Transtorno bipolar: fases, sintomas, formas de tratamento e como conviver

15 de fevereiro de 2019

|

POR Vinícius De Vita

O transtorno bipolar, também chamado de bipolaridade, doença bipolar, distúrbio bipolar ou doença maníaco-depressiva, é uma condição mental grave caracterizada pela alternância de humor entre a depressão (com momentos de profundo desânimo) e a mania (marcada por episódios de intensa euforia).

Afeta igualmente homens e mulheres e costuma ter início na adolescência ou até mesmo depois dos 30 anos. Pode manifestar-se de várias formas, uma vez que existem diferentes tipos da doença, e os episódios de oscilações de humor também podem ocorrer em espaços de tempo variados – podendo durar dias, meses, anos ou ser ainda mais raros.

Não há cura para transtorno bipolar, mas é possível controlar os sintomas por meio do uso de alguns medicamentos específicos e de acompanhamento psicológico constante. A frequência da alternância de humor também varia muito de acordo com o tratamento: quando feito corretamente, os episódios tendem a ser cada vez mais raros.

Toda variação de humor é bipolaridade?

Muitas pessoas costumam se referir a variações de humor naturais do dia a dia como “bipolaridade”. É importante desfazer este mito. Todos têm momentos de euforia e de tristeza e alguns também podem oscilar rapidamente de um para o outro.

Isso, porém, não quer dizer que seja necessariamente um caso de transtorno bipolar. Para que a doença seja de fato diagnosticada, é preciso passar primeiro pela avaliação de um psiquiatra, que poderá identificar se o paciente passa pelas fases do distúrbio ou se os sintomas apresentados correspondem a outra doença.

Fases do transtorno bipolar

Muito por causa do nome, existe a crença de que o transtorno bipolar se resume a duas fases: uma de euforia ou alegria extremas e outra de tristeza. Na realidade, os episódios da doença apresentam características mais complexas e, portanto, difíceis de identificar.

Podemos classificar as fases do transtorno em três: mania, depressão e hipomania. Conheça um pouco sobre cada uma delas:

Mania

É a fase do distúrbio em que o paciente fica eufórico e muito alegre sem que haja um motivo para isso. Ele também pode estar irritável, apresentar um senso de humor arrogante e ter até mesmo episódios repentinos de fúria.

Depressão

Ao contrário da chamada fase “maníaca”, o paciente apresenta sintomas típicos da depressão nesta fase do distúrbio. Falta de energia, prazer ou vontade de fazer coisas, tristeza profunda, alteração no apetite, dificuldade para se concentrar e problemas de sono são alguns sintomas comuns.

Hipomania

Esta fase é marcada por um estado de euforia menos intensa e que traz menos prejuízos ao paciente, o que pode fazê-la passar despercebida.

O problema é que muitas pessoas que apresentam a fase hipomaníaca acabam evoluindo posteriormente para a fase maníaca e, por não apresentarem sintomas tão graves, podem acabar negligenciando o tratamento e prejudicando, desta forma, suaa estabilização.

Quais são os sintomas do transtorno bipolar?

O principal sintoma de bipolaridade é a variação drástica de humor, a qual pode ser manifestada de diversas formas. Abaixo, conheça algumas delas, de acordo com a sua respectiva fase da doença.

É importante ressaltar, porém, que nem todo paciente apresentará cada um dos sinais listados, visto quesão somente algumas das formas pelas quais o transtorno pode se manifestar.

Mania

  • Hiperatividade
  • Aumento da energia
  • Fala acelerada
  • Pensamentos acelerados
  • Autoestima muito elevada
  • Agitação
  • Irritabilidade
  • Compulsão alimentar
  • Temperamento oscilante
  • Senso de humor jocoso
  • Distração
  • Falta de sono
  • Aumento da libido

Depressão

  • Desânimo
  • Tristeza profunda
  • Fadiga
  • Falta de energia
  • Baixa autoestima
  • Insônia ou excesso de sono
  • Falta de apetite
  • Dificuldade de concentração
  • Perda de interesse em atividades cotidianas ou que antes eram prazerosas
  • Pensamentos sobre suicídio
  • Abuso de substâncias, como álcool e outros tipos de drogas

Quando ocorrem as oscilações de humor?

Não há como prever uma frequência para o paciente apresentar as oscilações de humor características do distúrbio bipolar. No entanto, há diversos estudos científicos que mostram que esses episódios podem variar de acordo com a estação do ano.

Muitos pacientes podem apresentar episódios da fase maníaca em estações mais quentes, como Verão e Primavera. Já a fase depressiva é mais comum em estações mais frias – Inverno e Outono. Mas, para outros, pode acontecer exatamente o oposto.

Da mesma forma, as oscilações podem ser mais frequente para algumas pessoas do que para outras. Em média, estima-se que os episódios ocorram cerca de quatro ou cinco vezes ao ano. Mas também podem acontecer diariamente, dependendo do paciente.

Como é o diagnóstico?

Os sintomas iniciais geralmente são percebidos por pessoas que fazem parte do convívio do paciente, como amigos e familiares próximos.

Os sinais devem ser relatados a um especialista – de preferência um psiquiatra ou psicólogo –, que é quem irá avaliar a pessoa com atenção e, se julgar necessário, encaminhá-la para realizar alguns exames.

De início, o objetivo destes testes é eliminar possíveis outras causas dos sintomas. Começa-se por exames simples de rotina, como os de sangue e de urina. Depois, o paciente é encaminhado para avaliação psicológica.

Não há uma forma certeira de determinar que é de fato um caso de transtorno bipolar, pois não há anormalidade física ou biológica intrínseca à doença. Tudo depende da avaliação do especialista.

Tratamentos possíveis

O tratamento para transtorno bipolar deve durar até o médico que acompanha o paciente entender que os sintomas já foram estabilizados e que não há motivos para dar prosseguimento. Isso costuma demorar alguns anos – e, em alguns casos, pode durar a vida toda.

O acompanhamento é parte essencial do tratamento e é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente formada por psiquiatras, psicólogos e neurologistas. Juntos, eles procuram entender a origem e os gatilhos das oscilações de humor para, assim, determinar o tratamento mais adequado ao paciente.

Em geral, a abordagem mais comum é o uso de medicamentos indicados especificamente para controlar de alterações de humor. Em casos extremos, hospitalização também pode ser indicada, embora não seja tão comum.

Quando os sintomas já estão estáveis, o foco do tratamento concentra-se em garantir que continue assim. Os medicamentos vão sendo reduzidos aos poucos até que se tenha segurança de que os sintomas não vão aparecer mais.

Então transtorno bipolar tem cura?

Sim e não. Ainda que, após determinado tempo de tratamento, os sintomas da doença estejam estabilizados, é importante não interromper o uso dos medicamentos a não ser que o médico diga que não há problema em fazê-lo.

É possível controlar as alterações de humor, mas não há garantia de que, mesmo após a interrupção total do tratamento, os sintomas não irão voltar.

Como conviver bem com o transtorno?

Em meio ao tratamento, é essencial que o paciente mantenha um estilo de vida saudável e que procure ao máximo se afastar daquilo que possa, eventualmente, provocar episódios de oscilação de humor.

A melhor maneira de fazer isso é praticando exercícios físicos com regularidade, abandonando vícios (cigarro, álcool e outros tipos de drogas), procurando não se afastar de pessoas próximas, estabelecendo uma rotina de sono saudável, alimentando-se bem e comprometendo-se com o tratamento.