Endometriose dificulta gravidez e exige tratamento

Atualizado em 13 de dezembro de 2018

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POR Gabriela Simionato

Diagnosticada entre 25% e 50% das mulheres que apresentam problemas de fertilidade, a endometriose é uma doença que surge após a primeira menstruação. Ela é caracterizada pela presença do endométrio — tecido que reveste o útero — na parte de fora da cavidade uterina.

“Todos os meses, o endométrio se prepara para a fecundação do óvulo ficando mais espesso e, quando essa fecundação não acontece, ele descama e é expelido na menstruação”, explica Clícia Quadros, ginecologista e especialista em saúde da mulher.

“Na endometriose, o endométrio pode estar nas trompas, ovários, no intestino ou na bexiga. É importante frisar que a doença pode atingir mulheres a partir da primeira menstruação e, se não tratada, pode se estender até a última menstruação”, esclarece.

São diversos os sintomas, o que pode confundir o diagnóstico com outras alterações causadas pela menarca — nome que se dá para a primeira menstruação da mulher.

“As principais manifestações clínicas da endometriose são a dor pélvica, que pode se apresentar como cólica, alterações intestinais ou urinárias, dor na relação sexual ou ainda dor pélvica crônica”, afirma Cristina Carneira, ginecologista e obstetra. “Outros sinais da doença podem ser a dificuldade em engravidar e o surgimento de massas pélvicas, como cistos no ovário”, explica.

Exames indicados

Dados clínicos mostram que a endometriose é uma doença que atinge cerca de 6 a 10% das mulheres. No entanto, muitas vezes, o seu diagnóstico é falho pela falta de acompanhamento médico.

Na lista dos exames necessários estão o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética.

De acordo com o ginecologista Gustavo Maciel, do Fleury Medicina e Saúde, “o diagnóstico representa um dos maiores desafios no contexto clínico da endometriose, sendo na maioria das pacientes tardio. Nos casos de doença superficial, o diagnóstico é, muitas vezes, baseado em exames clínicos e em indícios laboratoriais, como o marcadores sanguíneos chamados CA125 e HE4”.

Para casos de endometriose profunda e endometriose ovariana, Maciel afirma que são recomendados o exame físico e ginecológico, além de outros exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética.

“Esses métodos têm papel fundamental na identificação de lesões de endometriose e na avaliação da extensão da doença e dos órgãos afetados por ela”, afirma.

Tratamento da endometriose

Se não tratada, a endometriose pode afetar a fertilidade e o organismo da mulher. Fora isso, dependendo de sua localização, pode causar sintomas em outras regiões do corpo.

“Se o endométrio estiver presente no intestino grosso, ele pode causar dor ao evacuar, constipação intestinal, diarreia, sangramento retal durante as menstruações e até distensão abdominal. Na bexiga, os sintomas são ardor ao urinar, sangue na urina e aumento da frequência urinária”, afirma Cristina Carneiro.

O tratamento da doença é varia de casa para caso. Para tratar a dor, é necessário o uso de medicamentos que bloqueiem a menstruação.

Em alguns casos, pode ser feita uma cirurgia por laparoscopia, que é para endometriomas maiores que 4,0 cm. “No caso dos medicamentos, existem diversos no mercado e também o DIU, com levonorgestrel, que auxilia reduzindo os sintomas”, afirma Clícia Quadros.

Carla Iaconelli, especialista em reprodução humana, alerta sobre a importância de exames anuais e de acompanhamento caso qualquer um dos sintomas mencionados apareçam no seu dia a dia.

“A doença pode causar distorção das estruturas pélvicas, as aderências formadas podem deformar a anatomia pélvica, alterando a posição e a função das trompas, do útero e dos ovários”, alerta.

“Se os implantes estiverem em locais como ureteres ou intestino, o não tratamento pode resultar em casos de obstrução do trato urinário ou intestinal, que podem ser graves, levando a internação e cirurgia de urgência”, completa a especialista.

Segundo ela, a endometriose pode ser classificada em mínima (estágio 1), leve (estágio 2), moderada (estágio 3) ou grave (estágio 4).

“Pacientes com a forma grave e moderada, que frequentemente têm obstrução tubária e endometriomas, têm maior dificuldade para engravidar e necessitam de tratamentos mais complexos para obter uma gestação, como a fertilização in vitro.”