não é suficiente para provocar a infecção;
  • É necessário também que haja uma quantidade suficiente do HIV no fluido corporal para que a infecção ocorra.

Mitos sobre a transmissão do HIV

As únicas formas de transmissão do vírus HIV são por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, transfusão de sangue, acidentes ocupacionais (contato com material biológico em objetos perfurantes ou cortantes) e por meio da transmissão vertical, que acontece da mulher gestante para o bebê durante a gravidez, no parto ou durante a amamentação.

A transmissão acontece por meio do compartilhamento de fluidos corporais de uma pessoa que já tem o vírus para outra que não tem. Esses fluidos são sangue, sêmen e líquidos seminal e vaginal.

Existem, porém, alguns fluídos corporais que não têm concentração de vírus capaz de provocar a infecção. Eles são:

  • Urina
  • Saliva
  • Lágrimas
  • Fezes
  • Suor

Outro mito que ainda resiste ao tempo é o de que pessoas soropositivas devem separar seus pertences pessoais dos de seus familiares. O vírus não pode ser transmitido dessa maneira, mesmo porque o HIV não sobrevive fora do corpo humano por muito tempo. A convivência de uma pessoa que vive com HIV com outras pessoas, portanto, deve ser normal e encarada com naturalidade por todos.