Alzheimer: causas, sinais, diagnóstico, tratamento e como se prevenir

14 de maio de 2018

|

POR Amanda Grecco

A doença de Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa sem cura que afeta as funções cognitivas e provoca perda de memória, alterações de comportamento e a ausência da habilidade de cuidar de si próprio.

Apesar do difícil diagnóstico, a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) estima que 6% da população idosa no Brasil já tenha desenvolvido Alzheimer. Além disso, a previsão é de que 22 milhões de pessoas no mundo inteiro tenham a doença até 2025.

Contextualizando o Alzheimer

A doença de Alzheimer não é uma enfermidade nova. O problema, porém, tem chamado cada vez mais a atenção de especialistas em razão do envelhecimento da população.

Com os avanços da medicina, hoje observa-se cada vez mais um aumento significativo na expectativa de vida da população mundial. No Brasil, por exemplo, já são mais de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Este é um fenômeno recente, pois até a década de 1950 a nossa esperança de vida ao nascer não passava dos 40. Hoje, já chegamos aos 71 anos.

Em contrapartida, o aumento do número de pessoas na terceira idade também nos leva a situações que nunca havíamos vivenciado antes. Os casos de demência, cada vez mais frequentes, são somente um exemplo.

O que exatamente é a doença de Alzheimer?

De acordo com National Institute of Aging (NIA), órgão oficial de estudos do envelhecimento nos Estados Unidos, a doença de Alzheimer é um transtorno cerebral irreversível e progressivo que destrói lentamente a memória e habilidades de pensamento. Eventualmente, ela também afeta a capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia, como tomar banho ou comer.

Como ela ocorre

Estudos apontam que a doença de Alzheimer é desencadeada pelo depósito de pelo menos duas proteínas no cérebro: beta-amiloide e tau.

O desencadeamento dessa anormalidade prejudica rapidamente a atividade cerebral, uma vez que ela é responsável por aumentar os níveis de inflamação, estresse oxidativo e, consequentemente, levar à morte de nossos neurônios.

Entretanto, o acúmulo dessas proteínas só pode ser identificado no microscópio após a morte do paciente. Outras doenças, como a Doença Vascular, Doença por Corpos de Lewi, hipertensão e hipotireoidismo também são capazes de levar à falta de memória e a outros sinais semelhantes aos do Alzheimer.

O que causa o Alzheimer?

As causas da doença de Alzheimer ainda não estão claras. Entretanto, uma das principais teorias é a de que a influência genética pode desempenhar papel importantíssimo no desencadeamento desta enfermidade.

Além disso, também existe a hipótese de que existam genes que estejam relacionados ao modo que cada uma das doenças de instalam no cérebro.

O médico explica que é muito importante saber os fatores clínicos e genéticos que determinam a doença, mas eles provavelmente são diferentes em cada ancestralidade, então ele sugere que o trajeto de sucesso a ser percorrido para entender as causas do Alzheimer é parecido com o que a oncologia fez: individualizar as estratégias de tratamento.

“O caminho que vamos seguir é de tentar buscar estratégias terapêuticas começando do básico. Agora vamos começar a pesquisar o DNA em busca de genes que estejam relacionados com cada uma das doenças que se instalam no cérebro”.

Diagnóstico do Alzheimer

“Envelhecer de forma saudável é manter a capacidade de tomar decisões, preservando a autonomia e independência. É exatamente isso o que queremos em relação ao envelhecimento, por isso nos dedicamos a estudar formas de envelhecer com qualidade”, explica José Marcelo Farfel, coordenador do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral da Faculdade de Medicina da USP (BEHGGEC-FMUSP).

O médico explica que, por mais que o Alzheimer seja a principal demência a acometer a população mundial nos dias de hoje, existem pelo menos outras duas doenças que são muito semelhantes e podem, inclusive, se manifestar em conjunto com ele. São elas: Doença Vascular e a Doença por Corpos de Lewi.

