Prevenção do câncer de mama: dicas de quem entende

01 de setembro de 2017

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POR Gabriela Simionato

Quando o assunto é prevenção do câncer de mama, não é raro que mulheres — principalmente as que estão dentro da faixa etária mais propensa a desenvolver a doença — sejam bombardeadas de informações, principalmente durante o Outubro Rosa.

O problema é que muitas das informações que chegam até elas têm procedência duvidosa. Por isso, é comum surgirem dúvidas sobre quais são de fato as melhores formas de prevenção do câncer de mama.

Porém, segundo Heloisa Veasey Rodrigues, que é oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, “de modo geral, não existem medidas realmente eficazes para evitar o câncer de mama, por isso a melhor coisa a se fazer são os exames de rastreamento para garantir o diagnóstico precoce, que aumenta consideravelmente as chances de cura”.

Isso acontece porque o câncer de mama, como boa parte dos tumores malignos, têm origem genética. Por causa disso, técnicas de mapeamento genético, capazes de saber de antemão a probabilidade de alguém desenvolver doenças como o câncer, têm se tornado uma opção para mulheres que querem evitar o câncer nas mamas.

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A atriz Angelina Jolie foi uma delas, e a sua mastectomia preventiva ganhou as manchetes. O procedimento consiste em uma cirurgia profilática, que retira as mamas e, assim, impede que a mulher seja diagnosticada com o tumor no futuro.

Especialistas alertam, no entanto, que a mastectomia preventiva só deve ser recorrida em situações muito específicas, especialmente em mulheres que têm alto risco por histórico genético familiar e mulheres com presença de mutação cancerígena.

Alimentação e exercícios para prevenção do câncer de mama

Outros problemas de saúde, como a obesidade, são tratados como fatores de risco para a o câncer de mama. Por isso, uma alimentação correta e adequada é a melhor forma de se prevenir.

E a prevenção do câncer de mama começa pela NÃO ingestão de alimentos ricos em estrogênio, como soja e farelos.

“O desenvolvimento da doença dependente de estrogênio. Uma paciente que estiver com câncer em estágio inicial e ainda não foi diagnosticada pode ter seu quadro agravado se estiver fazendo reposição de estrogênio”, esclarece Heloísa.

Segundo estudos, uma vida física ativa também pode ser benéfica para a prevenção, especialmente se associada a uma alimentação saudável.

Jorge Uehara, médico especialista do Hospital Nipo-Brasileiro, instrui sobre a melhor forma de se alimentar ao longo da vida a fim de se sentir prevenida contra a doença.

“Uma dieta com maior consumo de frutas, vegetais, fibras, óleo de oliva e peixe parece ter um efeito protetor sobre o câncer de mama. Fora isso, a substituição de gorduras saturadas por gorduras monoinsaturadas pode ajudar a diminuir o risco por conter em suas fórmulas ácidos graxos, ômega 3 e ômega 6”.

Atividade física regular é outra maneira eficaz de diminuir seus riscos e melhorar a saúde em diversos aspectos.

“Os exercícios físicos moderados a intensos estão ligados ao menor risco de câncer de mama. A recomendação para adultos é realizar pelo menos 150 minutos de atividade com intensidade moderada ou 75 minutos com intensidade alta por semana, de preferência fracionada em três a cinco sessões de treino neste período. Para crianças e adolescentes, é indicada pelo menos uma hora de atividade com intensidade moderada ou alta por dia, em pelo menos três vezes na semana”, ensina Luis Felipe Menezes Martins, diretor clínico do Kurotel – Centro Médico de Longevidade e Spa.

Segundo estudos, é possível reduzir em até 50% as chances de câncer ao levar uma vida ativa. “Essa associação estaria ligada à redução dos níveis de estrogênio e progesterona, assim como à atividade proliferativa das células da glândula mamária”, afirma Jorge Uehara.

“Mulheres que se exercitam de uma a três horas por semana reduzem seu risco de câncer de mama em 30% comparativamente às sedentárias, e aquelas que praticam atividade física quatro horas por semana reduzem o risco em 50%”, completa o especialista.

Exames de rotina contra o câncer

É importante que a mulher faça acompanhamento anual de exames ginecológicos. Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, é recomendado iniciar mamografia aos 40 anos de idade e repeti-la anualmente. Até os 40, o recomendado é o autoexame e a ultrassonografia mamária.