Arritmia cardíaca: o que é, tipos causas, sintomas e tratamentos

08 de maio de 2018

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POR Patrícia Beloni

Arritmia cardíaca é toda e qualquer alteração no ritmo cardíaco normal. Também chamada de disrritmia, é um distúrbio cuja gravidade depende da frequência com qual acontece.

Normalmente, o ritmo das batidas de um coração normal é de 60 a 100 por minuto. Sabe quando faz o “tum-tá, tum-tá”? Esse movimento é das duas partes menores do coração (os átrios) se contraindo ao mesmo tempo que as duas partes maiores (os ventrículos).

Quando estamos em repouso, o corpo não precisa de tanto oxigênio na circulação. Por isso, o ritmo cardíaco tende a ser mais baixo e a frequência não passa de 40 a 50 batimentos cardíacos por minuto. Já quando eles fazem isso com uma velocidade maior, por exemplo, podem chegar a até 200 pulsações, o que é comum quando se pratica exercícios ou passa por estresse emocional.

Em pessoas sem arritmia, o ritmo cardíaco volta ao normal rapidamente. Entretanto, se acontece com frequência, pode ser um problema grave. Por isso, é importante estar atento.

Tipos de arritmia

Taquicardia

Quando há o aumento dos batimentos, o tipo de arritmia é chamado de taquicardia.

Bradicardia

Quando acontece o inverso – diminuição dos batimentos cardíacos, a arritmia é chamada de bradicardia.

Ventriculares e supraventriculares

Existem também arritmias que deixam os batimentos irregulares. Nesse caso, elas também podem ser classificadas de taquiarritmias ventriculares (quando são originadas nos ventrículos) ou ainda supraventriculares (quando originadas nos átrios).

Arritmias malignas ou benignas?

As arritmias pode ainda ser classificadas em malignas, quando provocam sintomas – desmaio, convulsão, dor no peito, falta de ar – e geralmente ocorrem em coração doente (com força diminuída, dilatação ou com obstrução coronária).

E também podem ser chamadas de benignas, quando não tem repercussão, ou seja, não causam sintomas, e geralmente ocorrem em coração estruturalmente normal (com força normal e sem obstrução coronária).

Causas possíveis da arritmia cardíaca

Geralmente, a arritmia é causada pelo mau funcionamento ou pela interrupção dos impulsos elétricos que controlam os batimentos cardíacos. Pode ser, inclusive, de causa cardíaca ou não cardíaca.

Quando é proveniente de alguma causas cardíacas, estas podem ser: a angina, o infarto agudo do miocárdio ou a insuficiência cardíaca congestiva.

Pessoas com doença cardíaca estrutural, ou seja, coração dilatado, ou com doença coronária, submetidas a cirurgias cardíacas prévias, como troca de válvulas, ponte de safena, por exemplo, são mais propensas a desenvolver a condição.

Quando possuem causas não cardíacas, podem ser pelo: hipertireoidismo, uso de álcool ou drogas, doença de Chagas, hipertensão arterial, apneia do sono, anemia, ou outras.

Crianças também podem desenvolver arritmias, mas geralmente são do tipo benignas. Também existem alguns casos de bloqueio atrioventricular total congênito, que é quando a criança já nasce com ele. Nestes casos, geralmente existe a necessidade de implante de marcapasso cardíaco.

Fatores de risco

Dentre os principais fatores de risco, estão:

  • Doenças cardíacas prévias, como a coronariopatia, a insuficiência cardíaca congestiva e as valvopatias;
  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes;
  • Envelhecimento;
  • Obesidade;
  • Bebida alcóolica;
  • Cafeína em excesso;
  • Hiper ou hipotireoidismo;
  • Hipopotassemia;
  • Apneia do sono, etc.

Sintomas da arritmia

Os principais sintomas são palpitação ou sensação de falha nos batimentos, tontura e falta de ar.

E dependendo do tipo de arritmia, o paciente ainda pode sentir dor no peito, escurecimento visual, sensação de desmaio, palidez, suor excessivo e até falta de ar.

