Melanoma: como identificar e tratar tipo grave de câncer de pele

30 de novembro de 2018

|

POR Gabriele Amorim

O câncer de pele corresponde a 33% dos quadros de tumores malignos no Brasil. A cada ano, 180 mil novos casos são registrados. O tipo mais grave é o melanoma, que tem origem nas células produtoras de melanina, pigmento da pele. A seguir, saiba mais sobre ele e veja como se prevenir.

Tipos de câncer de pele

O câncer de pele pode ser dividido em duas categorias:

Melanoma

O melanoma representa 3,4% dos cânceres de pele, mas 75% dos óbitos causados por eles. Apesar de ser o câncer de pele menos frequente, é o mais grave: tem maior risco de metástases e maior índice de mortalidade.

Câncer de pele não melanoma (CPNM)

O CPNM engloba dois principais tipos, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. Ambos se originam nos queratinócitos, que são as células mais numerosas da camada superficial da pele, chamada epiderme. Em conjunto, representam mais de 95% dos cânceres de pele.

Basocelular

Aproximadamente 70% dos cânceres de pele são carcinomas basocelulares, que se originam da camada inferior da epiderme, a basal. Eles são mais comuns em áreas frequentemente expostas ao sol, com predileção pela região da cabeça e pescoço, em especial a face.

A apresentação mais típica é como uma ferida rosada ou avermelhada que não cicatriza, tem superfície lisa e sangra com facilidade.

São mais comuns em indivíduos de pele clara e acima dos 40 anos de idade. O carcinoma basocelular, felizmente, apresenta baixo risco de se espalhar além da pele (metástase), sendo esta uma ocorrência extremamente rara.

Espinocelular

O segundo tipo mais comum de câncer de pele é o carcinoma espinocelular, que se origina na camada espinhosa da epiderme e representa 25% dos casos. É mais comum em homens, também de pele clara, que tomaram muito sol ao longo da vida.

Se manifesta também como uma ferida que não cicatriza, mas costuma apresentar descamação e superfície mais áspera que a do basocelular, com aparência similar às verrugas.

Em alguns casos, pode causar metástases.

Os lábios merecem especial atenção, pois são locais comuns de surgimento deste tipo de câncer.

Causas de melanoma

O melanoma tem origem na proliferação anormal dos melanócitos, células que se localizam na camada basal da epiderme e que produzem melanina – pigmento que dá cor à pele e protege da radiação solar.

Os melanócitos também estão presentes nos olhos, no sistema nervoso central (meninges) e em órgãos internos. A maioria dos melanomas, entretanto, tem origem na pele e são causados principalmente pela exposição desprotegida à radiação ultravioleta do sol, somada à predisposição genética favorável à ocorrência de cânceres de pele.

Fatores de risco

Pessoas que têm a pele clara, dificuldade de se bronzear e que se queimam com facilidade ao se exporem ao sol apresentam maior risco.

A ocorrência de queimaduras solares, com vermelhidão, bolhas e descamação, sobretudo na infância e adolescência, também está associada ao aumento do risco futuro de melanoma cutâneo.

Sintomas do melanoma

Inicialmente, o melanoma pode se assemelhar a uma nova pinta (nevo melanocítico) e passar despercebido, principalmente em pessoas com grande número de pintas.

Pode também, em 20% a 30% dos casos, se originar a partir da transformação de uma marca antiga.

Geralmente,  sinal de o melanoma tem coloração escura, acastanhada ou enegrecida. Além disso, apresenta ao menos uma das características conhecidas pela regra do ABCDE:

  • Assimetria: as duas metades da lesão não são semelhantes;
  • Bordas irregulares;
  • Cores variadas: diferentes tons de castanho, preto, rosa, vermelho, azul, cinza;
  • Diâmetro: acima de 6 mm;
  • Evolução: mudanças na aparência, crescimento, surgimento de sintomas como coceira, sangramento e dor.

Estudos comprovam, entretanto, que estes sinais clínicos mais evidentes podem ser tardios, sendo mais comuns no melanoma já invasivo, o que ressalta a importância do diagnóstico precoce.

Como diagnosticar o melanoma precocemente?

 

Mulher com pinta no ombro sendo examinada

wavebreakmedia/ShutterStock

O uso de tecnologias diagnósticas auxiliares, como a dermatoscopia e o mapeamento de nevos, aumentam significativamente a probabilidade de detecção precoce do câncer de pele melanoma.

