Tratamento de canal: o que você precisa saber para perder o medo

01 de fevereiro de 2018 ● POR Lucas Coelho

É difícil encontrar alguém que goste de ir ao dentista — muito menos de fazer o famoso tratamento de canal. A verdade é que quase todo mundo tem algum grau de odontofobia, por menor que seja. E se para muitos as simples limpezas de rotina já são um pesadelo, realizar uma obturação consegue ser uma ideia ainda mais assustadora.

Mas muito do que se fala sobre o tratamento de canal nem sempre corresponde à realidade. Não há muito o que temer. As tecnologias avançaram rapidamente nas últimas décadas, e já está claro que o “sofrimento” de passar pelo procedimento nem se compara às consequências de não tratar o canal.

Abaixo, separamos algumas informações sobre tratamento de canal para você entender exatamente como ele funciona e livrar-se de vez dos mitos que o cercam. Confira!

O que é o canal?

Os dentes têm uma estrutura relativamente simples:

  • O esmalte, que é sua camada mais externa e dura;
  • A dentina, que também é calcificada e fica abaixo do esmalte;
  • E a polpa, um tecido mole que fica no centro do dente, repleto de vasos sanguíneos e onde fica o nervo.

O tratamento de canal, na realidade, é a limpeza e desinfecção da polpa, que se estende por canais internos, chamados de canais radiculares, por conta da raiz dentária. É preciso remover a parte da polpa comprometida e depois preencher e selar o dente.

Por que o canal infecciona?

Segundo a dentista Lídia Azevedo, especialista em Endodontia (parte da odontologia focada no estudo da polpa dentária), existem três condições principais que levam uma pessoa a precisar de um tratamento de canal.

1. Infecção provocada por cárie

A primeira e mais corriqueira é por contaminação do dente, comumente causada por alguma cárie que não foi tratada.

Se as bactérias penetrarem no dente até chegarem à polpa, toda aquela área fica inflamada e acaba infeccionando. Como é ali que se encontra o nervo, o inchaço da região causa dor, e a polpa pode necrosar e até liberar pus.

2. Trauma ou fratura dentária

A segunda razão é por algum trauma ou fratura que o dente possa ter sofrido. Seguindo a mesma linha, o trauma pode danificar a polpa a ponto de necrosá-la, causando o mesmo processo de infecção provocado por cárie.

3. Necessidade de prótese dentária

A terceira razão é quando há necessidade protética, como um dente que precisa de coroa. O tratamento de canal auxilia na instalação de próteses dentárias.

Sinas de que você precisa de um tratamento de canal

O ideal é que consultemos um dentista ao menos duas vezes por ano — ou uma vez a cada seis meses, de acordo com a condição financeira e social de cada um. Mas é importante sempre fazer visitas regulares.

O dentista saberá identificar sinais preocupantes antes mesmo de eles se tornarem mais sérios, e poderá evitar a necessidade de um tratamento de canal no futuro ou de outros procedimentos odontológicos.

Todos sabemos, porém, que muitas vezes isso não é possível, e só conseguimos procurar um médico quando algo está nos incomodando. Não é raro procurarmos um dentista somente quando sentimos uma dor de dente muito forte, por exemplo.

Mas como nem sempre uma dor de dente indica que você necessitará de um tratamento de canal, é bom ficar atento aos sintomas mais comuns e frequentes para que você marque uma consulta caso venha a senti-los no futuro.

As dores no dente, claro, são o mais notório sinal de alerta. Mesmo que não sejam constantes, dores no frio que demoram a passar ou dores provocadas enquanto você come alimentos quentes devem ser analisadas de perto.

Isso porque muitas vezes este incômodo não se resume somente a uma simples sensibilidade no dente. “A presença de inchaço no dente ou de uma fístula, que parece uma espinha na gengiva, também são sinais que demandam atenção médica”, afirma Lídia.

Como é o tratamento de canal?

Antes de tudo, para ter certeza de que você precisará realizar o procedimento, o dentista deverá pedir um exame de raio-x. Só assim ele poderá enxergar melhor o que se passa no seu dente.

O tratamento em si começa com a anestesia local, sempre no dente infeccionado. Depois, é feito um isolamento absoluto com um arco de borracha que o dentista utiliza para isolar o dente do resto da boca.

A instrumentação pode ser manual ou automatizada. É realizada uma pulpectomia, ou seja, a remoção completa do tecido comprometido e uma limpeza geral da região para evitar que qualquer bactéria volte a causar problemas. Por fim, ocorre a obturação, que é o preenchimento dos canais com o material de escolha do dentista.

“Hoje em dia, 90% dos casos são realizados em uma única sessão que dura aproximadamente duas horas”, afirma Lídia. Segundo ela, quando a polpa ainda está viva, as chances de eficácia do procedimento são de aproximadamente 93%.

Tratar o canal dói?

Como dissemos, todo o procedimento é feito com anestesia local. Durante o tratamento, não deve doer. Claro, infecções muito graves podem não garantir a mesma tranquilidade, mas, de maneira geral, o paciente não sente nada.

Fique à vontade para tirar todas as suas dúvidas sobre o procedimento com seu dentista no momento do tratamento de canal. Isso poderá ajudá-lo a ficar mais tranquilo.

“Em alguns casos, são usados medicamentos ansiolíticos, que ajudam com a tensão e a ansiedade do paciente”, lembra a especialista. Segundo ela, anestesia geral é uma opção somente em pacientes com necessidades muito especiais.

Depois, no pós-operatório, são ministrados analgésicos e anti-inflamatórios para minimizar possíveis desconfortos.

E se eu não fizer o tratamento?

A higiene oral é extremamente importante por diversos motivos. Além da saúde, é também um fator social, pois aparência e hálito contam em ambientes de trabalho, por exemplo.

Mesmo que você não se incomode com nada disso, e mesmo que não se importe de perder um dente, ainda assim é fundamental realizar o tratamento de canal. A infecção no dente, se deixada sem cuidados, pode se aprofundar e se espalhar pelo corpo, resultando até em morte.

Recentemente, o músico Ricardo Bueno, ex-integrante da boy band brasileira Dominó, que fez sucesso nos anos 1990, faleceu por causa de uma infecção generalizada que se originou em um abscesso dentário.

Portanto, deixe os mitos e medos de lado e não deixe de procurar um dentista sempre que possível — e não somente quando já estiver com dor.