Urticária: sintomas, tipos, remédios, cura e complicações

Atualizado em 24 de maio de 2019

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POR Manuela Sampaio

Urticária tem seu nome proveniente da planta urtiga e tal semelhança refere-se à intensa coceira, além de “bolinhas” avermelhadas na pele, que ambas geram. Relativamente comum, a doença costuma ser mais frequente em jovens adultos, embora também possa ocorrer em outras faixas etárias.

Apesar de ser branda em muitos casos, em outros ela pode causar inchaços perigosos, que inclusive podem dificultar a respiração a ponto de colocar a vida em risco. Felizmente, casos assim são raros e incomuns com o tratamento adequado.

Saiba tudo sobre urticária, suas causas, sintomas e tratamentos a seguir.

O que é urticária?

Urticária é caracterizada pelo aparecimento de urticas, que são pápulas (elevações salientes e bem demarcadas) de duração curta e que costumam coçar muito.

De acordo com a dermatologista Flávia Basílio, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, trata-se de um acometimento comum: 15% da população terá ao menos um episódio na vida. Apesar de ser mais frequente em adultos, também pode haver urticária em bebês, caso que requer atenção de pais e pediatras.

Tipos

Aguda

A urticária aguda tem duração menor que seis semanas.

Crônica

A alergia urticária passa a ser considerada crônica quando ultrapassa o tempo de seis semanas.

Causas

Colinérgica (induzida)

A colinérgica é causada pelo aumento da temperatura corporal que acontece, por exemplo, após exercício físico ou banhos quentes. Pode acontecer também devido ao suor ou a situações de ansiedade, sendo erroneamente chamada de urticária nervosa.

Outros tipos de urticária induzida

Alimentos estão muito envolvidos com o aparecimento da doença, assim como aditivos alimentares, corantes e conservantes. Outras causas comuns são medicamentos, frio, pressão (esfregar a pele, por exemplo) e genética.

Urticária crônica espontânea (idiopática)

Há casos em que as feridas apareces sem causa específica. Esses quadros são de controle mais difícil, uma vez que não se identifica o motivador.

Urticária causada pela planta

Há ainda a causada pela planta urtiga dioica. Embora possua efeitos fitoterápicos e costume ser utilizada em infusões e loções, seu uso incorreto pode gerar reações na pele.

Ocupacional

A urticária também pode ser considerada ocupacional quando for gerada pelo contato com algum material necessário para o ofício. Por exemplo, equipamentos de proteção individual de borracha ou látex.

Fatores de risco

As chances de ter o problema são maiores se houver algum parente que já o apresentou.

Além disso, ela pode estar relacionada a infecções bacteriana e virais, doenças autoimunes, neoplasia e alterações da tireoide, além de ser mais comum no período pré-menstrual devido à ação do hormônio progesterona.

Sinais e sintomas

Pernas de bebê com feridas avermelhadas de urticária na pele.
Arlee.P/Shutterstock

Os principais sintomas de urticária são lesões avermelhadas na pele e coceira, mas também pode haver angioedema, inchaço causado pela liberação de histaminas em camadas mais profundas da pele.

Em casos mais graves, causa dificuldade respiratória e de deglutição, o que exige ajuda imediata.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica e podem ser necessários alguns exames laboratoriais. Entre os testes pedidos, podem estar o hemograma, medidores do funcionamento da tireoide e outras análises para identificar possíveis causa.

Urticária tem cura?

“Evolutivamente, muitos casos evoluem para cura: em um ano, 70% dos casos estão curados, e em 5 anos, 90%”, explica a especialista.

Tratamentos

O primeiro passo para o tratamento é, se possível, a descoberta e o afastamento do agente causal.

Além dessa medida primária, pode-se aliviar os sintomas por meio de medicamentos.

Remédios para urticária

Para tratar urticária são recomendados medicamentos anti-histamínicos, que são antialérgicos. Em sua maioria, a indicação é de uso oral e não tópico sobre a pele.

Em alguns casos, é indicado também o uso de medicamentos corticoides.

Já existe no Brasil uma medicação moderna chamada omalizumabe que reduz a sensibilidade a alérgenos quando o tratamento convencional não gera efeito.

Outras medidas

É recomendado ainda manter uma boa hidratação da pele, evitar coçá-la e realizar compressas frias para aliviar a coceira.

Prognóstico

Tomando os devidos cuidados, há grandes chances de a doença ser mantida sob controle, sem que haja crises.

Complicações

Há casos em que a urticária pode vir acompanhada por angioedema, inchaço das camadas mais profundas da pele que atinge principalmente pálpebras, lábios e genitais.

Embora menos comum, o angioedema pode afetar a mucosa da boca e da garganta a ponto de promover fechamento da glote e dificuldade respiratória. Caso isso aconteça, há risco de vida e se faz necessário tratamento imediato.

Prevenção

A prevenção possível da urticária é, uma vez reconhecido o agente causador, afastá-lo do paciente, evitando, por exemplo, o consumo de alimentos que possam gerar a reação.

Fontes

Dermatologista Flávia Basílio – CRM 28624 PR

BVS Atenção Primária em Saúde. É possível que uma pessoa tenha alergia desencadeada por atividade física? Disponível em: aps.bvs.br/aps/e-possivel-que-uma-pessoa-tenha-alergia-desencadeada-por-atividade-fisica

Revista da Associação Médica Brasileira. Urticária e doenças sistêmicas. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42301999000400012

Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Diagnóstico e Tratamento da Urticária. Disponível em: diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/urticaria.pdf

Sociedade Brasileira de Dermatologia. Urticária. Disponível em: www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/urticaria/73/