Síndrome do pânico: o que é, causas, sintomas e como tratar

08 de setembro de 2017

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POR Lucas Coelho

Sensação injustificada, repentina e intensa de medo, assim é a síndrome do pânico, transtorno de ansiedade marcado por sintomas físicos e emocionais que prejudicam a qualidade de vida. Todas as pessoas estão sujeitas a enfrentar o problema, mas é preciso saber diferenciá-lo de outras condições. Entenda:

O que é síndrome do pânico?

Síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade marcado por ataques repentinos de medo.

Todos experimentam sentimentos de ansiedade e pânico em determinados momentos, visto que são respostas naturais a situações estressantes ou perigosas, mas alguém com transtorno do pânico apresenta tais emoções regularmente e a qualquer momento, muitas vezes sem motivo aparente.

Ataque de pânico x síndrome do pânico

A síndrome é uma patologia mental, já o ataque é uma consequência dessa patologia e pode ocorrer por diversas causas: outras síndromes psiquiátricas, doenças como a hipoglicemia ou transtorno de estresse pós-traumático.

Em outros termos, a síndrome se caracteriza por ataques frequentes em repentinos e não por episódios isolados.

Causas

O medo intenso é gerado pela ativação espontânea do sistema de luta e fuga, que é composto por estruturas do sistema nervoso, como a adrenalina.

O fenômeno pode ser causado por padrões genéticos, estresse e fatores ambientais que levam o organismo a interpretar sensações inofensivas como ameaças.

Cada crise geralmente dura menos de 30 minutos, porém, entre os picos de pavor, há um constante pressentimento de insegurança que pode afetar bastante a vida do indivíduo, que passa a evitar certos lugares e situações, limitando suas experiências de convívio.

Fatores de risco

A síndrome do pânico afeta cerca de 2% da população e geralmente seus primeiros sintomas aparecem em pessoas entre 20 e 30 anos, principalmente mulheres.

Pessoas com histórico familiar ou pessoal da doença estão mais propensas a desenvolvê-la, porém o desencadeamento pode ocorrer por temperamento ansioso de base, enfrentamento de adversidades, estresse e experiências traumáticas.

Sinais e sintomas

Sintomas psicológicos

  • Sensação súbita e repetida de ansiedade e medo;
  • Sentimento de estar fora de controle;
  • Medo da morte ou de desgraças

Sintomas físicos

  • Palpitação
  • Sudorese
  • Calafrios
  • Tremores
  • Falta de ar
  • Fraqueza
  • Tontura
  • Formigamento nos braços e mãos
  • Dor ou aperto no peito
  • Dor no estômago
  • Náusea

Diagnóstico

Como a frequência e intensidade dos ataques pode piorar caso não haja procura de ajuda médica, é recomendado procurar ajuda de um psicólogo e psiquiatra o quanto antes.

Na consulta, o profissional ouvirá a história do paciente e, embora na maior parte das vezes o diagnóstico seja clínico, poderá pedir exames para descartar condições que aumentem as respostas ansiosas.

Critérios

O diagnóstico confirma a síndrome do pânico se preencher os seguintes critérios:

  • Ataques de pânico não são causados por substâncias químicas;
  • Ataques são repentinos e frequentes;
  • Ao menos uma crises é acompanhada de medo e angústia, além de sensação de perda de controle;
  • Paciente evita lugares e situações que possam gerar novas crises.

Tem cura?

O transtorno do pânico é curado em alguns casos com o tratamento adequado, mas em outros pode voltar a se apresentar mediantes situações estressantes e traumáticas.

Tratamento de síndrome do pânico

A boa notícia é que, uma vez identificada, a síndrome do pânico é relativamente simples de controlar. Os ataques podem ser amenizados com remédios e terapias.

O processo mais complicado, em certas ocasiões, é fazer o paciente chegar a um especialista, já que algumas pessoas são encaminhadas a um consultório psiquiátrico somente após terem acionado os serviços de emergência diversas vezes.

Remédios

Durante o tratamento, alguns medicamentos são prescritos para desativar a excitação da fase aguda dos ataques, como ansiolíticos tarja preta – por exemplo, o Rivotril.

Gradualmente, ao longo dos meses, o número de remédios vai diminuindo, e o paciente entra numa fase chamada de “manutenção”, na qual ele consome apenas um medicamento, em geral algum tipo de antidepressivo.

Em alguns casos se consegue adormecer completamente os sintomas e realizar o desmame total. Nessas situações, o paciente passa por uma observação ambulatorial, para confirmar se realmente está com o transtorno controlado.

Psicoterapia

A terapia com psicólogo se mostra bastante eficiente pois muda os padrões ansiosos de pensamentos que desencadeiam a síndrome do pânico. Existem diversas abordagens, sendo a mais recomendada a Cognitivo-Comportamental.

Complicações possíveis

A síndrome do pânico sem tratamento pode resultar em prejuízos para diversas esferas da vida, como social, amorosa e profissional, além de outros transtornos de cunho psiquiátrico, como agorafobia, depressão, abuso de drogas, tabagismo e alcoolismo.

Prevenção

Não há como evitar a síndrome do pânico.

Fontes

Psiquiatra Victor Pablo, da Clínica Holiste de Salvador com especialização pela Associação Brasileira de Psiquiatria

NIMH. Panic Disorder. Disponível em: www.nimh.nih.gov/health/publications/panic-disorder-when-fear-overwhelms/index.shtml