11 exames pré-natal que toda gestante deve fazer

02 de fevereiro de 2018 ● POR Patrícia Beloni

Os exames pré-natal são testes laboratoriais que toda mulher grávida deve fazer ao longo dos nove meses de gestação. Os 11 principais são (em ordem alfabética):

  1. Fezes
  2. Glicemia em jejum
  3. Grupo sanguíneo (sistema ABO) e fator Rh
  4. Hemograma completo
  5. Papanicolau
  6. Reação para toxoplasmose e rubéola
  7. Sorologia para HIV
  8. Sorologias para hepatites virais
  9. Sorologia para citomegalovírus
  10. Ultrassonografia
  11. Urina

Por que exames pré-natal são importantes?

“É importante realizar os exames durante a gravidez para ter uma gestação segura”, explica Olímpio Barbosa de Moraes Filho, que é ginecologista e presidente da comissão de Assistência Pré-Natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“Se feitos corretamente, no período mais indicado da gravidez, eles são capazes de diagnosticar e até prevenir doenças sérias, que não raro levam ao aborto ou à morte da mãe”.

Os exames são essenciais principalmente quando levamos em consideração que cerca de 15% das mulheres que ficam grávidas têm uma gestação de alto risco. Por isso, o especialista diz que compensa fazer alguns dos exames até mesmo antes da gravidez. 

“A partir do histórico da mulher e da família, é possível realizar um direcionamento mais efetivo e verificar se existe algum fator que possa aumentar o risco durante a gravidez”, afirma.

Mas não é o que acontece. Segundo dados estimados, cerca de 60 a 70% das mulheres engravidam sem planejar. Mas Barbosa ressalta que os exames pedidos durante o pré-natal são os mesmos exames de rotina que devem ser feitos por todas as mulheres — e com certa frequência, independentemente se estão grávidas ou não.

Alguns dos testes de pré-natal são obrigatórios, conforme determinação do Ministério da Saúde, como é o caso dos exames que detectam doenças infectocontagiosas, exames de sangue, de urina e o ultrassom.

Outros são realizados de acordo com a necessidade e de eventuais queixas da gestante depois da primeira consulta. Abaixo, explicamos melhor cada um dos exames que citamos no início deste artigo. Confira e tire suas dúvidas sobre cada um deles.

É importante lembrar que:

Além dos tradicionais exames pré-natal, ginecologistas e obstetras também têm o costume de realizar exames físicos com as gestantes, a fim de encontrar quaisquer alterações que exijam uma investigação mais profunda.

Costuma-se verificar o peso da mulher, medir sua altura, avaliar a tireoide, fazer uma inspeção da pele e de mucosas, como as da boca, e a clássica ausculta cardiopulmonar.

Os 11 principais exames pré-natal

1. Exame de fezes

Quando deve ser feito: no início da gravidez e caso a gestante apresente alguma queixa durante os nove meses.

O exame de fezes investiga a presença de parasitas no intestino que podem provocar anemia, entre outros problemas. É feito no início da gestação para que uma eventual infecção seja rapidamente tratada.

2. Glicemia (em jejum)

Quando deve ser feito: geralmente é feito logo no início da gravidez e repetido na 26ª semana, fase em que o corpo da gestante já encontra mais dificuldade para absorver o açúcar.

O exame de glicemia, também conhecido popularmente como glicemia em jejum, é solicitado pelo ginecologista para medir a quantidade de glicose presente na corrente sanguínea, o que permite identificar eventuais quadros de intolerância à glicose e diabetes.

Se as taxas estiverem muito acima do normal, pode ser que a mulher esteja com diabetes gestacional, que exige cuidado e atenção especial, pois pode comprometer a gravidez.

O exame costuma ser feito em jejum de 8 horas, em que é medida a quantidade de glicose quando não houve ingestão recente de alimentos. Depois, ele pode ser feito durante a chamada curva glicêmica — duas horas após a ingestão de alimentos.

3. Grupo sanguíneo (sistema ABO) e fator Rh

Quando deve ser feito: primeiro trimestre.

Segundo Barbosa, é essencial realizar o exame de compatibilidade do sangue negativo e positivo, que verifica justamente a compatibilidade de sangue do casal. Se a mãe for Rh negativo e o pai Rh positivo, por exemplo, a mulher precisa realizar um tratamento para que o corpo dela não rejeite o bebê caso ele seja Rh positivo.

4. Hemograma completo

Quando deve ser feito: geralmente, são pedidos três hemogramas ao longo da gestação — um em cada trimestre. Mas podem ser solicitados mais, dependendo do caso.

O hemograma é como se fosse um conjunto de exames de sangue, que analisa a quantidade de glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos e plaquetas.

Eles são necessários principalmente para verificar sinais de infecção, anemia ou alterações no número de plaquetas. Costuma ser pedido pelo ginecologista logo na primeira consulta.

5. Papanicolau

Quando deve ser feito: logo na primeira consulta pré-natal, a fim de afastar de imediato qualquer suspeita de câncer. Mas o exame deve ser realizado pelo menos uma vez ao ano, independentemente de gravidez ou não.

O exame do papanicolau é importantíssimo para prevenir o câncer de colo de útero, e deve ser realizado por gestante se ele ainda não tiver sido feito ao longo do ano anterior.

