Coceira na vagina: candidíase, alergia, DSTs e mais 9 causas

29 de agosto de 2018

|

POR Manuela Sampaio

Se você é mulher, provavelmente em algum momento de sua vida já teve de lidar com a coceira vaginal. O incômodo pode ter diversas causas e nem sempre é fácil entender sua origem.

Embora algumas simples alterações, como a mudança de produto na lavagem das calcinhas, já sejam suficientes para desencadeá-la, outros fatores mais sérios, como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), também não podem ser descartados.

A seguir, conheça fatores que geram coceira na vagina e veja como evitá-la de uma vez por todas:

O que pode ser coceira na vagina?

coceira vaginal
Siriluk ok/Shutterstock

Há diversas causas para coceira nas partes íntimas. Algumas das principais são:

Vaginite

Vaginites são inflamações na vagina que podem ser causadas por diferentes fatores, como desbalanços na flora local, infecções (como vaginoses bacterianas ou candidíases) ou redução dos níveis do hormônio estrogênio, o que acontece na menopausa.

Além da coceira, a vaginite pode causar corrimento, dor durante o sexo, ardor ao urinar e pequenos sangramentos.

Vulvodínia

Caracterizada por desconforto sem causas aparentes, a vulvodínia pode gerar coceira na vagina, desconforto durante o sexo, intensa queimação e, principalmente, dor.

Não se sabe exatamente o que causa esse acometimento, mas, de acordo com a instituição de saúde norte-americana Mayo Clinic, ele pode estar relacionado a alterações como irritação dos nervos da região, espasmos musculares e sensibilidade cutânea.

Acredita-se, ainda, que o quadro pode ter componentes emocionais e estar ligado a situações traumáticas prévias.

Candidíase

A infecção causada pelo fungo Candida albicans é extremamente comum e, além da coceira na vagina, é marcada por corrimento amarelado e ardor ao urinar.

Por se tratar de uma condição oportunista, ou seja, que se aproveita de desequilíbrios na flora da região para se espalhar, é desencadeada por fatores que alteram o pH, como mudanças hormonais e atritos.

Alergia à camisinha

Cerca de 1% da população possui alergia ao látex presente na camisinha, e, por isso, sente coceira na vagina, vermelhidão, dor e ardor após a relação sexual protegida. Mas os sintomas não se limitam a estes: pode haver até queda da pressão arterial, falta de ar, tontura e desmaios.

É possível que haja ainda reação à cor, fragrância e/ou sabor do preservativo ou de substâncias para aumentar o prazer e lubrificantes que sejam usados concomitantemente.

Falta de lubrificação

Caso a lubrificação seja insuficiente e gere atrito em excesso entre pênis e vagina durante a penetração, também pode ser gerada um posterior incômodo.

Alergias em geral

Sabonetes, amaciantes, higiene excessiva, tecido da calcinha e absorventes são fatores que podem gerar alergia, irritação e coceira na vagina.

Existe também a alergia ao sêmen do parceiro. Mais rara, ela pode ser facilmente evitada com o uso de preservativo.

DSTs

Algumas DSTs podem causar coceira na vagina. É o caso de herpes, gonorreia, tricomoníase e HPV.

Psoríase e líquen

A psoríase é uma doença genética de pele que faz com que as células cutâneas se multipliquem desordenadamente e causem coceira. Ela pode surgir em várias partes do corpo, inclusive na área genital.

O mesmo acontece com o líquen escleroso e atrófico, acometimento que deixa a pele frágil e pode gerar a sensação irritativa.

Secura vaginal

Com a aproximação da menopausa, é normal que a lubrificação natural diminua, o que pode resultar em coceira na vagina e lesões na mucosa. Uma forma de contorná-la é usar produtos recomendados por ginecologistas, como pomada de estrogênio de aplicação local e hidratante íntimo.

Câncer

Um dos sintomas mais marcantes do câncer de vulva é a coceira incessante. Outros sinais da doença são: dor, sangramento, mudanças na textura e cor da pele e feridas.

Como se manifesta e sintomas associados

A coceira na vagina pode se manifestar de diferentes formas, a depender do fator gerador.

No entanto, a apresentação mais comum está relacionada a infecções por alguns micro-organismos específicos, como a Candida Albicans. De acordo com o governo do estado de São Paulo, 60% das mulheres atendidas no Hospital Pérola Byington têm candidíase.

No caso desta infecção causada por fungos na vagina, os sintomas envolvem, além de coceira, corrimento esbranquiçado, ardor ao urinar e dor durante a relação sexual, informa o órgão governamental.

Outra causa comum para o sintoma é a vaginose bacteriana, gerada pelo crescimento exagerado de micro-organismos deste tipo na flora vaginal. Os sintomas que podem acompanhar a coceira neste caso são corrimento com mau cheiro e amarelado, informa a The Johns Hopkins University, dos Estados Unidos.

