Síndrome do Ovário Policístico: sintomas, tratamento e prevenção

30 de abril de 2018

|

POR Amanda Grecco

Muitas mulheres relacionam a presença de cistos no ovário à Síndrome do Ovário Policístico (também chamada de SOP). Mas uma coisa não necessariamente está associada à outra.

Na realidade, a SOP é uma disfunção metabólica — e, como tal, não pode ser diagnosticada somente por meio de exames de imagem, como acontece quando a mulher apresenta cistos. Primeiro é necessário fazer uma análise completa do metabolismo da paciente — a chamada anamnese metabólica — para aí sim identificar exatamente qual é o problema.

Parece confuso? Não se preocupe. Nós, do Ativo Saúde, consultamos especialistas no assunto para esclarecer as principais dúvidas que existem sobre ovários policísticos. Confira abaixo!

O que é a Síndrome do Ovário Policístico?

Se a presença de cistos no ovário não indica necessariamente que a mulher apresenta o transtorno, então no que consiste a síndrome do ovário policístico?

Trata-se de um distúrbio que provoca alterações significativas no metabolismo, interferindo diretamente nos níveis hormonais e, consequentemente, na ovulação. A SOP, portanto, nada mais é do que uma alteração significativa no processo metabólico.

Quais os principais sintomas?

Devido ao aumento dos hormônios andrógenos, as mulheres que sofrem de SOP tendem a apresentar características masculinas. Entretanto, a síndrome não causa dores ou contrações desconfortáveis na maioria das vezes.

É comum que mulheres com a síndrome do ovário policístico apresentem os seguintes sintomas:

  • Hirsutismo (distribuição de pelos masculina);
  • Surgimento de acnes;
  • Obesidade ou sobrepeso;
  • Menstruação irregular e oligomenorreia (menstruação em intervalos longos);
  • Cansaço;
  • Dificuldade para engravidar (não causa esterilidade);
  • Alta de glicemia.

Existem diferentes tipos de SOP?

Segundo Isabel Saide, ginecologista e obstetra, definitivamente não. “A Síndrome do Ovário Policístico e a Síndrome do Ovário Micropolicístico configuram exatamente o mesmo quadro, apesar de muitos afirmarem que são condições diferentes”.

Qual o tratamento convencional?

Ainda de acordo com Isabel, existem muitos textos circulando na internet que definem SOP necessariamente como a presença de cistos no ovário e nem ao menos explicam sobre a síndrome metabólica. “Cisto no ovário e SOP são coisas absolutamente diferentes. Muitas vezes uma mulher apresenta cistos nos ovários e isso não caracteriza deficiência nenhuma em sua saúde”, explica ela.

Assim, muitas vezes trata-se a síndrome do ovário policístico da forma errada. Segundo a ginecologista, o que mais se costuma fazer por aí é indicar o uso dos anticoncepcionais hipoandrogenizantes associados ao cloridrato de metformina (um tipo de medicação muito usado em pacientes com diabetes).

Entretanto, ela alerta que os anticoncepcionais não tratam, apenas mascaram sintomas como irregularidade menstrual e excesso de acne. “A mulher que segue este tipo de tratamento acha que está bem porque ela menstrua de forma sintética e se mantém com a pele sem acne, mas se ela parar de tomar a pílula, os sintomas da SOP voltam novamente”.

Muitas vezes, inclusive, a mulher recebe o diagnóstico errado, é incentivada pelo médico a tomar anticoncepcional como sugestão de tratamento e acaba ficando escrava da medicação sem precisar. Antes, portanto, é fundamental investigar exatamente as causas dos sintomas manifestados pela paciente para, aí sim, recomendar o tratamento adequado.

Então existem outros tratamentos possíveis?

De acordo com a Isabel, a prevenção e o tratamento andam de mãos dadas, pois, por se tratar de uma síndrome metabólica que é caracterizada por resistência à insulina, a alimentação é o fator principal.

“Eu já atendi mulheres que curaram a SOP somente com a alimentação focada na dieta low carb“, afirma. Também podem ser usadas algumas ervas medicinais com propriedades anti-inflamatórias e emenagogas (que provocam a menstruação).

Entretanto, no longo prazo, a proposta é que a mulher regule seu metabolismo, promova uma mudança em seu estilo de vida com exercícios e reeducação alimentar e não precise mais da erva.

A cirurgia é sempre necessária?

Ambas as médicas concordam que cirurgia é e deve ser usada cada vez menos pela comunidade médica por haver a compreensão de que ela não trata a doença, mas somente acaba com os microcistos.

“Cirurgia consiste em furar todos os cistos para gerar uma reparação no ovário. Ela caiu em desuso porque existem opções muito menos invasivas e mais seguras e eficazes, como os tratamentos dietéticos e com ervas emenagogas”, afirma Andreia.

“A síndrome do ovário policístico tem cura, mas requer uma atenção especial no estilo de vida para que o corpo se adapte e regule o metabolismo de forma natural e duradoura”, completa Isabel.