Ele também é conhecido como exame colpocitológico e deve ser feito por todas as mulheres entre 21 e 65 anos — portanto, cobre praticamente toda a vida fértil da mulher.

6. Reação à toxoplasmose e rubéola

Quando deve ser feito: no início do pré-natal e repetido no terceiro trimestre de gestação.

Estes exames indicam se a gestante já teve contato com os agentes causadores de toxoplasmose e rubéola. Eles permitem identificar há quanto tempo a mulher teve esse contato ou se ele aconteceu já durante a gestação.

Dependendo do resultado, o tratamento pode evitar as complicações como malformações, problemas neurológicos e até cegueira e surdez no bebê.

7. Sorologia para HIV

Quando deve ser feito: pelo menos uma vez a cada 6 ou 12 meses (antes da gravidez) e sempre no início do pré-natal, para que o tratamento comece logo.

A transmissão vertical de HIV, ou seja, quando o vírus é transmitido de mãe para filho durante a gestação, no momento do parto ou na hora da amamentação, ainda é uma realidade em muitos países.

Por isso, é fundamental que a mulher realize o teste de sorologia para HIV não somente quando está grávida, mas com certa periodicidade. Na gestação, porém, este exame é ainda mais importante, pois não é porque a futura mãe eventualmente seja soropositiva que o bebê também será.

Hoje, existem formas de evitar que a transmissão vertical ocorra. Geralmente, fazendo uso dos medicamentos antirretrovirais — indicados para todos e com o objetivo de reduzir a carga viral de HIV na corrente sanguínea — já é possível evitar a transmissão.

8. Sorologia para hepatites virais

Quando deve ser feito: uma vez no primeiro trimestre de gestação e outra no terceiro trimestre (ou mais vezes, conforme orientação médica).

Da mesma forma que o exame de sorologia para HIV, também estão disponíveis testes sorológicos para as hepatites virais. Das três formas mais comuns da doença, as hepatites B e C têm maior probabilidade de transmissão sexual do que a hepatite A, que geralmente ocorre por meio da ingestão de alimentos e água contaminados.

Caso a gestante apresente uma hepatite viral e não faça o tratamento corretamente, o desenvolvimento do bebê pode ser comprometido.

9. Sorologia para citomegalovírus (CMV)

Quando deve ser feito: da mesma forma que os exames de sorologia para hepatites, este deve ser feito uma vez no primeiro trimestre de gestação e outra no terceiro trimestre (ou mais vezes, conforme orientação médica)

O citomegalovírus (CMV) é da mesma família dos vírus da catapora, herpes simples, herpes genital e herpes-zóster, e uma das suas formas de transmissão é pela via vertical — de mãe para filho.

A presença deste vírus no organismo da mulher grávida pode prejudicar o desenvolvimento do feto, provocando malformações — ainda que seja uma doença relativamente rara.

10. Ultrassonografia

Quando deve ser feito: a frequência de ultrassons é determinada pelo médico ao longo da gestação, mas geralmente são solicitadas quatro ultrassonografias:

  • Uma logo na primeira consulta pré-natal;
  • Uma entre as 11ª e 14ª semanas de gestação;
  • Uma entre as 20ª e 24ª semanas de gestação;
  • Uma por volta da 32ª semana de gestação.

São feitos ultrassons de vários tipos, um em cada trimestre da gestação:

  • O ultrassom transvaginal é feito para verificar a viabilidade da gestação, para confirmar idade gestacional e para afastar qualquer hipótese de gravidez fora do útero;
  • O ultrassom morfológico é feito para verificar como o feto está se formando e afastar a suspeita de má formação e anencefalia;
  • E o ultrassom que mede os batimentos cardíacos, por fim, é realizado para descartar eventuais problemas de saúde conforme o bebê vai se desenvolvendo.

11. Urina

Quando deve ser feito: logo na primeira consulta de pré-natal, mas deve ser repetido pelo menos duas vezes ao longo da gestação, ou sempre que o médico solicitar.

O exame de urina é realizado para detectar sangramentos, presença de pus (leucócitos), hemácias ou de proteínas na urina, que podem indicar alguma infecção urinária, incontinência urinária ou inflamação qualquer.

É um teste simples e que pode evitar complicações sérias para a gestação. Uma infecção urinária que não é tratada, por exemplo, pode levar ao parto prematuro e a outros problemas de saúde para a própria mãe — principalmente se a infecção passar para os rins ou outras partes do corpo.

Este exame também é conhecido como urocultura, pois identifica a presença de bactérias na urina.

Frequência de consultas durante a gravidez

Para uma gestante que não apresenta fatores de risco, estabelece-se que sejam realizadas pelo menos duas consultas: uma no início do pré-natal e outra entre as 29ª e 32ª semana de gestação, de acordo com recomendações do Ministério da Saúde.

É importante lembrar que se indicar que o intervalo entre duas consultas não ultrapasse 8 semanas.

Segundo o ginecologista Olimpio Barbosa, “é importante realizar no mínimo 6 consultas, sendo uma mensal até a 28ª semana, depois quinzenal dos 7 aos 8 meses, e duas semanas antes dos 9 meses. Dependendo de cada situação, tem que refazer ou acrescentar algum exame. Mas o pré-natal mesmo só acaba quando nasce o bebê”, lembra ele.