Mamografia: como é feita, preço, resultados e mais sobre o exame

08 de novembro de 2018

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POR Gabriele Amorim

O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as brasileiras, equivalente a 28% dos novos casos a cada ano. A doença também pode acometer homens, porém representa apenas 1% do total dos quadros. Em ambos os casos, a mamografia é uma ferramenta essencial no diagnóstico da doença. Tire todas as suas dúvidas sobre ela:

O que é?

Mamografia é um exame de imagem não invasivo que, por meio de um aparelho com a tecnologia do raio-x chamado mamógrafo, é capaz de diagnosticar doenças nas mamas, como o câncer.

Tipos

Existem dois tipos de mamografia: a convencional e a digital. A mesma máquina é utilizada para os dois casos, que obtêm resultados igualmente confiáveis. Já para o usuário, não há diferença de experiência entre os métodos.

A escolha de qual utilizar depende da orientação médica.

Mamografia convencional

A mamografia convencional é feita por meio de um filme processado a partir da exposição ao raio-x. Essa peça necessita de cuidados especiais, inclusive de armazenagem, para que a imagem e o resultado do exame não sejam comprometidos.

Mamografia digital

Já na mamografia digital, os raios-x são convertidos em imagens da mama semelhantes às encontradas em câmeras digitais. Esse tipo de mamografia emite menos radiação e seus resultados são transferidos para um computador e armazenados eletronicamente em longo prazo.

Para que serve?

Serve principalmente pra rastrear e diagnosticar o câncer de mama nas fases iniciais, especialmente naquelas que não apresentam sintomas, possibilitando um tratamento menos agressivo e mais eficaz.

De acordo com a Radiological Society of North America, o exame mamografia pode mostrar alterações na mama até dois anos antes de o paciente ou o médico senti-las.

Indicação

A recomendação do Ministério da Saúde é de que a mamografia seja feita a cada dois anos por mulheres de 50 a 69 anos.

Aquelas que têm história de câncer de mama na família, principalmente por parte de parentes de primeiro grau, devem se submeter ao exame 10 anos antes da idade do caso mais precoce de parente com a doença.

O exame só não é indicado antes dos 25 anos pois, nesta faixa etária, a mama é suscetível a radiação, sendo mais indicada a ultrassonografia.

Homens com ginecomastia ou nódulo palpável no peito também devem fazer a mamografia quando solicitada por um médico.

Como é feita a mamografia?

Preparo

O ideal é somente agendar a mamografia após discutir os prós e os contras com seu médico.

Para amenizar a dor, evite programá-la na semana anterior ou posterior ao período menstrual, já que nesta fase os seios podem ficar mais sensíveis devido a alterações hormonais. O melhor momento é na segunda ou terceira semana do ciclo menstrual.

A American Cancer Society também recomenda evitar passar desodorante ou cosméticos nas axilas e mamas no dia do exame, visto que eles podem aparecer como manchas de cálcio.

Prefira vestir duas peças de roupa separadas ao invés de uma única, já que é necessário tirar as superiores para o teste.

Por fim, avise o médico e técnico se você tiver silicone nos seios, alterações na pele, limitação de movimentos, gravidez ou suspeita de gravidez.

Procedimento

A mamografia é feita em laboratório com o paciente nu da cintura para cima.

Ele é posicionado em pé próximo ao equipamento, que parece uma caixa retangular. Os seios são apoiados em uma plataforma especial e pressionados por uma pá de plástico, a fim de espalhar o tecido mamário e facilitar a obtenção das imagens. São feitos dois raios x de cada seio.

Durante o procedimento, o paciente deve ficar imóvel.

Quanto tempo dura?

O exame dura entre 15 e 30 minutos no total. As imagens são captadas em segundos, mas é necessário aguardar alguns instantes até que o profissional confirme que as imagens ficaram boas.

Dói?

A compressão das mamas pode causar dor conforme a sensibilidade de cada paciente. Para reduzir o desconforto, o ideal é realizar o exame fora do período menstrual ou pré-menstrual nas mulheres, pois a sensibilidade nas mamas é maior nesses períodos.