Vale lembrar que as doenças que podem levar à arritmia possuem outros sintomas e podem estar diretamente relacionados.

Diagnóstico

Em geral, os principais métodos utilizados no diagnóstico das arritmias cardíacas são o eletrocardiograma de 12 derivações, o Holter 24 horas e o Lopper.

O Holter 24 horas, também conhecido como eletrocardiograma dinâmico de 24 horas, é o exame mais utilizado no diagnóstico das arritmias.

Trata-se de um dispositivo que grava os batimentos cardíacos de forma contínua por 24 horas, aumentando a chance de detectar os distúrbios do ritmo.

Já o Looper nada mais é do que um gravador de Holter que monitora os batimentos por até 7 dias se necessário .

Também existem outros métodos diagnósticos que também poderão ser utilizados no diagnóstico das arritmias.

São eles: o ecocardiograma ( ultrassom do coração que permite determinar seu tamanho, espessura das paredes, condições das cavidades e função cardíaca), teste ergométrico, cateterismo cardíaco, tilt-test e estudo eletrofisiológico.

Tratamento da arritmia

De acordo com o cardiologista Flávio Cataldi Pinha, o tratamento das arritmias depende diretamente do tipo de arritmia.

Por exemplo, para as taquiarritmias se utilizam as drogas antiarrítmicas endovenosas na urgência ou emergência, ou mesmo por via oral nos casos menos graves, para tentar corrigir as alterações dos batimentos.

Também existem casos específicos em que se utiliza marcapassos capazes de restabelecer o ritmo adequado com pequenos choques. São os chamados desfibriladores implantáveis (CDI).

Há ainda algumas taquiarritmias que também podem ser tratadas com ablação por cateter (inserido em veias e artérias, eliminando sintomas e até medicamentos, após realização e identificação pelo estudo eletrofisiológico.

Já no caso das bradiarritmias, é necessário utilizar os marcapassos cardíacos algumas vezes.

Arritmia tem cura?

Segundo o especialista, a maior parte das arritmias cardíacas tem cura e podem ou não necessitar de tratamento específico.

Para exemplificar: em situações de estresse maior, é possível sentir palpitação e apresentar batidas fora do tempo (chamadas de extrassístoles).

Mas resolvida essa questão de estresse, cessam os sintomas e as extrassístoles. Sem ter necessidade, então, do uso de medicação.

Método caseiro

Existe um método caseiro em questão, conhecido como manobra vagal para tentar acabar com as arritmias.

Entrentato, segundo o Dr. Pinha, “só deve ser utilizado em um tipo específico de arritmia conhecida como taquicardia supraventricular paroxística”. Além disso, é preciso que ela seja previamente orientada por um médico.

Possíveis complicações da arritmia

As principais complicações das arritmias são as das consideradas malignas, porque podem originar insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e até morte súbita.

Inclusive, pode levar à morte. Isso porque, com a arritmia, o coração não consegue bombear o sangue adequadamente para o cérebro, coronárias e demais órgãos vitais. Ele falha como bomba, o que pode levar a morte em curto período de tempo.

Ou ainda, a atividade do coração pode ser tão rápida e sem organização, que sua eficiência mecânima some e ocasiona a fibrilação. Nessa situação, não há atividade elétrica sincronizada nem contração muscular efetiva, nem fluxo, portanto é como se o coração estivesse parado. Isso pode acontecer principalmente em jovens e esportistas.

Dicas para se prevenir

Para evitar desenvolver algum tipo de arritmia é importante considerar os fatores de risco ditos anteriormente. E lembrar que a prevenção para as doenças cardíacas de uma maneira geral também previne as arritmias.

Confira algumas dicas para evitar a arritmia a seguir:

  • Alimentação saudável com pouco sal e gorduras;
  • Praticar alguma atividade física com regularidade;
  • Não fumar, não exceder o uso de bebida alcoólica;
  • Controlar pressão arterial e níveis de colesterol;
  • Controlar o peso.

Fontes

Cardiologista Flávio Cataldi Pinha, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. CRM SP-62856