Como amamentar? Entenda como funciona o processo

05 de junho de 2018 ● POR Amanda Grecco

É consenso entre os especialistas que o leite materno apresenta a melhor possibilidade de sustento e desenvolvimento do bebê. Muito além da rica tabela nutricional, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 41% dos bebês menores de seis meses no Brasil são alimentados exclusivamente com leite materno como deveria acontecer. Por isso, é fundamental entender como amamentar e como funciona esse processo, para que ele seja realizado da maneira ideal.

Confira os passos de como amamentar

A primeira mamada e os próximos dias

As mães precisam saber como amamentar seus filhos, já que a Organização Mundial da Saúde recomenda que o bebê receba a primeira amamentação em até uma hora de vida. Não imagine que a amamentação acontecerá por horas! São apenas algumas gotinhas de leite que compõe o que é denominado por colostro: leite produzido após o parto, riquíssimo em nutrientes e suficiente para nutrir o recém-nascido. 

É importantíssimo que o bebê tome essas gotinhas, já que garantem o fortalecimento do sistema imunológico.

Após 3 ou 4 dias do parto, a mulher sentirá o peito ficar mais pesado por conta da estimulação causada pela sucção que o bebê exerce sobre as mamas. Não é necessário ter preocupação com esses dias em que o leite ainda não estiver sendo produzido, pois, além do colostro ser muito substancioso, os bebês já nascem com um estoque de energia.

Nesses primeiros dias de vida, os nenéns perdem até 10% do peso desde o nascimento, entretanto o peso costuma ser recuperado em até duas semanas de amamentação.

É normal que o recém-nascido demonstre estar sempre com fome, e ele realmente está! Acontece que o estômago dele ainda é pequenino e a digestão acontece de maneira muito rápida. Não existe uma regra, mas eles costumam mamar entre 8 e 12 vezes por dia até um mês de vida. É importante que os pais tenham cuidado para não confundir os choros, pois ele pode ser proveniente de alguma outra demanda ou desconforto que não a fome.

Produção de leite e preparação dos seios

A associação do tamanho dos seios com a produção de leite não é verídica. Mesmo com seios pequenos, a mãe pode ter produção de leite normal ou até abundante em alguns casos. O que mais auxilia no aumento da produção de leite é uma boa hidratação, aponta Thaís Bernardo de Araujo, enfermeira obstetra e consultora em aleitamento materno na Commadres de Peito.

“É de costume indicar a ingestão de 3 a 4 litros de água por dia para a nutriz (denominação dada à mulher em fase de amamentação). As massagens podem ajudar no caso das mamas ingurgitadas em que o leite está parado e torna-se preciso fluidifica-lo antes da mamada, mas para estímulo de produção o melhor mesmo é a livre demanda”, afirma.

Ou seja, é preciso oferecer os seios sempre que o bebê quiser, pois, assim o bebê estimula a mama várias vezes e o corpo fabrica mais prolactina, aumentando o nível de leite ofertado.

Alguns alimentos, produtos naturais e medicamentos são indicados com frequência para aumentar a produção de leite. A nutricionista Clariely Stele, especializada em Fitoterapia na Pratica Clínica e Saúde da Mulher, esclarece que apesar de poucos, existem alguns estudos que demonstram que o consumo de galactagogos aumentam a produção de leite materno.

“Essas substâncias são encontradas no anis, nas partes aéreas da verbena, sementes de funcho (erva-doce), sementes de alfafa e frutas do vitex. Todas essas plantas citadas são descritas no Physicians Desk Reference for Herbal Medicines como isenta de riscos no período da lactação, desde que dentro das doses preconizadas como terapêuticas. É muito importante que as doses corretas sejam prescritas por um profissional especialista”, explica.

É importante lembrar que essas mesmas plantas citadas pela nutricionista, quando consumidas na gestação, por exemplo, pode oferecer riscos à gestante.

“O funcho (erva-doce) tão comum e presente nas nossas vidas como aquele chazinho calmante e confortante que nossas avós nos ofereciam pode ser muito perigoso quando ingerido durante a gestação por possui efeito emenagogo, isto é, causa o aumento do fluxo menstrual”, esclarece Clariely.

E se elas estiverem cheias demais?

O mais comum é que o corpo disponibilize a quantidade de leite que o neném irá consumir, entretanto também não é raro que a nutriz apresente excesso de produção e tenha que esvaziar as mamas por ela mesma. Para realizar a retirada do leite, é só pressionar a aréola em direção ao colo com a ajuda do polegar e do indicador.

O leite materno pode ser armazenado. Entretanto, existem algumas condições para isso acontecer. É sempre ideal pedir ajuda de um banco de leite (confira o mais próximo da sua casa aqui) ou de uma consultora de aleitamento para ter a orientação de como proceder corretamente.

“Assim como qualquer outro alimento, o leite materno congelado vai ter algum prejuízo das suas propriedades, mas sempre será melhor do que o leite artificial desde que armazenado nas condições ideais. É uma boa opção para as mães que vão retornar ao trabalho, pois ele pode ser ofertado para o bebê na ausência da mãe”, aponta Thais.

O leite é um alimento espécie-específica, isso quer dizer que ele foi feito especialmente para o bebê, então não há outro alimento que possa substituí-lo com a mesma qualidade.

Posições recomendadas

O principal é que o bebê abocanhe a maior parte da aréola – parte marrom da mama –, ele precisa estar com a boquinha bem aberta. “Eu costumo orientar a posicionar o bebê na altura da mama com a ajuda de uma almofada de aleitamento, que é aquela almofada em formato de “c” que ajuda a manter o bebê numa altura adequada”, explica a consultora em aleitamento.

Thais também esclarece que o melhor para fazer o neném abrir bem a boca é passar o mamilo entre o nariz e o lábio superior. “Quando a gente passa o mamilo nessa região, o bebê tem o reflexo de abrir bem a boca e assim a gente consegue introduzir o mamilo e alcançá-lo próximo ao céu da boca dele”.

Caso a mãe sinta que a pega esteja errada, é possível corrigir mesmo enquanto ele suga. “No queixo do bebê, dê uma tracionada com suavidade para baixo para ajudar a abrir mais a boca. Abra um pouquinho o lábio superior se ele estiver voltado para dentro”, diz Thais.

Outra coisa que pode ajudar, segundo ela, é fazer uma preguinha no mamilo com o dedo polegar e indicador para que ele entre por inteiro na boquinha do bebê, ou pelo menos grande parte dela se for uma auréola grande. Uma das coisas que funcionam bem para incentivar uma boa mamada é que o bebê seja apresentado à mama na primeira hora de vida.

Esse é o momento em que ele está mais alerta, está fazendo o imprinting e está super ativo, então ele consegue fazer uma mamada e depois ele tem a memória da mama.

Frequência e tempo de cada mamada

Não existe intervalo ideal entre as mamadas, a alimentação deve ser feita em livre demanda até os seis meses de vida do bebê: sempre que ele solicitar ou sempre que a mãe achar que os seios estão muito cheios e precisa da ajuda do bebê para esvaziá-los.

“Tem épocas em que o bebê pode demandar mais, como quando ele tem os saltos de desenvolvimento, e muitas vezes um bebê que mamava de três em três horas pode reduzir para duas em duas. Também é normal ter bebês que mamam de hora em hora”, conclui Thais.

 


hehe