TDAH: o que é, causas, sinais e tratamentos

Atualizado em 12 de julho de 2019

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POR Lucas Coelho

O problema é classificado como um transtorno de neurodesenvolvimento, grupo ao qual pertencem também os transtornos motores, de comunicação e de aprendizado.

Por se tratar justamente de um transtorno, não há cura para TDAH, mas há formas de tratar e controlar os sintomas. Muitos também costumam confundi-lo com DDA, que é o Distúrbio de Déficit de Atenção, mas são coisas distintas.

O que é TDAH?

O TDAH é resultado de alguns problemas no funcionamento de regiões do cérebro que determinam a inibição do indivíduo, sua memória de trabalho, sua capacidade de planejamento e outras atividades. A consequência direta disso é que a pessoa passa a apresentar constantemente sinais de desatenção, impulsividade e agitação.

A parte frontal do cérebro é a mais afetada nestes casos. A região é chamada lobo-frontal e tem a tarefa de inibir comportamentos inadequados, trazer autocontrole, desenvolver a atenção e organização do indivíduo.

Estudos científicos recentes têm mostrado que os neurotransmissores dopamina e noradrenalina — responsáveis por fazer a ligação química do lobo-frontal com o resto do cérebro — apresentam comportamento incomum em pessoas que sofrem deste transtorno.

Causa genética

Apesar de as causas do TDAH ainda não terem sido completamente identificadas, o consenso geral é de que a genética é o principal fator que determina o desenvolvimento do sistema nervoso central.

Por mais que o ambiente de vida possa influenciar na forma de uma criança lidar com o transtorno, isso não é suficiente para levar à cura ou até desenvolver o TDAH em uma pessoa.

Assim, os médicos se debruçam sobre a ideia de que sua origem é genética, mas ainda não conseguem listar fatores que possam aumentar as chances de um indivíduo nascer com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

TDAH ou DDA?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é muitas vezes chamado de Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA). Os termos costumam ser encarados como sinônimos, mas isso está errado.

De acordo com a presidente da Associação Catarinense de Psiquiatria, Lílian Schwanz, é preciso cuidado ao atribuir  aos dois o mesmo significado.

“Quando alguém fala que está com ‘déficit de atenção’, isso pode significar várias coisas. É como dizer ‘estou com dor de cabeça’. Podem haver diversas causas para o sintoma, desde um simples cansaço até ansiedade, depressão etc.”, esclarece a psiquiatra.

Ela lembra que o TDAH é um quadro específico, no qual a dificuldade em manter a atenção ocorre com frequência junto da impulsividade e hiperatividade. É só lembrar da tríade: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Essas três características são marcantes do transtorno.

Por isso, limitar o transtorno somente ao déficit de atenção, como a sigla DDA sugere, pode passar uma impressão limitada e equivocada do que ele é de fato.

Sinais

Por ser um transtorno que na esmagadora maioria dos casos se manifesta já no início da infância, o papel dos pais é fundamental. Eles precisam estar atentos a diversos sinais.

“As crianças com TDAH podem ser bastante inquietas e desatentas. Elas ficam andando ou correndo sem parar, como se estivessem ligadas num motorzinho, mexendo em tudo o que veem pela frente”, explica a psiquiatra.

“Quando estão na cadeira, ficam brincando e movimentando os pés e as mãos, falam muito e é difícil mantê-las na mesa na hora da refeição”, complementa Lílian, que é especialista em psiquiatria da infância e adolescência.

Essa descrição pode até parecer comum a muitas crianças, mas é preciso que realmente estes hábitos atrapalhem o dia a dia da criança para que sejam identificados como sinais de TDAH. As atividades que requerem mais repetição ou que levam muito tempo costumam ser extremamente difíceis para quem sofre do transtorno.

Numa de sala de aula, por exemplo, crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade não conseguem esperar a vez para falar. Elas também costumam agir por impulso constantemente e interromper as outras pessoas.

Os pais precisam levar em conta, porém, que os sintomas devem estar presentes há um tempo significativo, de no mínimo seis meses. Ao mesmo tempo, não se deve esperar demais entrar em contato com um médico. “Geralmente os pais procuram ajuda quando os sintomas já se manifestam há bem mais tempo”, alerta a especialista.

Além disso, é bom saber que os sinais costumam aparecer antes dos 12 anos de idade, ocorrem sempre em mais de um local – não é só em casa, não é só na escola, mas em diversos ambientes que a criança transita – e causam prejuízo significativo nos desempenhos acadêmico, social ou ocupacional.

Testes on-line funcionam?

“Não há nenhum teste on-line confiável para determinar se uma criança tem ou não TDAH”, afirma Lílian Schwanz.

Ela explica que o diagnóstico só pode ser feito a partir da avaliação de um especialista. “Tampouco há testes laboratoriais ou exames de imagem, por exemplo, que indicam um diagnóstico positivo para TDAH”, completa.

Segundo ela, os testes facilmente encontrados na internet são muito usados por pais que buscam informações sobre o transtorno, mas não passam de ferramentas de triagem.

Obviamente, eles ajudam a verificar os sintomas, mas seus resultados servem apenas para alertar sobre a real necessidade de procurar a ajuda de um profissional.

Como é o diagnóstico?

“A única forma de se conseguir uma avaliação correta é por meio da observação minuciosa feita por um médico especializado”, garante a especialista.

“O psiquiatra pode até utilizar alguns testes para observar determinados déficits do paciente, chamados testes neuropsicológicos, mas o diagnóstico sairá somente após uma avaliação completa”.

É importante que o especialista tenha experiência no tratamento de outros pacientes com TDAH e que ele debate em conjunto com a família os rumos e alternativas do tratamento.

A interação contínua com o médico também é fundamental, pois parte do diagnóstico e do acompanhamento é a contextualização dos sintomas na história de vida do paciente.

Tratamento de TDAH

Lílian explica que a abordagem terapêutico sobre o TDAH é multimodal, ou seja, engloba diversas frentes de tratamento.

“Além da orientação ao paciente e sua família sobre qual a melhor forma de lidar com os sintomas, haverá quase sempre o tratamento psicoterápico”, explica ela. “É muito comum que se indique o uso de alguma medicação, como Ritalina e semelhantes, mas tudo dependerá da prescrição do médico”.

Multimodal é um termo bastante utilizado na medicina e que significa uma combinação de diversas modalidades de tratamento: medicação, orientação aos parentes e até aos professores e desenvolvimento de técnicas de controle para os pacientes.

Como se trata de um transtorno e não de uma doença, não há cura para TDAH, mas é possível controlar os sintomas. Da mesma forma, o tratamento deverá ser seguido durante toda a vida.

A psiquiatra esclarece, ainda, que é muito importante que o diagnóstico seja feito ainda na infância. Isso porque, segundo ela, quando a descoberta do TDAH vem na fase adulta, pode ser que o tratamento precise focar também nos prejuízos de anos sem o acompanhamento médico adequado.

“Pessoas que passam parte da vida sofrendo sem saber que têm TDAH geralmente apresentam dificuldades em relacionamentos e problemas para manter o emprego, entre outros”, conclui Lílian.