Menstruação: 6 mitos sobre o ciclo menstrual

28 de novembro de 2017

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POR Gabriela Simionato

O tabu em torno da menstruação começa antes mesmo da menarca — o nome dado à primeira menstruação da mulher.

A falta de discussões a respeito do assunto faz surgir diversas dúvidas, inclusive entre as próprias mulheres, e a desinformação a cerca da menstruação também contribui para que mitos sobre o fluxo menstrual sejam passados de geração em geração.

O que está por trás da menstruação desregulada?

Acredita-se muito que alguns alimentos e até o ato de lavar o cabelo à noite podem desregular o fluxo menstrual. No entanto, especialistas afirmam que inúmeros fatores emocionais podem alterar a menstruação, desde estresse e ansiedade a doenças como cistos e endometriose. Por isso, não é raro ver depoimentos de mulheres que lidam a vida toda com ciclos desregulados e sintomas agressivos da tensão pré-menstrual, a TPM.

“ Mulheres que têm endometriose geralmente apresentam um ciclo menstrual mais curto, inferior a 27 dias, e a duração da menstruação mais prolongada, sendo acima de 8 dias com fluxo intenso”, alerta Cristina Carneiro, ginecologista e obstetra.

São diversos os motivos que causam um ciclo desregulado, e nem sempre é a tensão de uma possível gravidez. “Perda ou ganho excessivo de peso, distúrbios alimentares, problemas emocionais, ansiedade, consumo desenfreado de álcool, cigarro e outras drogas e prática excessiva de exercícios físicos podem causar alterações no ciclo. Além de doenças, como ovários policísticos, problemas hormonais, anomalias uterinas como mioma e pólipo”, alerta Clícia Quadros, ginecologista e especialista em saúde da mulher.

Frequentemente, os primeiros ciclos tendem a ser irregulares, mas é essencial buscar um ginecologista quando ocorrer a primeira menstruação. Em alguns casos, basta uma mudança de hábitos alimentares ou uma vida mais regrada e menos ansiosa.

Em outros, porém, é necessário o uso de medicação ou de um anticoncepcional para regular o ciclo, mesmo que a mulher não tenha uma vida sexual ativa. “Para as mulheres que tiverem patologias hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos, a melhor forma de regular o ciclo menstrual é tratando o problema. Para as meninas no início da vida reprodutiva ou até para aquelas próximas à menopausa, a utilização de contraceptivos orais pode ser recomendada, mas só depois de afastadas quaisquer suspeitas de algum problema de saúde”, recomenda Rogério Felizi, ginecologista e obstetra e coordenador da Maternidade Brasil.

Os riscos de um ciclo desregulado

Muitas mulheres evitam o uso de anticoncepcionais e até mesmo de camisinha. Para elas, é impossível apoiar-se no cálculo do período fértil — que geralmente é no meio do ciclo, ou seja, no 14º dia, variando entre o 12º ao 16º dia — para fazer uso da famosa tabelinha.

Especialistas, no entanto, alertam que o uso de preservativos é essencial para quem tem uma vida sexual ativa, pois anticoncepcional não é capaz de prevenir ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Além disso, para mulheres com dificuldade em engravidar, a falta de base do período fértil também pode ser um problema.

Eles também reafirmam a importância de fazer um acompanhamento anual com ginecologistas de confiança para realizar exames de papanicolau, ultrassonografia vaginal, ultrassonografia intra-uterina e mamografias, em casos indicados.

6 mitos da menstruação

Afinal, você sabe o que é mito e o que é verdade quando se trata do período menstrual? Para decifrarmos alguns ensinamentos que são passados de geração em geração, consultamos alguns especialistas em saúde da mulher. Confira abaixo:

1. Mulheres não engravidam enquanto menstruam

Apesar de a chance de engravidar neste período ser realmente menor, é possível, sim, que o óvulo fecunde mesmo durante a menstruação — quando acontece a descamação do endométrio. E muito se engana quem pensa que é necessário que a mulher esteja no período fértil para que a gravidez vingue em meio ao sangramento menstrual. Por isso, o uso de preservativos é recomendado pelos médicos até mesmo durante a menstruação.

Isso pode acontecer especialmente se a mulher tem um ciclo desregulado e curto, ou seja, quando o período entre o primeiro dia da menstruação e o do início da ovulação é mais próximo. Vale lembrar que, como o óvulo pode permanecer na trompa por 24 horas após ser liberado, caso um espermatozoide o fecunde, a gravidez pode ocorrer também.

2. Tomar anticoncepcional contínuo sem pausa causa infertilidade

Segundo especialistas, o uso de anticoncepcional não tem potencial para afetar a fertilidade da mulher. O que pode acontecer é o corpo da mulher estar tão condicionado ao remédio que, para normalizar seu ciclo, talvez sejam necessários entre 3 e 6 meses — o que dificulta a descoberta exata do período fértil para a concepção.

3. Mulheres que têm muita convivência menstruam na mesma época

O ciclo da mulher é definido por diversos fatores, mas a convivência com outras mulheres não promove nenhuma alteração. De acordo com os especialistas, o ciclo menstrual é definido a partir da menarca e não é influenciado pelos hormônios alheios, mas, sim, pelo funcionamento do organismo pessoal. Como o ciclo não é exato, pode vir a coincidir após meses de convivência, o que acabou gerando esse mito.

4. Sexo durante a menstruação é mais prazeroso

Para muitos, existe a ideia de que a mulher sente mais prazer neste período do mês. No entanto, isso nem sempre é verdade. Apesar de ser uma época em que os hormônios (em especial a testosterona) estão sendo liberados em maior quantidade, o que faz com que a mulher fique mais estimulada sexualmente, isso não torna o sexo mais ou menos prazeroso.

5. Exercício físico durante a menstruação faz mal

Este mito vai inclusive contra a dica dos especialistas, que alertam para o benefício da atividade física para liberação de hormônios. Não há contraindicações para a prática de exercícios — inclusive, eles podem podem ajudar até mesmo no alívio das cólicas menstruais graças à endorfina produzida após a atividade física (o hormônio da felicidade).

6. A menstruação pausa enquanto você está dentro da água

Também é mito. Quando a mulher menstruada entra na água, a menstruação apenas não é de fluxo tão intenso quanto do lado de fora. Por causa disso, ela acaba se diluindo e se tornando invisível.

Agora, se a água estiver gelada, por exemplo, os especialistas alertam para o efeito que isso causa nos vasos sanguíneos. Segundo eles, o contato com temperaturas baixas podem fazer com que os vasos se contraiam, dificultando a saída do sangue. Nessas ocasiões, é indicado o uso de absorventes internos.

Fontes: Rogério Felizi, ginecologista e obstetra e coordenador da Maternidade Brasil, e Clícia Quadros, ginecologista e especialista em saúde da mulher.