Andropausa: o que é, como identificar e tratar a menopausa masculina

Atualizado em 11 de outubro de 2019

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Assim como as mulheres passam pela experiência da menopausa, o homem de meia idade passa por um processo similar conhecido como andropausa ou DAEM, sigla que significa “distúrbio androgênico do envelhecimento masculino”. Ele decorre da diminuição da produção de testosterona, hormônio masculino produzido nos testículos.

Esse tipo de problema é pouco conhecido pelo público leigo e, com o envelhecimento da população, o assunto passou a ter importância crescente. Os próprios homens estão cuidando mais da saúde e a buscando qualidade de vida justamente quando atingem maturidade e estabilidade econômica.

O que é testosterona?

A testosterona é um hormônio sexual masculino, da mesma forma que o estrogênio e a progesterona são os hormônios sexuais femininos. Ele é encontrado em grande quantidade no organismo do homem, mas também é presente nas mulheres, mas em pequena quantidade.

Nos homens, a testosterona é produzida nos testículos e, no caso do corpo feminino, ela é produzida pelos ovários e pela glândula em pequena escala.

É ela quem faz a diferenciação entre homens e mulheres no que se refere à produção de pele, voz grossa, aumento da musculatura e outras características físicas do homem.

Outras denominações para andropausa

  • Distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM)
  • Deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM)
  • PADAM (partial androgen deficiency of the aging male)
  • Menopausa masculina
  • Climatério Viril

Por que a andropausa ocorre?

O fator primordial para o desencadeamento da andropausa é a idade. Entretanto, se fosse o único motivo, todos os homens passariam por ela. Existem outros fatores que podem levar à queda da testosterona, e eles estão relacionados a hábitos de saúde física e mental, além de doenças específicas.

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Estadual de Diabete e Endocrinologia do Rio de Janeiro, as causas podem estar associadas a:

  • Queda da produção de melatonina;
  • Síndromes metabólicas;
  • Obesidade;
  • Hipertensão;
  • Baixa massa muscular;
  • Problemas na tireoide, como hiper ou hipotireoidismo;
  • Hábito de praticar jejum prolongado;
  • Alto consumo de carnes;
  • Tabagismo;
  • Abuso de drogas e álcool;
  • Estresse;
  • Presença de diabetes tipo 2;
  • Insuficiência renal;
  • Efeito de muitos medicamentos com ação adversa sobre a função testicular.

A andropausa não é considerada uma doença: é um quadro normalmente associado ao envelhecimento natural, e que pode ser controlado e atenuado com dieta adequada e atividades físicas.

Sinais e sintomas

Nem todos os homens terão sintomas de andropausa ao longo da vida. Sabidamente, após 40 anos de idade, existe um decréscimo dos níveis de testosterona de cerca de 1 % ao ano.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, aproximadamente 20% a 25% dos homens acima dos 50 anos de idade sofrerão de DAEM e necessitarão de alguma forma de tratamento.

Os sintomas mais comuns são: diminuição de libido (desejo sexual), redução do desempenho e da frequência sexual, cansaço físico e mental, irritabilidade e mau humor, perda de massa muscular, aumento da gordura da região abdominal, perda de pelos e alteração da textura da pele. Em alguns casos, há também a osteoporose, que aumenta o risco de fraturas.

Muitos homens acabam por não procurar médicos por desconhecimento ou por atribuir os sintomas a estresse ou a dificuldades do cotidiano. O quadro clínico evolui de forma lenta e progressiva, e isso também contribui para retardar o diagnóstico.

Complicações

Estudos revelam que os níveis de testosterona interferem no risco cardiovascular e na síndrome metabólica. O mecanismo dessa associação é que o aumento de gordura abdominal da DAEM desencadeia a produção de fatores inflamatórios, entre os quais a proteína C reativa. Os processos inflamatórios agudos desempenham papel fundamental no desenvolvimento de aterosclerose e no envelhecimento em geral.

A diminuição dos níveis de testosterona está interligada a males crônicos, como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e colesterol alto. Esse conhecimento é recente e comprova a importância do diagnóstico e tratamento da DAEM.

Tratamentos para andropausa

O tratamento moderno da DAEM consiste na combinação de dieta balanceada, prática regular de atividade física e terapia hormonal – a base de medicamentos orais, injetáveis intramusculares, adesivos e gel transdérmicos ou implantes subcutâneos.

Nem todos os pacientes com DAEM podem receber terapia hormonal, já que ela é contraindicada nos casos de portadores de câncer de próstata, câncer de mama e pessoas com sintomas prostáticos por hiperplasia benigna de próstata.

O acompanhamento com urologista é necessário, sendo obrigatórios os exames de dosagem de PSA e toque retal antes do início de qualquer tratamento hormonal.