Essa tatuagem muda de cor de acordo com quantidade de açúcar no sangue

22 de julho de 2019

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POR Ligia Lotério

Cientistas alemães desenvolveram uma tatuagem real que muda de cor em caso de alterações nos níveis de glicose, albumina e pH. Diferente dos adesivos já disponíveis no mercados, a nova tecnologia é aplicada definitivamente na pele, permitindo que pacientes e médicos monitorem doenças crônicas, como diabetes, em tempo real.

Tatuagem que detecta glicose alta no sangue

Tatuagem biossensível que muda de cor.
Reprodução/Yetisen et al., Angewandte Chemie International Edition, 2019)

A equipe da Universidade Técnica de Munique, liderada pelo engenheiro químico Ali Yetisen, criou um pigmento que reage perante variações nas concentrações de pH, glicose e albumina no fluido intersticial – líquido que vaza dos capilares e preenche espaços entre as células. A pesquisa foi publicada no Angewandte Chemie International Edition.

Albumina é uma proteína no plasma sanguíneo cujo nível baixo indica problemas renais ou hepáticos e nível alto indica doenças cardíacas. Já a glicose, chamada popularmente de “açúcar”, é essencial para o controle de diabetes tipo 1 e 2, acometimento que prejudica a capacidade do organismo de metabolizar açúcares. Por fim, o pH do sangue relaciona-se a uma série de questões que devem ser investigadas por médicos.

Variação de cores

O corante amarelo fica verde na presença de alterações na albumina e verde-escuro perante alta de glicose. Já o sensor de pH consiste em um pigmento vermelho que varia de amarelo a azul segundo o nível registrado.

A novidade ainda não foi testada em seres humanos, apenas em pele de porco, mas já apresentou variação de tons importante e condizente com as concentrações dos biomarcadores.

O único obstáculo é que apenas a cor do sensor de pH é reversível, as demais não, o que não é de muita ajuda se a tatuagem só funciona para uma leitura. Portanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que a análise seja disponibilizada à população.