Transplante de útero: nasce primeiro bebê gerado por órgão de doadora morta

05 de dezembro de 2018

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POR Gabriele Amorim

O transplante de útero se tornou realidade em 2014 após uma bem sucedida série de procedimentos com doadoras vivas na Suécia que, inclusive, resultou em gravidezes. A novidade é que, pela primeira vez, a cirurgia foi realizada com o útero de uma doadora morta e resultou em uma gravidez de sucesso. Entenda:

Transplante de útero de doadora falecida

O primeiro caso mundial de nascimento de um bebê após transplante de útero de um doadora morta chamou atenção porque, até agora, só eram conhecidos casos de sucesso com o órgão proveniente de mulheres vivas e havia dúvidas se o útero realmente seria capaz de gerar vida após ficar sem fluxo sanguíneo por período prolongado.

A descoberta, documentada pelo Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, foi publicada pela revista científica The Lancet.

Caso

Em setembro de 2016, uma mulher de 32 anos com Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH) – caracterizada pela ausência uterina congênita – foi submetida ao transplante de útero no Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ela recebeu o órgão de uma doadora que morreu por hemorragia subaracnoide aos 45 anos. A mulher, em vida, chegou a ter três partos naturais.

A receptora apresentou ótima recuperação pós-operatória e recebeu alta após oito dias. A primeira menstruação ocorreu 37 dias após o transplante e regularmente a partir de então. A paciente também tomou medicamentos imunossupressores durante cinco meses para evitar a rejeição do órgão.

A gravidez ocorreu 7 meses após o transplante e nenhuma anormalidade no fluxo sanguíneo ou deficiência no crescimento fetal foi detectada.

O bebê veio à vida em uma cesárea em 15 de dezembro de 2017: uma menina de 2 quilos e 550 gramas, peso adequado para a idade gestacional de 36 semanas. Atualmente, mãe e bebê permanecem saudáveis e se desenvolvem normalmente após o parto.

O útero foi removido após parto e a terapia imunossupressora foi suspensa.

Esperança para mulheres inférteis

Esses resultados estabelecem uma esperança de tratamento de infertilidade por transplante de uma doadora falecida, abrindo novos caminhos para mulheres que sofrem com infertilidade terem uma  gravidez saudável.