Tudo sobre amamentação: Tire suas dúvidas sobre período

06 de junho de 2018 ● POR Amanda Grecco

Além de fortalecer o vínculo entre a mãe e bebê, a amamentação é muito importante pois diminui os riscos de que a mulher apresente diversos problemas de saúde, como anemia, osteoporose, câncer de mama (e de ovário) e até a depressão.

Existem muitas dúvidas e receios que devem ser esclarecidos para que este período aconteça da melhor forma possível e mãe possa sentir prazer em proporcionar a amamentação. Por isso, o Ativo Saúde conversou com especialistas para esclarecer algumas dúvidas e para que você possa saber tudo sobre amamentação.

Tudo sobre amamentação: 9 dúvidas sobre o período

1. Como amamentar?

Para saber tudo sobre amamentação, é fundamental saber como amamentar. O processo de amamentação requer alguns cuidados. Como já foi dito, além da rica tabela nutricional, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho. Então, é importante saber todos os passos, que podem ser:

  • A primeira mamada e os dias seguintes;
  • Produção de leite e preparação dos seios;
  • Posições recomendadas;
  • Frequência e tempo de cada mamada.

Entenda tudo sobre como amamentar!

2. Como identificar se o choro do bebê é fome?

O choro é praticamente a única forma que o bebê tem para chamar a atenção quando algo o está incomodando. Então, é necessário que os pais identifiquem os sinais e peculiaridades de cada choro (os de cólica, frio, calor etc). Alguns sinais para identificar a desconforto por fome são:

  • Procura dos seios com os olhos;
  • Boca aberta em várias direções;
  • Movimentos contínuos com a língua;
  • Aperto das sobrancelhas;
  • Suga da mão ou dos dedos.

3. Como saber se ele mamou o suficiente?

Alguns dos sinais para identificar se o bebê fez a ingestão necessária de leite materno são:

  • Seios leves após a mamada;
  • Fim do choro após a mamada;
  • Produção de aproximadamente seis fraldas de xixi diariamente (até dois meses de vida);
  • Urina do bebê clara e sem odor forte;
  • Fezes do bebê inteiras e não ressecadas.

4. Ele precisa arrotar?

Nem todo bebê vai arrotar após a mamada, pois o arroto depende da quantidade de ar que ele engole e do acerto da pega da aréola. Se ela estiver boa, ele vai ter engolido pouco ar e talvez não precise arrotar.

“A orientação é somente manter o bebê na posição vertical apoiado no colo durante dez minutos após a mamada e, se não tiver arroto, pode colocá-lo para deitar de preferência de barriga para cima, pois é a posição recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria”, diz Thais Bernardo de Araujo, enfermeira obstetra e consultora em aleitamento materno na Commadres de Peito.

5. Qual é a alimentação ideal para as mamães?

Não há alimentos proibitivos para a nutriz. Caso o bebê apresente alguma reação ruim durante o período de aleitamento exclusivo, torna-se importante pesquisar se algo que a mãe ingeriu possa ter causado a reação ao filho.

A amamentação deve ser exclusiva no peito até os 6 meses de vida do bebê e a introdução alimentar deve se fazer aos poucos após essa idade. Por isso, uma alimentação equilibrada com muitas verduras, legumes e frutas auxiliam muito a “enriquecer esse alimento” com muitos nutrientes, pois vitaminas e minerais são essenciais para o desenvolvimento sadio do bebê.

6. Existem restrições médicas?

Durante o aleitamento materno, também devem ser tomado alguns cuidados com a ingestão de certas plantas medicinais.

“Podemos considerar as características dos princípios ativos da planta para determinar o tipo de risco para o lactente, por exemplo: os alcalóides indólicos (ergotamina e reserpina) presente no centeio, podem causar vômitos, diarreias e cãibras no bebê. Os Alcalóides pirrolizidínicos presentes no confrei são hepatotóxicos. As lactonas sesquiterpênicas, substâncias presentes na alcachofra, lúpulo e bardana, podem causar desnutrição (rejeição ao leite materno devido ao gosto desagradável que confere ao leite). As antraquinonas, presentes no sene e cáscara sagrada, provocam diarreia no pequeno. As bases purínicas, presente no guaraná e café, causam taquicardia e os salicilatos, princípio ativo da Aspirina, são substância que podem causar hemorragia”, explica a nutricionista Clariely Stele, especializada em Fitoterapia na Pratica Clínica e Saúde da Mulher.

Além dos cuidados específicos com as plantas, Clariely também ressalta a importância de não desprezar os riscos de contaminantes ambientais, como os agrotóxicos e metais pesados, com consequências deletérias ao binômio mãe-feto e mãe-bebê.

Daniela Dantas, ginecologista e obstetra no Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, alerta que qualquer medicamento na amamentação deve ser avaliado e é preciso calcular os riscos e os benefícios de acordo com o quadro da mãe já que a maioria deles desencadeia algum tipo de risco. “Vai depender muito do tipo de patologia e da vantagem de tomar ou não aquele medicamento”, aponta a médica.

7. É possível engravidar durante a fase de amamentação?

Sim, portanto é necessário usar algum dos métodos anticoncepcionais. Existem diversas opções de contracepção não hormonal, como: uso de camisinha, método billings, sintotermal, DIU de cobre e diafragma. Caso a mulher opte por pílulas anticoncepcionais, a ginecologista Daniela alerta para que sejam usadas as pílulas progestágenas.

8. Quando introduzir alimentos na dieta do bebê?

O tempo de amamentação exclusivamente com o leite materno é de 6 meses, sem água, chá, comida e ou qualquer outro alimento. Depois deste período, pode ser introduzida a alimentação complementar. O Ministério da Saúde indica a amamentação até, pelo menos, 2 anos de idade para auxiliar na imunidade da criança.

“Cada mulher e cada bebê vão sentir esse processo, pois têm crianças que largam antes ou depois e não é legal ficar colocando datas rígidas”, explica Daniela.

Caso o bebê recuse a introdução da dieta complementar, é possível tentar dar essa função a outra pessoa que não a mãe, pois o bebê pode associá-la diretamente ao leite e não aceitar as novas possibilidades.

9. Quais as maiores dificuldades que a mulher enfrenta para amamentar?

Os traumas mamilares acontecem com muita frequência devido à pega incorreta do bebê, explica Thais, consultora em aleitamento. “A boca do bebê tem que ficar numa posição confortável para a mãe e o posicionamento do corpo dele em relação à mãe também tem influência nessa pega, então às vezes são necessários alguns ajustes para que a amamentação seja tranquila e não cause traumas. Cerca de 80% das mulheres têm algum tipo de dor ou incômodo para amamentar nos primeiros 8 ou 9 dias de vida do bebê. Isso é bem comum e pode ser uma causa do abandono no aleitamento”, explica.

O ingurgitamento também é uma situação comum nos primeiros dias de vida. Com a descida do leite, que acontece do terceiro ao quarto dia após o parto, as mamas enchem bastante e, como o corpo está produzindo muito, normalmente além do que o bebê precisa, é necessário tomar cuidado para esse leite não ficar parado e empedre nas mamas.

“Há massagens específicas para fazer nas mamas para que não fiquem ingurgitadas. Quando o quadro não é tratado, pode vir a provocar mastite, que é uma inflamação das mamas e pode evoluir para uma infecção em quadros mais acentuados”, explica Thais.

Algumas mulheres também apresentam hiperlactação, baixa produção de leite, e é sempre importante recorrer ao pediatra, obstetriz ou consultora de aleitamento ao menor sinal de problema para que essas questões sejam manejadas de forma rápida e correta.

 


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