Encerrando a tríade de manifestações comuns de coceira na vagina, estão as alergias, que podem causar também dor, irritação, vermelhidão, calor na área einchaço.

Além destes causadores, é importante ficar atenta a outras manifestações:

  • Observe descolorações da pele e se há presença do mesmo sintoma em outras partes do corpo, o que pode indicar afecções cutâneas;
  • Se estiver no período de menopausa, analise como está a lubrificação vaginal;
  • Observe a presença de feridas ou nódulos, que podem surgir junto com algumas DSTs ou até câncer vulvar;

Quando se preocupar?

Sempre que sentir coceira na vagina que não seja momentânea, o ideal é buscar um médico. Ele realizará um exame físico e, junto com os sintomas que você relatar, conseguirá definir um diagnóstico.

Nem sempre é simples para alguém sem a formação médica definir o que está gerando a sensação, por melhor que seja a intenção. Sendo assim, a pessoa pode acabar usando um creme para candidíase quando o real problema é uma alergia a algum componente da camisinha, por exemplo.

De acordo com a Universidade de Harvard, essa atitude pode até piorar o quadro, uma vez que essas loções possuem substâncias que podem irritar ainda mais a pele.

Possíveis complicações

A coceira na vagina, por si só, não apresenta muitas complicações, já que se trata de um sintoma. O que não raro pode acontecer é que o ato de coçar a região cause feridas na pele que pioram o ardor ao urinar e a dor durante o sexo.

Além disso, estas lesões abrem portas para outros micro-organismos causadores de doenças que podem gerar mais dor.

Em relação às causas de coceira na vagina, é fundamental tratar adequadamente o que está por trás do incômodo para que não surjam complicações. Uma infecção por fungos, por exemplo, pode se tornar uma doença que vai e volta repetidas vezes caso não sejam feitos adequados diagnóstico, tratamento e prevenção. O HPV, se não tratado e acompanhado, pode virar um câncer, e as alterações da menopausa podem causar atrofia e lesões na área genital feminina.

Tratamento

tratamento coceira na vagina
Olena Yakobchuk/Shutterstock

Coceira no clitóris, grandes e pequenos lábios ou interior da vagina têm diferentes tratamentos a depender das causas.

Remédios

Em muitos casos de infecção pode ser necessário tomar medicamentos antibióticos ou antifúngicos por via oral.

Esse tipo de tratamento é mais comum em quadros mais complicados. Uma infecção fúngica que sempre se repete, por exemplo, pode exigir uso de medicações, como o fluconazol, por mais tempo.

Se houver um processo alérgico acontecendo, é possível que o médico recomende um antialérgico, medicação capaz de cessar a coceira na vagina e os outros sintomas, como inchaço e vermelhidão. Mesmo assim, é fundamental identificar o fator que causa a alergia e eliminá-lo da rotina.

Pomadas

Infecções por fungos costumam ser tratadas com pomadas e loções de uso intravaginal e/ou aplicadas na região da vulva, que é a parte vista externamente. Alguns dos princípios ativos usados para essa finalidade são o miconazol e o terconazol, informa a Mayo Clinic.

Vaginoses bacterianas também podem ser tratadas com pomadas intravaginais com componentes antibióticos, como a clindamicina.

No caso de secura vaginal como sintoma da menopausa, podem ser utilizadas pomadas à base de estrogênio, recomendadas pelo ginecologista. Esse medicamento age melhorando atrofias e hidratação da região e pode também otimizar o desejo sexual.

Banho de assento

Banhos de assento nada mais são do que a lavagem da região externa genital com água morna e algum princípio ativo. A prática pode ajudar a aliviar coceira na vagina e equilibrar o pH da região.

Uma das substâncias mais usadas para isso é o flogo rosa. Trata-se do medicamento cloridrato de benzidamina, usado para aliviar inflamação e sintomas incômodos.

Há ainda outras substâncias mais naturais que podem ser usadas. É o caso do barbatimão, cujas cascas e folhas podem ser usadas para preparar um chá que alivia sintomas de candidíase.

Prevenção

  • Manter a região íntima saudável é fundamental para evitar que infecções oportunistas causadas por fungos ou bactérias se instalem e causem sintomas como a coceira na vagina;
  • Para isso, visite periodicamente seu ginecologista e mantenha hábitos saudáveis de cuidado com a região íntima;
  • Use sempre preservativos durante as relações sexuais, prevenindo DSTs como HPV e tricomoníase, além de gravidez indesejada;
  • Mantenha uma alimentação equilibrada e consuma probióticos. Hoje, já se sabe que esse tipo de alimento ajuda a manter uma flora vaginal rica e o pH da região balanceado;
  • Use sabonetes neutros durante a higiene íntima e cuide para não esfregar demais ou limpar demasiadamente a região, o que prejudicar a proteção natural da vulva e da vagina;
  • Use calcinhas de algodão, que permitem que a área fique ventilada;
  • Caso haja sinais de alergia, tente identificar o que pode estar causando a sensação em você e afaste esses itens.