O que é paranoia? Entenda seus tipos, sintomas e tratamentos

Atualizado em 04 de agosto de 2020

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POR Mariana Amorim

Transtornos mentais acometem milhares de pessoas no mundo. Há alguns mais comuns, como a ansiedade, a depressão e a esquizofrenia e outros menos frequentes, como a paranoia. Mas você sabe exatamente o que é esse problema?

“A paranoia é um termo que se usa para falar sobre a desconfiança exagerada ou injustificada que surge para algumas pessoas. É diferente de estar desconfiado de uma situação”, explica Pedro Katz, psiquiatra da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por ser uma doença séria, esse é um problema que precisa de cuidados e acompanhamento médico para devolver ao paciente sua tranquilidade mental. Entenda.

O que é?

Paranoia é presenciar uma desconfiança exagerada ou injustificada que surge para algumas pessoas. É diferente de estar desconfiado de uma situação. Essa desconfiança está baseada um quadro de desconfiança patológico injustificada.

Para entender, médicos analisam o histórico de vida da pessoa e analisa sua relação com situações diversas. Além disso, o problema pode ser uma doença crônica, que deixa pessoas incapacitadas, com alteração do juízo crítico e manifestações como delírios e alucinações, apatia e dificuldade de expressar humor ou afeto.

Tipos de paranoia

Por ser um problema complexo, há diferentes graus e quadros de paranoia. Alguns, bem leves, podem ser discretos, apenas visíveis em momentos específicos de “explosão”. Em casos graves, pode ser chamada de psicose, como a esquizofrenia, que é um distúrbio delirante onde uma pessoa tem ideias não estruturadas.

Transtorno de personalidade paranoide (TPP)

“O TPP é uma condição que compromete a confiança das pessoas. Pacientes com o transtorno têm uma desconfiança intensa dos outros e acreditam que as pessoas ao seu redor querem prejudicá-los, enganá-los”, comenta o especialista.

No geral, não há justificativa para esses sentimentos, as pessoas se mostram desconfiadas no curso da vida e tomam medidas protetivas a partir dessa desconfiança. Estão sempre procurando um indício de que as pessoas estejam agindo com segundas intenções.

Além disso, são pacientes que tendem a ter muita dificuldade com as pessoas, especialmente no trabalho, já que se isolam porque querem se preservar. Não costumam procurar auxílio e acreditam que existe um complô constante sobre elas.

Raramente essas pessoas são diagnosticadas apenas com TPP. Costumam ter outros transtornos, como ansiedade, estresse pós-traumático, consumo excessivo de bebidas ou outros transtornos de personalidade.

Distúrbio delirante paranoide

“Bastante semelhante ao caso anterior, o distúrbio delirante é uma condição de pessoas que têm pensamentos sobre como o mundo se refere a ela, mesmo que não tenha base para conclusões”, revela Pedro.

Assim, a pessoa acredita em uma perseguição que é difícil de ser questionada. Por mais que existam contra-argumentos ou evidências de que nada aconteceu, o paciente continua acreditando que pessoas o observam, seguem e invejam. É um quadro que pode ser tratado e mostra evolução.

Esquizofrenia paranoide

“Já a esquizofrenia é um quadro mais grave e intenso. Pessoas com essa condição apresentam surtos que distorcem o mundo real em alucinações e delírios. Seus sintomas costumam ser apatia e isolamento, sendo que o paciente não demonstra reações comuns, tendo comportamentos desajustados”, diz o médico.

Em momentos de crise, vozes surgem e a mania de perseguição fica intensa. Essas pessoas não conseguem ter relações completamente normais com as pessoas ao seu redor e mesmo em tratamento, podem ainda assim apresentar sintomas intensos.

Fatores de risco

Fatores genéticos

Ainda há muitas questões sobre como a paranoia pode ser causada por fatores genéticos. Alguns médicos acreditam que a esquizofrenia pode, de fato, ser causada por uma mutação de genes.

“A gente já sabe que a esquizofrenia é uma doença que tem uma genética. Ela tem um gene, uma vulnerabilidade genética. Quando você tem o gene, você tem uma predisposição”, comenta o psiquiatra. Nesses casos, o que pode desencadear a doença pode ser algo pequeno, mas algo grande também.

Fatores bioquímicos

Também há dúvidas quanto aos efeitos de bioquímicos serem desencadeadores de paranoia. Um exemplo de desencadeador é o uso de drogas em fases sensíveis do desenvolvimento, como durante a adolescência.

“Maconha, anfetaminas, cocaína e LSD são algumas das substâncias que podem ajudar o quadro a se intensificar, quando o paciente já tem essa predisposição”, esclarece.

Estresse

Para quem já tem predisposição, momentos de estresse também podem ajudar a doença a se mostrar de forma mais efetiva. Perdas inesperadas, acidentes traumáticos e outros episódios de estresse intenso são alguns dos acontecimentos observados.

Sintomas de paranoia

Os três principais sintomas da paranoia são:

  • Medo exagerado de que algo ruim vai acontecer
  • Sentimento de perseguição excessivo
  • Receios dos fatores acima sem fundamento

Sendo assim, os principais sinais da doença são as sensações de ameaça de outras pessoas e até objetos.

Os pacientes ainda podem relatar com frequência que estão sob ameaça de morte, que alguém quer fazer mal fisicamente a eles, que querem roubá-lo ou enganá-lo, além de difamá-lo. Sempre de forma infundada.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por médicos que estudam e tratam os transtornos mentais, mais especificamente psiquiatras. Eles podem avaliar o histórico do paciente, conversando com a pessoa que está lidando com o problema e com familiares.

Além disso, para chegar a conclusões mais assertivas, esses especialistas costumam pedir exames como tomografia e ressonância para concretizar seus diagnósticos.

Qual profissional procurar?

Os melhores profissionais para ajudar e diagnosticar problemas de transtorno mental são os psiquiatras e psicoterapeutas. Além deles, psicólogos também são indicados, porque podem avaliar o comportamento do paciente e direcioná-lo a demais médicos para um tratamento com remédios quando é o caso.

Tratamento da paranoia

As maneiras de tratar a paranoia variam de acordo com o quadro de cada paciente. Em casos leves, é recomendado um acompanhamento específico que vai ser completamente diferente dos casos graves, como aqueles de esquizofrenia.

Medicamentos

Medicamentos serão indicados para controlar e ajudar os pacientes a entender melhor sua realidade e não deixar sua mente bagunçar sinais reais e ilusórios.

Em casos leves, os remédios podem tirar completamente os sintomas. Já os casos mais graves podem auxiliar no controle de crises, mas não necessariamente irão eliminar qualquer resquício da doença.

Psicoterapia

A terapia é essencial para qualquer caso. Um acompanhamento e tratamento psicoterapêutico ajuda os pacientes a entenderem o que acontece ao seu redor.

Além disso, os sintomas com relação a perseguição e desconfiança podem amenizar com a ajuda de terapeutas, que fazem com que os pacientes entendam melhor os sentimentos e suas causas.

Prevenção

A melhor maneira de prevenir a doença é estar atento aos sinais e pedir ajuda quando perceber que há um comportamento estranho. A terapia também é uma das melhores maneiras de promover autoconhecimento e prevenir para que a paranoia não surja de forma abrupta.

Além disso, pessoas que possuem familiares que já passaram por episódios de paranoia ou esquizofrenia são as que devem tomar maior cuidado e estar em contato com médicos psiquiatras para garantir que não desenvolvam o problema.

 

Fontes

Psiquiatra Pedro Katz, da Beneficência Portuguesa de São Paulo – CRM 41.379/SP