Corrimento com mau cheiro: o que pode ser? Descubra!

14 de março de 2018

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POR Amanda Grecco

A presença de corrimento na calcinha não necessariamente indica que há algo de grave acontecendo no corpo da mulher. Na verdade, o corrimento nada mais é do que um sinal de desequilíbrio no ambiente vaginal — o que é bastante comum.

No entanto, quando o corrimento vem acompanhado de outros sintomas, talvez seja o momento de marcar uma consulta com seu ginecologista.

Corrimento com mau cheiro, ardência, irritação e alterações na cor e consistência podem ser sintomas de alguns problemas de saúde que merecem a atenção da mulher.

Abaixo, separamos informações que poderão ajudar você a identificar possíveis sinais de doenças ou descartar eventuais suspeitas. Confira!

4 pontos por trás do corrimento com mau cheiro

Não são todas as patologias que desencadeiam um cheiro forte na região vaginal. Geralmente, a origem do odor desagradável é uma vaginose bacteriana. E a mais comum das vaginoses é a Gardnerella.

1. Vaginose bacteriana (Gardnerella)

Essa doença, causada pela bactéria Gardnerella vaginalis, é caracterizada pela liberação de um corrimento líquido acinzentado com muito mau cheiro e por provocar ardência na vagina. Além disso, as mulheres também podem sentir bolinhas de ar dentro do canal vaginal.

É a Gardnerella que libera o cheiro parecido com o de peixe podre que todos ouvimos falar. Mas ele nem sempre pode ser sentido na calcinha — às vezes é necessário introduzir o dedo dentro da vagina para sentir o odor.

Esta, inclusive, é uma prática bem importante para entender o que está acontecendo. Como toda parte do corpo, a vagina deve ser cuidada e observada com carinho. Não tenha receio em manuseá-la e perceber seus odores. É isso que poderá ajudar a identificar possíveis desordens no equilíbrio do ambiente vaginal.

A bactéria

Por incrível que possa parecer, a Gardnerella vaginalis é uma bactéria que pertence à flora vaginal e que apenas entra em ebulição quando algo no organismo não está indo bem.

Em circunstâncias normais, ela é apenas só mais um dos diversos micro-organismos que habitam o corpo das mulheres, sendo fundamental para manter o equilíbrio da região.

Mas quando há uma desordem orgânica acontecendo, ela pode ser transmitida por meio de relações sexuais, sendo considerada em alguns casos como uma infecção sexualmente transmissível (IST).

É comum fazer uso de antibióticos para tratar a vaginose bacteriana, mas há soluções menos invasivas e tão funcionais quanto. A obstetriz Ellen Vieira recomenda que a mulher entre em contato com ela mesma para entender a causa dessas possíveis desordens.

Ela também costuma trabalhar com a ajuda de tintura de própolis para ingestão. Mas, segundo ela, a introdução de um dente de alho na vagina e banhos de assento também podem funcionar.

2. Quando o corrimento é uma IST

De acordo com a obstetriz, corrimentos também podem indicar uma infecção sexualmente transmissível. Porém, as ISTs não podem ser as primeiras na lista de possíveis causas para o corrimento.

“Conforme você vai conhecendo seu corpo e se familiarizando com sua vagina, você adquire a capacidade de perceber quando o seu corpo não está bem”, explica ela.

“As ISTs estão muito presentes em nossa vida, mas não devem ser associadas como sinônimo de corrimento. Existem muitas outras causas que podem estar por trás desta secreção”, conclui a especialista.

Entretanto, é sempre bom ficar de olho — e uma das melhores formas de fazer isso é realizando exames de testagem com regularidade.

Clamídia e tricomoníase

As doenças que são transmitidas por meio do ato sexual e que podem se manifestar por corrimentos vaginais são, principalmente, a clamídia e a tricomoníase.

Enquanto a primeira às vezes pode ser assintomática, a segunda é caracterizada por um corrimento amarelo e com cheiro forte, além de coceira, ardência no local e vermelhidão na vulva e na parede uterina.

A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, e também pode ser contraída pelo contato com objetos contaminados.

Outras ISTs, a exemplo da sífilis, nem sempre apresentam corrimentos, mas sim feridas na vagina — que muitas vezes não são possíveis de ver por conta própria. Nestes casos, é necessário que o exame seja feito por um ginecologista.

3. Candidíase provoca mau cheiro?

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, cerca de 60% das mulheres que vão ao pronto-socorro se queixar de algum problema ginecológico apresentam candidíase.

Essa doença é causada por um fungo natural da flora vaginal. Quando ele está presente em maior quantidade do que deveria, provoca coceira e a liberação de uma secreção anormal na região.

A candidíase é caracterizada por acidez vaginal, corrimento branco e espesso e por muita coceira. Mas não apresenta mau cheiro.

É muito comum que o fungo cresça em decorrência do açúcar e farinha branca ingeridos na alimentação, pois é disso que ele se alimenta. Assim, a jornalista e escritora focada em promoção da saúde, Sonia Hirsch, dedicou parte de sua carreira a escrever o livro Candidíase, a praga! E como se livrar dela comendo bem.

Como tratar?

O tratamento de candidíase é simples, mas exige disciplina na alimentação. Pode ser empregado o uso de óleo de coco com diluição de 1% de óleo essencial de melaleuca topicamente por sete noites.

Banhos de assento de calêndula e camomila para acalmar a vulva também são bem-vindos. Outros ótimos aliados no combate à candidíase são barbatimão e violeta genciana.

4. Escape não é corrimento

Com aspecto marrom e pegajoso, o escape nada mais é do que o sangue que pode descer antes do início ou após o término da menstruação. Existem várias causas para ele, como progesterona baixa ou sobrepeso, mas ele não é considerado um corrimento, e sim literalmente um escape de sangue.