Câncer de ovário: 9 fatos importantes sobre a doença

10 de novembro de 2017

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POR Vinicius de Vita Cavalheiro

De todos os tipos de câncer ginecológicos, o câncer de ovário é o mais difícil de ser diagnosticado e, por isso, é também o que tem menos chances de cura.

Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor é pouco frequente, mas por ser silencioso o diagnóstico acaba acontecendo já em estágio avançado em pelo menos 75% dos casos. Abaixo, separamos X fatos importantes sobre câncer de ovário para você entender exatamente como a doença se instala, seus sintomas mais comuns, exames de rastreamento, tratamentos e formas de prevenção. Confira:

1. O câncer de ovário é pouco frequente, mas altamente letal

O câncer de ovário não é tão frequente quanto o câncer de mama — que, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, acomete 1 em cada 12 mulheres no país. O tumor ovariano, por sua vez, surge em uma quantidade bem menos significativa. Para se ter uma ideia, as estimativas do INCA para a incidência do câncer de ovário em 2016 era de pouco mais de 6 mil novos casos — 3% entre todos os tumores femininos.

O problema mesmo é a letalidade. Nos Estados Unidos, das cerca de 22 mil mulheres que a American Center Society estimou que receberiam o diagnóstico positivo para o tumor em 2017, mais da metade (63%, ou 14 mil) deve ir à óbito em decorrência da doença.

2. No início, não aparecem sintomas

Se a letalidade do câncer de ovário é tão alta, é porque a doença é muito difícil de ser diagnosticada no início, e isso acontece justamente porque os sintomas só costumam se manifestar mais tarde, quando o tumor já está em estágio bem mais avançado.

Cientificamente, já está comprovado que quanto mais cedo um câncer for diagnosticado, maiores são as chances de cura, pois impede-se que as células tumorais continuem se multiplicando quando o prejuízo ainda não foi tão grande. Em estágios mais avançados, porém, boa parte dos ovários já está comprometida e muito provavelmente o câncer não está mais limitado ao local de origem, tendo se alastrado para órgãos e tecidos vizinhos.

E se a ausência de sintomas já prejudica, a falta de exames de rastreamento piora ainda mais o cenário.

Ao contrário do câncer de mama, que tem a mamografia e uma série de políticas públicas voltadas para prevenção e detecção precoce, o câncer de ovário é muito difícil de ser rastreado, principalmente no início.

3. Câncer de ovário ainda não tem causa definida

Apesar dos estudos realizados em torno do assunto, ainda não se conhece as causas exatas do câncer de ovário. Sabe-se que uma série de fatores pode aumentar os riscos de uma mulher desenvolver a doença. São eles:

Principais fatores de risco para o câncer de ovário

  • Histórico familiar: segundo o INCA, a hipótese de que familiares que tiveram câncer de ovário pudessem influenciar nas chances de uma mulher desenvolver a doença ao longo da vida mostrou-se verdadeira, mas em uma quantidade muito pequena dos casos — apenas 10% teria origem hereditária. Indícios, porém, dão conta de que ter uma mãe, irmã ou filha que tem ou teve câncer de ovário eleva os riscos de surgimento da doença, e ter mais de uma parente com histórico da doença eleva essa probabilidade ainda mais.
  • Herança genética: apesar de ser muito confundido, a herança genética para uma doença não tem a ver necessariamente com o histórico familiar propriamente dito. No caso do câncer de ovário, estudos mostram que alterações genéticas em pelo menos dois genes — BRCA 1 e BRCA 2 — passadas de mãe para filha podem aumentar as chances de uma mulher desenvolver o tumor ao longo da vida.

Outros fatores de risco

  • Nunca ter ficado grávida;
  • Ter iniciado o ciclo menstrual antes dos 12 anos;
  • Menopausa após os 50 anos;
  • Ter feito terapia hormonal para tratar a menopausa;
  • Ter feito tratamentos para fertilidade;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Uso de dispositivos intrauterinos (os famosos DIUs);

4. Prevenção contra câncer de ovário não existe, mas alguns hábitos podem reduzir os riscos

Ainda não existem métodos 100% eficazes contra o câncer de ovário, mas a medicina já foi capaz de identificar alguns hábitos simples que podem ajudar a reduzir as chances da doença. Veja quais são:

  • Uso de pílula anticoncepcional: polêmicas à parte, tomar pílula pode ajudar, mas é sempre bom lembrar que ela também pode aumentar as chances de câncer de mama e outros problemas de saúde. Por isso, é sempre bom conversar com um(a) ginecologista antes;
  • Amamentação;
  • Ter tido uma gestação anteriormente;
  • Laqueadura, que impede a fecundação do óvulo e, portanto, impede a gravidez; ou histerectomia, que é o nome dado à cirurgia de retirada do útero;
  • Prevenção da obesidade: seguir uma dieta balanceada, praticar atividades físicas e, enfim, impedir o processo inflamatório típico da doença é uma ótima forma de prevenir não só câncer de ovário como qualquer outro tipo de tumor;
  • Praticar exercícios constantemente: os médicos sempre recomendam pelo menos 30 minutos de atividade física diária toda semana para manter o câncer longe;
  • Parar de fumar;
  • Reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;
  • Sequenciamento genético para mapear desde cedo possíveis alterações genéticas. Uma vez identificados, os genes que sofreram modificações devem ser discutidos com um médico para que se decida os próximos passos.