“É muito difícil discernir o que está acontecendo no cérebro de uma pessoa por simples exames de imagem ou somente pelos sintomas”, afirma. “Muitos dos sinais manifestados nessas doenças se assemelham aos do Alzheimer, e é justamente por isso que o diagnóstico não é exato”.

Isso significa que, na maioria das vezes, a pessoa diagnosticada com Alzheimer não tem somente Alzheimer, pois este tipo de demência pode acontecer por diversos motivos. De acordo com Farfel, a demência só pode ser elucidada após a morte, pois ainda não existem exames que diagnostiquem detalhadamente ainda em vida qual o estado do cérebro da pessoa.

Sinais e sintomas do Alzheimer

Os sintomas do Alzheimer são diferentes de acordo com a fase da doença. Trata-se de uma enfermidade que, uma vez instalada, se desenvolve rapidamente. Confira abaixo:

Fase inicial

Nesta primeira fase da doença de Alzheimer, pode ocorrer a perda da memória recente, além de algumas mudanças no comportamento e significativa diminuição na capacidade cognitiva.

Fase moderada

Neste estágio, é comum observar o paciente com sinais anormais de agitação, acompanhados de dificuldade de comunicação, insônia e perda da coordenação de alguns movimentos simples.

Fase avançada

Conforme o Alzheimer vai avançando, o paciente passa a depender cada vez mais de ajuda — algumas vezes até mesmo em tempo integral. Nesta fase, é comum haver incontinências urinárias e fecais, por exemplo.

Além disso, a pessoa também apresenta dificuldades para executar tarefas básicas, como comer, realizar a higiene pessoal e até mesmo levantar e sentar.

Fase terminal

Este é o estágio em que o paciente com Alzheimer se encontra em estado semelhante ao vegetativo, pois fica completamente acamado e passivo. Com o tempo, também pode acontecer de a pessoa perder a capacidade de deglutição, necessitando de alimentos por via intravenosa.

Existe tratamento para Alzheimer?

Ainda não existem tratamentos efetivos para o Alzheimer — pelo menos não a ponto de interromper o fluxo da doença ou retardar seu avanço por muitos anos.

“Nos últimos 20 anos, foram gastos bilhões para encontrar um tratamento para Alzheimer. Mas acontece que, mesmo que houvesse um tratamento perfeito, o que não é o caso, o problema seria parcialmente resolvido por causa das outras demências que atuam junto com ele”, explica Farfel.

“Toda a linha de tratamento desenvolvida até hoje foi no sentido de eliminar a beta-amiloide do cérebro, então, a´te o momento, estamos apenas no caminho para resolver parte do problema. Ainda faltam estudos e tecnologia para conseguirmos chegar ao ponto de reverter o quadro com sucesso”.

Como se prevenir?

Não há forma comprovadamente eficaz para se proteger completamente do Alzheimer, mas alguns fatores podem dificultar o seu surgimento. Eles são:

  • Alto nível de escolaridade;
  • Bons níveis socioeconômicos;
  • Fatores individuais, relacionados à personalidade da pessoa;
  • Sociabilidade.

“Os fatores citados acima não irão diminuir o acúmulo das proteínas no cérebro, ou seja, não são capazes de garantir que o Alzheimer nunca se instalará na pessoa, mas eles ajudam o indivíduo a ter uma capacidade maior de reagir frente à agressão da doença e sem manifestar sintomas”, explica o médico.

Da mesma forma, pessoas que estudam, mesmo com escolaridade básica, têm o cérebro diferente de pessoas que não estudam e tem menos chances de desenvolver uma doença cognitiva, como o Alzheimer.

Exercícios e alimentação influenciam?

Ainda não há comprovação de que um estilo de vida saudável, ou seja, com alimentação regrada e prática regular de alguns exercícios específicos, possam prevenir o desenvolvimento de Alzheimer, mas a recomendação é de que essas boas práticas sejam seguidas a risca.

Já existe uma série de alimentos que comprovadamente podem ajudar a melhorar a saúde do cérebro e proteger contra doença neuro-degenerativas.