O dermatoscópio é um aparelho portátil utilizado por dermatologistas e composto por um conjunto de luzes e lentes que permitem a visualização de estruturas da lesão com 10 a 20 vezes de aumento.

A associação da dermatoscopia ao exame físico da pele aumenta em 15 vezes o acerto diagnóstico, em relação ao exame sem o aparelho. Assim, é possível reconhecer pequenas estruturas específicas do melanoma e detectar precocemente características do ABCDE ainda invisíveis a olho nu.

Em pacientes com maior risco para melanoma, é indicado também o exame de mapeamento de nevos com dermatoscopia digital. Neste exame, toda a superfície do corpo é avaliada por meio de fotografias panorâmicas e dermatoscópicas.

Tratamentos

Cirurgia

Geralmente, a lesão suspeita é removida cirurgicamente por meio de uma biópsia excisional, que retira toda a área alterada e mais uma pequena margem de pele normal ao redor.

Caso o diagnóstico seja confirmado por meio da amostra retirada, é necessária uma segunda cirurgia, conhecida como ampliação de margens, para redução do risco de persistência de alguma célula maligna.

Biópsia do linfonodo sentinela

Dependendo da profundidade de invasão do melanoma na pele, pode ser necessária uma biópsia dos gânglios linfáticos (linfonodos) que drenam a região.

Terapias-alvo e imunoterapia

As terapias-alvo agem em mutações genéticas específicas do melanoma, interrompendo sua multiplicação descontrolada. Já a imunoterapia estimula o sistema imune do paciente a atacar as células do melanoma.

Para casos em que o melanoma se espalhou para órgãos internos (melanoma metastático), na última década, houve importantes avanços e descobertas, com o surgimento de medicações orais e injetáveis, da classe das terapias-alvo.

Estas medicações, recentemente descobertas, promovem redução do tamanho do tumor, melhora de sintomas e aumento da sobrevida.

Prognóstico

Quando diagnosticado em uma fase precoce, o prognóstico do melanoma maligno é bastante favorável, com taxas de cura acima de 95%.

Entretanto, as chances de cura e sobrevida dependerão do estágio do câncer, o qual leva em consideração os seguintes fatores principais:

  • Profundidade das células do melanoma na própria pele, conhecido como índice de Breslow;
  • Presença do melanoma nos gânglios linfáticos;
  • Presença de melanoma em órgãos internos, o que é conhecido como metástase à distância.

Se o melanoma está restrito à pele no diagnóstico, o fator mais importante para definição do risco de a doença vir a atingir outros órgãos futuramente é o índice de Breslow. Basicamente, quanto a este índice, o melanoma é classificado em:

  • In situ (não invasivo): as células malignas estão restritas à epiderme, a camada mais superficial da pele;
  • Fino: índice de Breslow de até 1 mm;
  • Intermediário: índice de Breslow de 1-4 mm;
  • Espesso: índice de Breslow acima de 4 mm.

Prevenção

 

Mulher usando protetor solar no rosto

Rob Bayer/ShutterStock

Alguns fatores de risco para o melanoma, como pele clara, mutações genéticas herdadas e história familiar de melanoma, não podem ser modificados.

Entretanto, a redução da exposição solar, bem como da ocorrência de queimaduras solares em idades precoces – sobretudo na infância e adolescência – pode, definitivamente, prevenir o surgimento do melanoma.

Dicas de como se proteger do sol

  • Busque por áreas com sombra e evite atividades ao ar livre nos horários de pico, das 11 da manhã às 3 da tarde e, especialmente, próximo ao meio-dia;
  • Vista roupas que auxiliem na proteção solar e cubra-se o máximo possível;
  • Use chapéus com abas largas, que protejam o rosto, couro cabeludo e orelhas;
  • Use óculos de sol com lentes de boa qualidade para proteção contra raios UVA e UVB;
  • Use protetores solares com ação também contra raios UVA e UVB e com fator 30 ou mais. Aplique 20 minutos antes de sair ao sol e reaplique a cada 3 horas ou após cada mergulho na água;
  • Jamais, em hipótese alguma, faça uso de câmaras de bronzeamento artificial, que atualmente são proibidas por lei no Brasil;
  • Lembre-se sempre de que não existe “bronze” saudável.

Fonte

Dermatologista Amanda Regio Pereira, do Grupo Fleury – CRM/SP 144599

Sociedade Brasileira de Dermatologia. Câncer de pele. Disponível em: http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/