5. É importante consultar sempre um médico para pegar a doença no início

Como já comentamos, é muito difícil o câncer de ovário manifestar sintomas em seus estágios iniciais. Entretanto, alguns sinais podem surgir, dependendo do caso. Fique atenta se você tiver os sintomas abaixo e se eles não desaparecerem sozinhos após alguns dias:

  • Aumento do volume do abdômen;
  • Dor abdominal ou na pelve;
  • Dificuldade para comer;
  • Perda de apetite (sensação de saciedade elevada);
  • Sentir necessidade urgente de urinar;
  • Urinas com mais frequência do que o habitual;
  • Sangramentos.

Outros sinais podem ser:

  • Fadiga;
  • Náuseas;
  • Azia e indigestão;
  • Dor nas costas;
  • Dor sentida durante o sexo;
  • Prisão de ventre (constipação);
  • Alterações no ciclo menstrual.

Mas atenção: manifestar os sintomas acima não significa necessariamente que você tem câncer de ovário ou qualquer outra doença grave. Estes são apenas alguns sintomas que já foram sentidos por pacientes, mas eles podem significar qualquer outra coisa também.

De toda forma, sinais de câncer de ovário só costumam aparecer nos estágios mais avançados da doença.

6. Cistos no ovário não devem ser motivos para pânico

Se você apresentar cistos no ovário, não há motivos para preocupação. Eles são bastante comuns e só podem representar algum perigo para a saúde da mulher os cistos que forem maiores de 10 centímetros e tiverem áreas sólidas e líquidas.

Em todo caso, é sempre bom consultar um ginecologista para saber exatamente qual o procedimento adequado após a detecção do cisto.

7. O diagnóstico é feito por meio de vários exames

Diagnosticar o câncer de ovário não é fácil. O processo de identificação do tumor começa por meio de um exame pélvico, em que um especialista inspeciona tanto a parte interna quanto externa dos órgãos genitais da mulher. Em seguida, é introduzido um pequeno dispositivo com câmera dentro da vagina para que se detecte a presença de anomalias.

Depois, o especialista solicita alguns exames para fechar o diagnóstico. Geralmente, pede-se um exame de imagem — ultrassom ou tomografia computadorizada — da região abdominal e pélvica. Esses exames podem ajudar a identificar alterações no tamanho, forma e nas estruturas dos ovários.

Exames de sangue, para detectar se a proteína AC 125 está presente na superfície dos ovários, e uma biópsia do tecido do ovário também ajudam a identificar eventuais células cancerosas.

Importante: o papanicolau não é capaz de diagnosticar câncer de ovário, pois é um exame específica para detecção do câncer de colo de útero.

8. O câncer de ovário tem 4 estágios

Por meio da biópsia, é possível determinar a extensão do tumor e classificá-lo em um dos quatro estágios da doença, que são:

  • Estágio 1: o câncer está em um ou em ambos os ovários;
  • Estágio 2: o câncer já se espalhou por outras regiões da pelve;
  • Estágio 3: o câncer se espalhou pelo abdômen;
  • Estágio 4: o câncer já está fora do abdômen e atingiu outros órgãos, como o fígado.

9. O tratamento é o mesmo para outros tipos de câncer

Da mesma forma que acontece em outros tipos de câncer, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias alternativas podem ser utilizadas para interromper o fluxo da doença, reduzir a velocidade de multiplicação do tumor ou até mesmo para amenizar a dor.

Geralmente, as cirurgias mais indicadas para tratamento do câncer de ovário é a histerectomia total, em que se retira todo o útero e o colo do útero; ou a salpingo-ooforectomia unilateral, em que se retira um ovário e uma trompa de Falópio; ou a salpingo-ooforectomia bilateral, em que se retiram os dois ovários e as duas trompas.

As opções de tratamento sempre são discutidas com o médico responsável e podem variar de caso para caso.

Famosas com câncer de ovário

Diversas famosas já foram diagnosticadas com câncer de ovário, mas um dos casos que mais chamaram a atenção da mídia foi o da atriz Márcia Cabrita, que morreu nesta sexta-feira (10) no Rio de Janeiro aos 53 anos vítima de câncer no ovário. Ela foi diagnosticada com a doença em 2010, quando começou a sentir cólicas estranhas. Após consultar um médico, descobriu que as dores, na verdade, eram o câncer de ovário. Ela estava internada há dez dias no Hospital Quinta D’Or, na zona norte do Rio de Janeiro, devido ao agravamento do quadro.

Márcia Cabrita - câncer de ovário

A atriz e humorista Márcia Cabrita morreu aos 53 anos em decorrência de câncer de ovário

Logo após a descoberta da doença ela começou o processo de quimioterapia, mas não precisou ficar internada e pôde continuar com a carreira. Márcia era filha de imigrantes portugueses e ganhou bastante destaque na comédia, em 1997, com sua personagem Neide Aparecida, no programa de comédia Sai de Baixo (onde ficou de 1997 – 2000, voltando depois em 2013 para episódios especiais). A atriz ainda fez participações na série Brava gente (2000), em Sítio do Picapau Amarelo (2003) e nos programas de comédia Sob nova direção A grande família.

Após o diagnóstico da doença, ela atuou na novela Morde & Assopra, em 2011, e fez várias participações em seriados como Pé na cova, da Globo e Vai que cola — do canal pago Multishow — além de Trair e coçar é só começar e Treme Treme, do mesmo canal. Ela participou da novela Novo Mundo — que foi exibida até setembro deste ano — até se afastou das gravações há três meses para cuidar da saúde. Ela voltaria este mês à rotina para gravar um filme baseado em Sai de baixo.

Outras famosas que já receberam a notícia do diagnóstico de câncer de ovário foram as atrizes Kathy Bates (vencedora do Oscar por Louca Obsessão), que se curou da doença, e Cobie Smulders (a Robin de How I Met Your Mother), que também venceu o câncer.

 

Com a colaboração de Bruno Botelho dos Santos