Resultados da mamografia

O resultado deve ser analisado por um profissional adequado, como um radiologista ou médico especialista, e capaz de interpretar corretamente o exame.

Esse profissional irá buscar por regiões de alta densidade ou incomuns nas mamas. Essas áreas podem representar diversos tipos de anormalidades, incluindo tumores cancerígenos, tumores benignos, fibroadenomas ou cistos. A partir disso, são analisados o tamanho, a forma e a aparência do material, características que  podem indicar ou não a possibilidade de malignidade.

A mamografia também pode identificar pedaços de cálcio chamados microcalcificações. Essas partículas podem sinalizar a presença de algum tipo de câncer específico, necessitando de mais investigações para compreensão completa.

Geralmente, os resultados se dividem em achados benignos, provavelmente benignos ou suspeitos, que são mostrados como:

BI-RADS 2: exame completamente normal e benigno.

BI-RADS 3: provavelmente benigno. Requer acompanhamento e realização de mamografia semestralmente.

BI-RADS 4 ou 5: suspeito. Deve ser feita uma biopsia para analisar o tecido e definir a natureza da anormalidade.

Riscos

Radiação

Como a mamografia utiliza raios-x para produzir as imagens da mama, os pacientes são expostos a uma pequena quantidade de radiação. Entretanto, para a maioria das mulheres, os benefícios das mamografias regulares superam os riscos apresentados

O risco associado a essa dose de radiação é maior entre as mulheres mais jovens, com menos de 40 anos. No entanto, em alguns casos, os benefícios do exame superam os riscos nesta faixa etária.

Por exemplo, uma mamografia pode revelar que uma massa suspeita é benigna e, portanto, não precisa ser tratada. Porém, se um tumor for maligno e for diagnosticado precocemente pela mamografia, o cirurgião poderá removê-lo antes que se espalhe e exija tratamento mais agressivo, como a quimioterapia.

Falso-positivo

De acordo com a Radiological Society of North America, três a cada dez casos cujos resultados são “suspeito” em mamografias são falso-positivos, ou seja, não apresentam tumores malignos. Geralmente, isso é descoberto por meio de exames adicionais, como ultrassonografia e biopsia.

Embora não pareça tão grave, isso pode causar grande transtorno e preocupação na vida da paciente.

Contraindicações

 

Mulher fazendo auto exame na mama

Staras/IStock

Mulheres com menos de 25 anos

Mulheres abaixo desta faixa etária devem optar por outros exames pela possibilidade de a radiação afetar as estruturas mamárias.

Grávidas podem fazer? E lactante?

O exame de mamografia não é indicado para grávidas, pois é feito por meio de raios-x que podem prejudicar a formação do feto, dependendo do estágio da gestação.

Também não é indicado para lactantes, pois nesse período as mamas possuem uma estrutura totalmente diferenciada, dificultando a leitura do exame.

O indicado para a avaliação da saúde mamária no período de gestação ou amamentação é o autoexame e o ultrassom, pois não há exposição à radiação.

Quem tem silicone pode fazer?

Mulheres com implantes nas mamas podem se submeter à mamografia, mas devem avisar o fato previamente ao técnico, que reduzirá a compressão do aparelho a fim de não causar danos ao silicone.

Diferente das pacientes sem implantes, é necessário fazer um maior número de radiografias, geralmente quatro em cada seio.

Preço da mamografia

O exame de mamografia é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também está disponível por meio de planos de saúde. Em média, o exame custa R$ 150,00.

 

Fontes

American Cancer Society. American Cancer Society Breast Cancer Screening Guideline. Disponível em: https://www.cancer.org/latest-news/special-coverage/american-cancer-society-breast-cancer-screening-guidelines.html

Radiological Society of North America. Mammography. Disponível em: https://www.radiologyinfo.org/en/info.cfm?pg=mammo

National Cancer Institute. Mammograms. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/breast/mammograms-fact-sheet

Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção Precoce. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/deteccao_precoce+